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Cleber Toledo
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Cleber Toledo é jornalista desde 1992, com passagens por jornais em Paraná, São Paulo e Tocantins. Fundador do Portal CT.

Os possíveis e imagináveis cenários de 2018

CLEBER TOLEDO, DA REDAÇÃO 30 de Nov de 2017 - 11h05, atualizado às 12h01
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Foto: Montagem CT
Com as pré-campanhas nas ruas, variam as possibilidades de cenários com os principais nomes da disputa de 2018
Na segunda-feira, 4, às 10 horas, o prefeito de Araguaína, Ronaldo Dimas, estará anunciando que aceita o convite de seu partido, o PR, para se colocar na corrida sucessória pelo Palácio Araguaia. Não consolida a presença dele na disputa, o que só a convenção de julho poderá fazer, mas, a partir desta decisão inicial, começará a construir sua pré-candidatura. Se as pré-campanhas ganham um nome de peso e o debate se torna mais qualificado, também complica o tabuleiro para os adversários.

Uma disputa entre o prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PSB), e Dimas fecharia as portas para quase todos os demais candidatos. Pela força que podem aglutinar em torno de si, os dois jogariam os demais concorrentes ao papel de meros coadjuvantes.

O único que poderia construir uma campanha para se contrapor é o governador Marcelo Miranda (PMDB), como foi dito na coluna dessa quarta-feira, 28, pela força da máquina, que tem o poder de desequilibrar qualquer disputa num Estado de elevadas carências como o Tocantins. Marcelo chegaria ao segundo turno contra um dos dois ou seria capaz de vencer a disputa? São exercícios futurológicos tão impossíveis quanto eu tentar, com meu padrão plus size, uma complexa e maleável posição do yoga. Mas é certo que atrapalharia de ambos os lados.

O melhor cenário para Marcelo é aquele em que menos aposto que ocorra, ainda que possa ser surpreendido: com pelo menos quatro candidatos competitivos. Além do governador, viriam Dimas, Amastha e Kátia Abreu (sem partido). Também poderiam se arriscar Ataídes Oliveira (PSDB), Paulo Mourão (PT), Mauro Carlesse (PHS) e Márlon Reis (Rede). Seria o céu para o peemedebista, porque essa extrema fragmentação do eleitorado é mais do que interessante para ele, é o desejável.

Contudo, vejo como improvável um leque tão grande de candidatos. Uma possibilidade é um dos prefeitos recuar. Teríamos, por exemplo, Amastha ou Dimas, Marcelo e Kátia. A vantagem do pessebista ou republicano seria grande, mas, repito, o peso da máquina poderia levar o governador a um segundo turno.

Um outro cenário que também considero pouco provável — reforço: ainda que possa ocorrer — é com a desistência dos dois prefeitos. Aí teríamos Marcelo e Kátia. Creio que, novamente, a estrutura de governo mais o momento político não favoreceriam a senadora. Contudo, poderia abrir um amplo corredor para uma terceira via se destacar: Ataídes, Mourão, Carlesse ou Márlon.

Lógico que essas meras especulações, baseadas em puro empirismo, não têm qualquer significância científica. Apenas servem para mostrar como os cenários são flexíveis e o quanto que falta para o amadurecimento do contexto eleitoral de 2018. Ainda que hoje essas projeções já possam ser feitas — seriam mais inexatas há um, dois ou três meses.

Também é preciso admitir que o senador Ataídes, Mourão, Carlesse ou Marlon Reis possam surpreender como Amastha em 2012. De repente, em qualquer desses cenários, explodam e aí ninguém mais segura.

Esses modelos especulativos não consideram o mais importante numa eleição majoritária: a composição de forças. É isso que decide uma disputa, não rostos simpáticos ou discursos bem articulados. Nesse aspecto, Dimas, por exemplo, mesmo que seja um nome querido da política tradicional, não conseguirá aglutinar toda a “velha guarda” à sua volta. Em qualquer contexto, perderá lideranças, que se deslocarão e fortalecerão outro nome. Pode ser Amastha, Kátia ou Marcelo.

O araguainense, na verdade, terá enorme dor de cabeça na majoritária. Se ficar com Vicentinho Alves (PR) e Siqueira Campos (DEM) para o Senado, perderá o deputado federal César Halum (PRB), que não abre mão de subir mais um patamar da escada. Com Kátia, Halum diz que não vai. Então, iria com Marcelo ou Amastha, considerando o cenário improvável com toda a "torcida do Flamengo" se candidatando? O PP, do deputado federal Lázaro Botelho, aliado siamês do PRB, vai junto com Halum ou Dimas o convence a permanecer ao seu lado? O ex-deputado federal Eduardo Gomes (SD) também está de olho em uma vaga de senador. E como fica?

Como se vê não é uma questão meramente personalista, que se apoie única e exclusivamente no carisma ou nos potenciais de gestão do candidato. É uma construção de força eleitoral, um somatório do pessoal multiplicado infinitamente pelo poder do grupo que se agregará ao projeto.

De toda forma, os cenários ilustrativos servem para reflexão. Que cada um faça as suas projeções, afinal, o processo sucessório já está nas ruas.

CT, Palmas, 30 de novembro de 2017.

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