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Advogada diz que mãe de Danielle não aceitou presença de ex-marido no velório e que ele estaria sendo ameaçado

Defesa defende decisão do juiz de soltar médico e diz que suspeito de ter matado a professora não teve regalias

Da Redação 23 de Dec de 2017 - 02h55, atualizado às 09h25
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Reprodução/Facebook
Advogada de Álvaro Siva: "É um absurdo duvidarem da idoneidade desse juiz, que é muito sério, ético, respeitado, honrado"
Em entrevista ao CT nesta sexta-feira, 22, a advogada do médico Álvaro Silva, que não quis se identificar, defendeu a decisão do juiz Edimar de Paula que liberou da prisão o ex-marido da professora Danielle Grohs. Denunciado por agressão, Silva foi solto no domingo, 17, e na segunda-feira, 18, sua ex-companheira foi encontrada morta. Durante a entrevista, a defesa afirmou que as acusações podem gerar processos e rebateu declarações do advogado da vítima, Edson Ferreira Alecrim: "Tudo mentira".

No sábado, 16, Danielle registrou boletim de ocorrência por agressão. O ex-marido chegou a ser detido e passou a noite na prisão. Após audiência de custódia, no dia seguinte, ele foi liberado, conforme Alecrim, apesar do Ministério Público e do delegado do caso pedirem para mantê-lo detido.

O magistrado considerou o fato do médico não ter antecedentes criminais e não "representar ameaça" e o liberou sem pagamento de fiança. A União Brasileira de Mulheres no Tocantins (UBM/TO) e a mãe da vítima, Simara Lustosa, contestaram a decisão. Para a entidade, a atitude da Justiça "culminou no assassinato da professora".

"É um absurdo duvidarem da idoneidade desse juiz, que é muito sério, ético, respeitado, honrado. O doutor Álvaro está muito sentido com isso, pois não tem vínculo nenhum com ele, não tem amizade e na audiência ele tratou meu cliente igual, ou pior, porque os outros nem algemados estavam", rebateu a advogada.

A defesa alega que o juiz observou requisitos estabelecidos em lei e o ex-marido de Danielle se encaixava em todos. "Ele foi bastante severo ao dizer que ia conceder a medida cautelar, mas que ele não se aproximasse da casa dela até resolver todo processo", argumentou.

Na audiência de custódia, de acordo com a defesa, em momento algum o médico teve "regalias". "Ele chegou algemado nos pés e nas mãos e ficou a audiência toda com os pés algemados. Ele foi tratado como preso comum e não teve nenhum privilégio", reforçou. A advogada destacou ainda que Silva não foi o único a obter o alvará de soltura. "O juiz não liberou apenas presos que já tinham condenação. Todos os outros ele liberou".

Sobre as agressões que ocasionaram a prisão, Silva alegou que foi apenas uma discussão e que somente teria tomado o celular da mão de Danielle para ver uma mensagem. "Ele tinha ciúme dela", contou a advogada. "Como existia a medida protetiva ela chamou a polícia que foram para tirar ele da casa e ele resistiu", disse, negando também a suposta agressão ao policial, apontada por Edson Alecrim.

Para a defesa, o médico "está sendo acusado de um crime que ele tem como provar que não cometeu, porque não estava em Palmas", afirmou a advogada, rebatendo a informação de que Silva teria saído da casa da vítima na segunda-feira, de manhã.

"Ele saiu da prisão para uma chácara de amigos fora de Palmas. O que o pessoal que estava com ele tem a dizer já descarta qualquer possibilidade que ele tenha sido o autor desse crime, porque da chácara, no outro dia, ele foi direto para o aeroporto de Uber e embarcou às 7 horas".

Celular monitorado
Durante a entrevista, a advogada contestou ainda a declaração da mãe da vítima, Simara Lustosa, ao CT, de que o médico teria enviado mensagens por meio de uma rede social ironizando a causa da morte de Danielle. "É o contrário. A mãe dela é que está perturbando a vida dele. Mandou fotos dela no caixão. Ele realmente pediu para participar do velório, ela não aceitou. Ele pediu para mandar uma corou de flores ela pensou que isso fosse uma ironia".

A defensora também questionou a afirmação da mãe de que não havia impressões digitais no corpo da Danielle. "Como ela pode afirmar que não ficou digitais no pescoço da filha dela? Porque o laudo não saiu. Ela está tendo informações privilegiadas?", indagou, enfatizando que é preciso esperar o resultado do laudo.

Conforme contou a advogada, para levantar elementos, o celular de Silva agora se encontra sob custódia da equipe de defesa. Ela afirma que o médico estaria sendo "ameaçado pelo irmão e primos" da ex-companheira. "Nós estamos monitorando o tempo todo já para colocar no processo."

Relacionamento "conturbado"
Apesar de negar as denúncias de agressão, a advogada confirmou que o relacionamento de Álvaro e Danielle era "conturbado". Segundo ela, eles estavam com processo de separação em andamento, mas haviam reatado há poucos dias e no dia 6 de dezembro chegaram a fazer uma declaração de união estável.

"No dia do acontecimento ele não invadiu a casa. Ele já estava morando lá porque ela falou que já tinha revogado a medida protetiva. Ela que foi atrás querendo voltar. Tudo questão de bens materiais porque ele pagava pensão pra ela de 30% do salário dele e morava na casa que era dos dois, enquanto Álvaro pagava aluguel".

De acordo com a defesa, desde o início do ano os dois descumpriam a medida protetiva que a Justiça estipulou e, por isso, foi pedida a anulação da mesma. ''Nesse tempo que eles estavam separados ele chegou a casar com outra mulher, mas ela perturbava, ia na casa dele, no serviço dele. Ela não dava sossego", apontou ressaltando que eles tinham uma "vinculação" forte. "Ele está sofrendo muito".

Apresentação à Justiça
Segundo a advogada, o médico, que é considerado foragido pela Justiça, pois teve a prisão decretada, vai se apresentar no momento "oportuno". "A gente está trabalhando a linha de defesa dele, buscando elementos e ele irá se apresentar", disse, ressaltando que ele não fugiu. "Ele saiu do Estado porque já estaria com a viagem marcada".

Para a defesa, Danielle pode ter sido vítima de uma de suas "inimizades". "Álvaro disse que ela ela fazia parte daquela seita do santo daime e tinha várias inimizades", apontou. "Estão condenando o doutor Álvaro desse crime bárbaro sem o devido processo legal, mas a quebra do sigilo telefônico, que já foi autorizado pela Justiça, vai revelar muita coisa", finalizou a defesa.

Entenda
A professora da rede municipal de ensino de Palmas foi encontrada morta no início da noite desta segunda-feira, 18, em sua residência, que fica na Quadra 1.104 Sul, com indícios de estrangulamento.

A suspeita da polícia é que a docente tenha sido vítima de homicídio pelo próprio ex-marido (feminicídio), já que ele a teria ameaçado e respondia a processos por violência doméstica.

Simara Lustosa, mãe da professora, contou ao CT que o relacionamento do casal era "tumultuado". Ela não apontou o médico como assassino, mas revelou que ele tinha o comportamento "extremamente agressivo" e de "psicopata": "Danielle dizia que tinha medo dele".

Para a mãe de Danielle, o crime foi premeditado e o assassino é uma pessoa próxima, que conhecia os animais e tinha as chaves da casa. Apesar de não acusar o ex-marido de Danielle, Simara afirmou que a Polícia e a Justiça falharam em relação a medida protetiva de sua filha.

Também em entrevista ao portal, o advogado da vítima relatou que outras pessoas já haviam sofrido agressão e ameaças de Silva, inclusive ele. Para ele, todos os fatos "leva a crer" que o médico é o autor do crime.

O corpo de Danielle foi velado em Palmas nesta terça-feira, 19, e seguiu para Rio Negro, que fica no Paraná, cidade natal da professora, onde foi sepultado na tarde desta quinta-feira, 21.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontando a causa da morte deve sair em até 10 dias.

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