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Luteranos e católicos em paz?

RAIMUNDA CARVALHO, DA REDAÇÃO 14 de Jul de 2017 - 08h26, atualizado às 09h05
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WOLFGANG TESKE
É jornalista, teólogo e professor universitário em Palmas
email: [email protected]
No dia 31 de outubro de outubro de 2016 iniciam as comemorações dos 500 anos da Reforma Protestante, na cidade de Lund, Suécia, com a presença do Papa Francisco, do presidente da Federação Luterana Mundial Bispo Munib A. Youman e do Secretário-geral Rev. Martin Junge. As cerimônias conjuntas ocorrerão em dois locais, inicialmente na Catedral da cidade e depois na cidade vizinha, na Arena de Malmö.

Esta celebração é inédita e passa a ser um marco em âmbito mundial, e, diga-se de passagem, está gerando controvérsias e alguns conflitos entre luteranos e católicos de vários países. Entretanto, é bom ressaltar que o objetivo maior deste encontro do Papa Francisco com a Federação Luterana Mundial representa um enorme passo na construção de um diálogo construtivo e ecumênico entre os mais de 72 milhões de cristãos luteranos de 98 países, e cristãos católicos com cerca de 1,3 bilhão de pessoas no mundo.

Para que se entenda melhor o que está ocorrendo é necessário conhecer o fato
                                    Logomarca do evento
histórico da gênese do luteranismo e associada às palavras do Papa Francisco.

No dia 31 de outubro de 1517, o monge da Ordem dos Agostinianos, Martin Luther, ou Martinho Lutero, doutor em teologia, profundo conhecedor da filosofia grega e da história da igreja cristã, publicou e afixou 95 teses na porta da igreja de Wittenberg, na Alemanha. Neste documento denunciava os desvios da Igreja do seu tempo, contestava veementemente e negava a prática oficial da igreja, que era a venda de indulgências, o que significava auferir o perdão de pecados mediante pagamentos em dinheiro.

                                Dieta de Worms - julgamento
Este ato, no século XVI, representa uma ruptura de Lutero com a Igreja Católica Romana. Para Lutero, a salvação não poderia ser alcançada pelas boas obras ou por quaisquer méritos humanos, mas tão somente pela fé em Jesus Cristo, conforme descrito no livro de Romanos, na Bíblia, e obtida unicamente por graça divina. Isso gerou a base da teologia luterana conhecida como sola fide - só pela fé, sola gracia - só pela graça, e sola scriptura - somente pela escritura.

Como Lutero recusou a retratar-se, tanto pelas suas atitudes e, principalmente, por tudo o que tinha escrito e publicado, o Papa Leão X o excomungou da Igreja Romana, no dia 3 de janeiro de 1521 e, em seguida solicitou ao imperador do Sacro Império Romano Germânico Carlos V que ele fosse julgado perante a lei civil. Para não se indispor com o papado, o imperador realizou o julgamento, e no dia 25 de maio de 1521, Martinho Lutero foi condenado e declarado fugitivo e herege. Isto também significava que qualquer pessoa poderia matar o reformador sem temer o Império e nem a Igreja.

Agora, faltando um ano para se completarem os 500 anos deste evento histórico, ao
                                  Papa Francisco 
iniciarem as celebrações, o Papa Francisco e os luteranos se unem em torno de um lema: "Do conflito para a Comunhão - Juntos na esperança". O Papa Francisco declarou que: "Acredito que as intenções de Lutero não tenham sido erradas, era um reformador, [...] ele protestou, era inteligente e deu um passo adiante justificando o porquê o fazia. Vemos que a Igreja não era precisamente um modelo a imitar: havia corrupção, mundanismo, apego à riqueza e ao poder. Hoje, protestantes e católicos estamos de acordo com a doutrina da justificação".

Não tenho dúvidas, de que este é um dos caminhos na construção da paz.

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