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Cleber Toledo
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Cleber Toledo é jornalista desde 1992, com passagens por jornais em Paraná, São Paulo e Tocantins. Fundador do Portal CT.

“Nova" e “velha" política: prós e contras

CLEBER TOLEDO, DA REDAÇÃO 07 de Dec de 2017 - 06h36, atualizado às 06h51
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Foto: Montagem CT
Pela "nova" política, Amastha é o adversário dos grupos tradicionais do Tocantins, que têm como principais opções Ronaldo Dimas e Marcelo Marcelo Miranda
As principais pré-candidaturas a governador colocadas se dividem em dois grupos: a “nova” política, como se autodefine o prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PSB), e a “velha” política — para continuar usando um rótulo amasthista —, composta pelo governador Marcelo Miranda (PMDB), pelo prefeito de Araguaína, Ronaldo Dimas (PR), e pela senadora Kátia Abreu (sem partido).

Com a disposição de Dimas de enfrentar o desafio, perde ainda mais força o nome de Kátia, uma pré-candidatura que, como a coluna destrinchou nessa quarta-feira, 6, vem se esvaindo há meses, e ainda existe o perfil desagregador da parlamentar, quando o momento exige união de forças pelo interesse comum, ou seja, abater Amastha. Se a presença do prefeito de Araguaína torna muito difícil a viabilização de Kátia em 2018, o republicano, então, vai disputar espaço na política tradicional com Marcelo. Quem demonstrar maior competitividade até abril tende a ficar com o apoio dos líderes anti-Amastha.

A “velha” política agrupa os membros da finada União do Tocantins e os marcelistas, duas correntes que travaram a maior batalha da história eleitoral recente do Estado, em 2006. Hoje encontraram um adversário comum, e o sentimento que se viu no lançamento da pré-candidatura de Dimas na segunda-feira, 4, é de unidade geral contra aquele considerado um alienígena pelo Poder tradicional do Tocantins.

Mas quais são armas de cada lado? A velha guarda aposta na elevada influência que possui na maior parte dos colégios interioranos e na falta de capilaridade de Amastha. Neste momento, Dimas leva vantagem sobre Marcelo para ser o representante dos tradicionais. Primeiro porque tem o mesmo perfil do líder da Capital, como empresário bem-sucedido e responsável por uma gestão bem avaliada. Além disso, já afirmou para quem interessar possa que é pré-candidato. O governador ainda não se manifestou sobre a reeleição.

Assim, a “velha” política procura um perfil semelhante para anular as vantagens competitivas de Amastha e acredita que sua influência na decisão do voto canalizará o eleitor interiorano para a campanha que patrocina.

Já Amastha joga com o oposto. Para o prefeito da Capital, sua pré-candidatura se tornou ainda mais forte quando toda a velha guarda se juntou contra ela. O pessebista discursa para a torcida, arriscando tudo no sentimento de repúdio à classe política e na vontade de mudança.

O prefeito de Palmas defende que haverá em 2018 uma reprise de suas vitórias de 2012 e 2016, quando derrubou as candidaturas apoiadas pelos velhos caciques tocantinenses.

Contudo, a coluna insiste num ponto que já abordou algumas vezes: é preciso considerar que o eleitorado de Palmas e dos principais centros urbanos é muito diferente daquele do interior mais profundo do Tocantins.

De toda forma, é inegável que o discurso de Amastha é atrativo. Só não dá para avaliar se realmente vai penetrar a redoma em que os políticos tradicionais garantem segurar seus eleitores.

Um ponto importante é a forma como as pré-candidaturas serão conduzidas pela velha guarda até abril, prazo final para mudança de partido e para a renúncia dos mandatários, no caso, os prefeitos pré-candidatos. Dimas, Marcelo e Kátia têm o desafio de conquistar musculatura sem ferir os concorrentes dentro do segmento tradicional. Isso porque quem viabilizar o nome vai precisar de toda força para encarar Amastha. Quanto mais esse grupo se fragmentar melhor para o pessebista. Nesse aspecto, a senadora também já começa perdendo com seu perfil desagregador. Vem atacando ferozmente o governador e cutucou o prefeito de Araguaína nas redes sociais um dia após ele anunciar que estava na corrida sucessória, coisa que nem o prefeito de Palmas, alvo prioritário de todo este movimento, fez.

Mesmo com Kátia enfraquecida, com esse temperamento complicado e somando pouquíssimas chances de consolidar uma candidatura competitiva, não pode ser descartada simplesmente. Ela deve ter na manga três partidos com bons tempos de TV e fundo eleitoral para negociar — o PSD, possivelmente o PT e aquele em que vir a se filiar.

Marcelo enfrenta o desgaste do governo e a crise brutal que se abate sobre o Estado. Porém, a máquina é um recurso imprescindível para as disputas de 2018, ainda que, claro, indiretamente. Só a presença do Estado nas cidades tem um peso descomunal, numa época em que haverá a campanha mais pé no chão dos últimos anos, de total escassez de recursos — lembrando que existirá um teto baixo para limitar os gastos, que terão quer ser pagos com o fundo eleitoral e por doações de pessoas físicas ou com os recursos do próprio candidato, até a demarcação fixada em lei. Assim, o governador, dentro ou fora da disputa pelo Palácio Araguaia, terá um peso enorme em todo o processo.

Se Dimas é o favorito, também é verdade que sua pré-candidatura está longe de se consolidar. Dependerá das condições que conseguirá criar para a prefeitura até abril, do projeto para o Estado que vai apresentar a seus companheiros — todos têm interesses, e os mais diversos —, e de como aglutinará as diferentes forças em sua chapa — PP, PRB e PPS, por exemplo, já se uniram para se blindar e ter mais corpo para a disputa por espaço, o que significa estar na majoritária, que pode ser do republicano, de Marcelo e até de Amastha - o pré-candidato a senador César Halum (PRB) tem dito que não vai para o palanque de Kátia.

Outro aspecto importante a considerar é que líderes da “velha" política podem ficar de cara virada com o prefeito de Palmas até ele aderir ao modus operandi que marcam todas as eleições. Se isso ocorrer — o que Amastha garante que não vai —, poderá tirar muitos nomes dos tradicionais. De toda forma, o pessebista se reúne com frequência com políticos históricos, por enquanto, tentando convencê-los a aderir a seu projeto.

Os contatos serão intensificados a partir de 10 de janeiro, quando Amastha se afastará da prefeitura para assumir a presidência da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e reservará de sexta a segunda-feira para viajar pelo interior com seu mambembe pré-eleitoral, cabulando apoios à sua pré-candidatura.

Esses são os principais pontos que os “velhos" e os “novos" terão que manejar nos próximos meses. Quem tiver maior capacidade de aglutinar e de convencer construirá o projeto mais competitivo e poderá ganhar as primárias e o direito de pedir o voto do eleitor de agosto a outubro.

Até lá, muita coisa deve acontecer, inclusive o imponderável, o imprevisível e o impensável. Aí todas essas linhas poderão perder significado. Afinal, a política é como as nuvens, etc., etc.

Palmas, 7 de dezembro de 2017.

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