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Cleber Toledo
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Cleber Toledo é jornalista desde 1992, com passagens por jornais em Paraná, São Paulo e Tocantins. Fundador do Portal CT.

O índio Janot trocou ouro por espelhinho da JBS

CLEBER TOLEDO, DA REDAÇÃO 06 de Sep de 2017 - 09h43, atualizado às 13h34
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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Janot e a declaração que marca o fim de seu mandato na PGR: “Enquanto houver bambu, lá vai flecha"
Daqui do cerrado tocantino, é verdade, não temos uma visão privilegiada das entranhas das altas Cortes do Judiciário e dos órgãos de controle de Brasília. No entanto, gostaria de dar uns pitacos, como um brasileiro observador curioso que sou da política nacional. Sempre me causou estranheza a história de que um assessor especial do gabinete do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedira exoneração para trabalhar no escritório de advocacia que cuidava do acordo de leniência do grupo JBS, atolado até a medula em esquemas de corrupção. Ficava pensando: como um procurador, um cargo muito bem remunerado pelo padrão nacional, deixa todas as regalias de sua carreira, num país que só nos garante insegurança ao longo da vida? Mas, refleti, é direito dele, pode ser uma pessoa de tino empreendedor, que não se adequou à burocracia que marca o serviço público.

No entanto, com a história escabrosa que veio a público esta semana, minhas suspeitas ganharam mais força. Então, o tal procurador agora é acusado pelo ex-chefe de estar mancomunado com o grupo criminoso que já era investigado na época que ainda ocupava seu posto na Procuradoria. Ou seja, lá atrás ele já atuava como consultor dos bandidos e ajustava com eles termos da delação e sabe lá mais o quê.

Li numa coluna política que na segunda-feira, 4, Janot teve uma crise de choro após revelar o caso à presidente do STF, ministra Cármen Lúcia. Não é por menos. Ele foi enganado, e entrou na história como “inocente útil”.

Vejam: no caso da aventura no Palácio do Jaburu, do ponto de vista político, as gravações do bandido Joesley Batista são devastadoras para o presidente Michel Temer. Como a coluna já defendeu, ele perdeu todas as condições de governar o País ao receber um sujeito desse baixo quilate na residência oficial e ter tido com o marginal o tipo de diálogo que se ouviu. Ok?

Bem, mas, do ponto de vista jurídico, o que Joesley obteve de Temer é totalmente imprestável. Não gera qualquer ameaça porque o que o presidente falou fica no campo da subjetividade. Não há uma só declaração dele que soa claramente como confissão cristalina de qualquer coisa.

E a conversa com Temer seria a “cereja do bolo” oferecida por Joesley, “prova cabal” contra o presidente da República, o que justificaria dar-lhe a premiação máxima da Procuradoria. Na verdade, dessas ações desesperadas dos executivos para sobreviver se aproveita só as incriminadoras vaciladas do trapalhão e ex-assessor de Temer Rocha Loures e os flagrantes comprometedores contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG). No entanto, não valem a “licença geral para roubar” que Janot deu à JBS.

Mesmo assim, em troca desse “espelhinho" oferecido pelo grupo, o procurador-geral entregou todo o “ouro” de que dispunha: imunidade geral e irrestrita a toda a gama de bandidagem feita pelos criminosos desde o governo Lula. Um absurdo que revoltou o País. É inaceitável que essa gente saia deste caso como se nada tivesse feito.

Dessa forma, esse acordo espúrio precisa ser revisto com a máxima urgência. Ficou mais do que provado que o grupo agiu de má-fé, corrompeu pessoas à volta de Janot, aparentemente, sem que ele percebesse, e, aproveitou-se do fato de o procurador-geral, arrogante, prepotente e inocentemente, estar disparando flechas para todos os lados, enquanto tinha bambu, para usá-lo e sair ileso. Até agora deu certo.

Quero crer que o STF não vai se deixar engambelar pela cegueira do índio Janot e se comportará como se espera da grande Corte da nossa pequena taba.

CT, Palmas, 6 de setembro de 2017.

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