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Cleber Toledo
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Cleber Toledo é jornalista desde 1992, com passagens por jornais em Paraná, São Paulo e Tocantins. Fundador do Portal CT.

Para pacificar o Brasil, só uma eleição ampla com Lula

CLEBER TOLEDO, DA REDAÇÃO 14 de Jul de 2017 - 10h32, atualizado às 11h09
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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Lula fala à imprensa sobre sua condenação por corrupção pelo juiz federal Sérgio Moro, na sede do PT

A pacificação do Brasil só ocorrerá através de uma eleição direta com ampla participação de todos os principais nomes colocados na disputa, inclusive o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), agora condenado pelo juiz federal Sérgio Moro, na Operação Lava Jato, por receber um triplex como propina da OAS. O governo Michel Temer (PMDB) se encontra em estado terminal, ainda que comemore as últimas vitórias legislativas, conquistadas com manobras mais variadas e totalmente questionáveis.

O quanto antes o País realizar um processo eleitoral amplo, mais luz jogará sobre essa crise que o paralisa, ainda que os componentes jurídicos que a envolvem devam perdurar por muito tempo. Porém, com a disputa definida numa eleição ampla não haverá mais o espectro ridículo do propalado “golpe”, uma teses mais esdrúxulas decantadas pelos histéricos.

Se houver uma eleição direta sem a participação de Lula, o novo governo passará mais quatro anos sendo taxado de “ilegítimo”, “golpista" e todas essas bobagens infantilizadas às quais os expurgados gostam de se abraçar.

Não acredito na possibilidade de vitória de Lula. Por vários motivos. O primeiro é a imensa rejeição, que já chega a quase 50% da população brasileira. O fato dele liderar as pesquisas de opinião a um ano das eleições, em meio à maior crise política do País, não é de estranhar. O petista e seu congênere à direita, Jair Bolsonaro (PSC), são os únicos candidatos de fato declarados, e isso já há dois anos. Essa rejeição de Lula deve crescer com a condenação por Sérgio Moro, acrescida agora ao currículo do maior populista do País, o primeiro ex-presidente a conseguir tal feito.

De outro lado, houve o divórcio entre Lula e a classe média, que é a verdadeira responsável por suas duas eleições à Presidência. O petista só chegou ao Palácio do Planalto quando foi capaz de convencer esse setor da sociedade de que não representaria perigo ao seu projeto de desenvolvimento e estabilidade econômica, à consolidação de suas carreiras corporativas e à sua voraz necessidade de consumo.

Inclusive, foi a classe média que lotou as ruas do Brasil, aos milhões, gritando “Fora Dilma”, “Fora PT” e “Lula na Cadeia”. A maior responsável pela queda do governo petista, e, por isso, alvo da ira dos aloprados de esquerda, como a filósofa Marilena Chauí.

A classe média não se convenceu da fantasia do “golpe”, ainda que rejeite o governo Temer e queira sua queda porque se tornou indigno do cargo e um estorvo para aprovação das reformas que esse segmento também defende em seu sonho de viver num país moderno, competitivo, gerador de empregos e renda e que valorize o empreendedorismo como virtude suprema.

Ou seja, com Lula e o PT fazendo uma conversão radical à esquerda, como se viu nos últimos anos, para se reconectar ao pensamento que lhes originaram, se afastam mais e mais dos valores e ideias que animam o espírito da classe média, que já busca outro candidato, de centro-direita, para substitui-los. Por isso, o líder petista ainda se mantém na liderança das pesquisas, o que, é verdade, confirma sua força política, mas não lhe dá nenhuma certeza de vitória.

O mais importante neste momento é que o Brasil supere esta crise política, fechando a boca dos histéricos, que deram agora até para invadir Mesa Diretora e farofar com “quentinha" por lá. É um clichê do que de fato representa essa gente diante da grandeza que queremos para o Brasil.

CT, Palmas, 14 de julho de 2017.

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