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Cleber Toledo
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Cleber Toledo é jornalista desde 1992, com passagens por jornais em Paraná, São Paulo e Tocantins. Fundador do Portal CT.

Carlesse aposta alto

CLEBER TOLEDO, DA REDAÇÃO 11 de Oct de 2017 - 08h58, atualizado às 09h03
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Foto: Sílvio Santos/Dicom AL
Presidente Mauro Carlesse, que precisa agora decidir se recebe ou não o pedido de impeachment do governador Marcelo Miranda
Com a divulgação do rito do processo de impeachment do governador Marcelo Miranda (PMDB), o presidente da Assembleia, deputado Mauro Carlesse (PHS), agora precisa decidir se realmente vai recebê-lo para que a matéria comece a tramitar. Se sim, será, então, formada a comissão especial, que definirá o relator. Aí não haverá volta, o processo não para mais e Carlesse terá feito uma aposta bem alta.

Se o relator se embrenhar pela continuidade do processo, o parecer tem que ser aprovado na comissão especial, e, depois, seguir para votação em plenário. Lá a admissibilidade do impeachment terá que contar com os votos favoráveis de 16 dos 24 deputados estaduais, uma vez que a exigência é de quórum qualificado. Se o grupo de Carlesse conseguir esse placar, Marcelo é afastado e a vice-governadora Cláudia Lelis (PV) assumirá.

Na sequência, se formará o Tribunal de Julgamento, com cinco desembargadores e cinco deputados, a quem caberá decidir o destino do governador.

O desafio de Carlesse está justamente nos 16 votos da primeira etapa do processo. Marcelo conta hoje, com segurança, com sete deputados em sua base extremamente reduzida. Além deles, os palacianos asseguram que Eduardo Siqueira Campos (DEM), Paulo Mourão (PT) e José Bonifácio (PR) não votam pelo impeachment. Com isso, o número de votos contrários ao processo chegaria a 10. Se isso se confirmar, os favoráveis ao afastamento do governador seriam 14, dois a menos que o quórum mínimo necessário.

Deputados ouvidos pela coluna apontaram outro elemento nesse enredo de suspense: a ação do Palácio para barrar o impeachment. Isso significa que seriam colocados cargos à disposição dos aliados e liberados fartos volumes de emendas parlamentares, aqueles recursos do contribuinte que bancam shows e eventos diversos por todo o Estado para agradar os prefeitos. Dessa forma, o governo poderia desidratar bastante o grupo de Carlesse.

Ou seja, além de não conseguir aprovar o impeachment, o presidente da AL corre o sério risco de ver seu grupo sair menor do que entrou nesse processo. O desgaste seria enorme para quem tenta consolidar uma pré-candidatura a governador.

Outro efeito colateral do impeachment pode ser um consequente fortalecimento da base de sustentação do governador Marcelo Miranda. Este mais incisivo confronto com o Palácio é capaz de facilitar a vida do governador, que vinha resistindo a depurar seu grupo na AL, com a exoneração de centenas de comissionados e contratados indicados pelos deputados. Com este ataque direto do Legislativo, Marcelo fica mais à vontade para agir, discriminando de forma inequívoca quem são os seus e aqueles que fazem oposição a seu governo.

Essa purgação já começou pelo deputado Ricardo Ayres (PSB), que teve indicados exonerados há cerca de 15 dias. Conforme fontes palacianas importantes, já estão definidos os dois próximos parlamentares da fila que verão seus cabos eleitorais deixarem a administração. O ritmo dessa depuração, dizem, pode se intensificar significativamente, a depender do que ocorrerá a partir de agora. A menos de um ano das eleições, isso é um problema sério para os deputados, que se desgastam com sua base.

Na semana passada, Marcelo se reuniu com seus sete deputados. Alguns deles disseram nunca ter visto o governador tão furioso com a AL e, principalmente, se mostrando tão disposto a ir para o enfrentamento, contrariando seu temperamento sempre pacífico.

Assim, se Carlesse receber o pedido de impeachment, poderá acelerar a limpeza que o governador está sendo estimulado a fazer em sua base e, com o risco elevado de não ter os 16 votos, o processo seria definitivamente arquivado, deixando ao presidente apenas o desgaste de um cálculo político mal feito.

Ou não. O presidente do Legislativo, de repente, tem a garantia dos votos necessários para aprovar o impeachment de Marcelo e, com isso, mostrar força e se consolidar para o processo sucessório de 2018.

As cartas estão na mesa, e a sorte já foi lançada. Todos esperam agora Carlesse dizer se realmente aposta ou se passa.

CT, Palmas, 11 de outubro de 2017.

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