ct nov blue

Oposição, Iunes diz que Faet não tem laços fortes com a base e defende: "Está na hora de mudar"

Diretor do Sindicato dos Produtores Rurais de Araguaína entende que com a mudança do estatuto poderá fazer o “desaparelhamento político” da entidade

LUÍS GOMES, DA REDAÇÃO 11 de Aug de 2017 - 11h17, atualizado às 12h09
Compartilhe
Foto: Divulgação
Nasser sobre Kátia: "Ela sempre foi uma criatura midiática, mas os projetos que inicia poucos dão o resultado esperado”

Diretor do Sindicato dos Produtores Rurais de Araguaína (SRA), o líder ruralista Nasser Iunes foi o escolhido da oposição para disputar a presidência da Federação da Agricultura e Pecuária do Tocantins (Faet) com a senadora Kátia Abreu (PMDB), que busca a reeleição mesmo depois de ter dito que não seria candidata. O agropecuarista araguainense conversou com o CT nesta sexta-feira, 11, e apresentou as principais propostas da oposição, destacando em especial a intenção de fazer o “desaparelhamento político” da entidade. A eleição acontece no dia 20 de outubro.

“Nossas principais propostas são o fortalecimento dos sindicatos, aproximação da classe produtora, melhor representação. Nós temos também a intenção de fazer o desaparelhamento político da federação”, resumiu Nasser Iunes, destacando que, desde 1997, Kátia Abreu só esteve fora da entidade por um mandato. “Praticamente sempre sobre o domínio dela [a Faet]. Acho que está na hora de a gente começar a mudar um pouco”, afirmou o agropecuarista, que ainda citou entre os projetos o aperfeiçoamento da interlocução e do atendimento dos produtores.

O araguainense criticou a não instalação das comissões técnicas da Faet, um dos pontos que alega ter permitido o afastamento da entidade da realidade dos produtores. Nasser Iunes cita a Associação dos Produtores de Soja do Tocantins (Aprosoja) como resultado desta falta de diálogo na administração da senadora. “O fortalecimento da Aprosoja vem de um vácuo deixado pela federação, porque não atua com fortes laços nas suas bases e nos reais problemas dos agricultores, principalmente de soja”, disse o candidato da oposição.

A chapa “Casa de Produtores” também propõe a capacitação dos dirigentes sindicais, realização de encontros regionais e estaduais visando a integração dos sindicatos, abrir a participação para a formulação das políticas e ações da classe, criação de feiras de negócios nos polos regionais; e melhorar a relação com parlamentares, instituições e governo. Mas um dos principais pontos é realmente o desaparelhamento. Nasser Iunes quer, por exemplo, uma reforma estatutária para acabar com o vínculo político-partidário, estabelecendo o fim da reeleição do presidente e renúncia obrigatórios aos que disputarem as eleições.

Outra preocupação elencada pelo candidato da chapa “Casa de Produtores” foi quanto à contribuição sindical, que com a reforma trabalhista deixou de ser obrigatória. Nasser Iunes fala que alguns Sindicatos Rurais já têm independência por prestar serviços, realizar feiras agropecuárias e ter uma profissionalização maior; mas pondera que outras entidades não tem esta força. “Teremos que fazer uma reinvenção. Encontrar caminhos de sustentabilidade e de aproximação com o produtor”, propôs.

Criatura midiática
Sobre a mudança de postura de Kátia Abreu, que chegou a manifestar publicamente que não seria candidata, mas acabando por lançar-se a reeleição, Nasser Iunes afirma que “o que vale” no sindicato é o pensamento da senadora. “O máximo que ela faz é comunicar ou tentar convencer os mais próximos para que tenham uma postura pró à atitude dela. O projeto dela é maior, é um projeto político”, comentou o candidato de oposição, que garantiu conhecer o estilo da peemedebista por ter convivido “alguns anos” com a agora adversária.

A senadora também foi alvo de críticas de Nasser Iunes também por “não apresentar proposta nenhuma”. “Ela sempre foi uma criatura midiática. Faz eventos, aparece na mídia, mas os projetos que inicia poucos dão o resultado esperado”, comenta. O produtor cita como exemplo o Encontro das Rosas do Campo, que acontece nesta sexta-feira, 11, no Bico do Papagaio. “Nada contra a exposição da nossa companheira, mas ela está realizando um seminário onde você vê que é pura auto-promoção”. A participação de Kátia Abreu no evento se dará por meio da palestra “Uma História de Luta”.

Nasser Iunes negou que sua candidatura tem o apoio do Palácio Araguaia, conforme sugerido pela adversária na eleição. “Se não me engano ela se referiu à liberação de emendas. Bom, não sou governo e não posso falar sobre isso. O que sei é que as emendas são dos deputados estaduais e foram feitos os compromissos com os presidentes dos sindicatos. Não tenho nenhum tipo de relação desta forma”, disse o agropecuarista, que aproveitou para alfinetar Kátia. “Ela está alegando isso, muitas vezes, porque utilizaria desses métodos se estivesse no meu lugar”, afirmou.

Nasser Iunes admite alguns avanços da administração de Kátia Abreu, mas volta a condenar o “aparelhamento político”. “Não tenho nada para falar a respeito da pessoa dela. Ela já contribuiu, contribui e pode continuar contribuindo, principalmente fora da federação. Ela e também os assessores que têm projetos políticos. Podem nos ajudar, mas fora de lá. O meu compromisso é que vamos transformar, através de mudanças estatutárias, a realidade da federação”, finalizou. 
 

Comentários

Redação: Palmas, Tocantins, Brasil, +55 (63) 9 9219.5340, +55 (63) 9 9216.9026, [email protected]
2005 - 2017 © Cleber Toledo • Política com credibilidade
ArtemSite Agência Digital