CLEBER TOLEDO
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Esqueceram de perguntar ao povo

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Esqueceram de perguntar ao povo
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Quando optei pelos caminhos da literatura, fiz um propósito de não me imiscuir no campo da política, mas quando um dia fomos apaixonados por determinada causa e sendo político todo ser humano, determinados momentos nos instiga pelo menos a observar o quadro que se nos apresenta, nos provocando a dar palpites e mesmo porque sempre acreditei que tudo pode ser renovado, bastando para tal, estarmos atentos às oportunidades de mudanças que se nos apresentam no dia a dia. E com a política não é diferente. Se não bastasse a estarrecedora reportagem que assisti há poucos dias pela TV sobre a corrupção no nosso Tocantins.

Algo surreal, quase inacreditável.

Para infelicidade do Estado, com a cassação, mais uma vez, de um Governador do Tocantins (e não “de Tocantins”, como muitos insistem em afirmar) e mais triste ainda, por tratar-se do mesmo político, abre-se, como nunca, uma oportunidade de direcionarmos nosso Estado, através do voto, para os trilhos do progresso, sem as amarras dos interesses pessoais ou de grupos, como tem sido até os dias de hoje.

O nosso povo está cansado e clama por mudanças. Chega dos mesmos em determinados postos de comando e da política. Chega da mesmice imbecil que ludibria um povo simples e de boa fé. Chega de oportunistas despreparados para nos comandar. É preciso dar um basta na prática da velha política de grupos e conchavos. Chega de ilusões

JOSÉ CÂNDIDO PÓVOA É poeta, escritor e advogado

Cabe aqui, mais uma vez, parafrasear Clarice Lispector, uma das mais enigmáticas e sábias escritoras do Brasil, que diria, com certeza, ao nosso povo: “Nunca ouvi tanta bobagem séria e irremediável como nos períodos que antecedem as eleições. Gente cheia de certezas e julgamentos, de vida vazia e entupida de prazeres sociais, futilidades e vaidades pessoais. É evidente que precisamos conhecer as verdadeiras pessoas embaixo disso tudo. Mas por mais protetor dos animais que sejamos, a tarefa se torna praticamente impossível”

Ou, ainda, relembrarmos as palavras de Lucas, que antes de Apóstolo era médico, poliglota e sábio, que nos alerta em outras palavras, de que sempre existe um sentido maior escondido pelo véu do discurso. Inteligente é quem sabe ler para além das palavras. Inteligência significa ler o que está dentro, o que está no mais profundo. Nosso mundo vive das aparências, da retórica, do discurso e do grito, do berro. A sabedoria é bem diferente, entende o que não é dito, compreende o que não é falado, compreende o que não é fruto de um grito, lê o que não se escreve.

É muito triste constatar que o Tocantins se enveredou por descaminhos que contrariam a máxima que aprendi na Faculdade de Direito: Para se lutar por determinada causa, não importando a sua dimensão, necessário se faz que a conheçamos e por ela nos apaixonemos, pois só assim o sucesso é garantido. E no caso do nosso Estado, poucos assim procederam.

O nosso povo está cansado e clama por mudanças. Chega dos mesmos em determinados postos de comando e da política. Chega da mesmice imbecil que ludibria um povo simples e de boa fé. Chega de oportunistas despreparados para nos comandar. É preciso dar um basta na prática da velha política de grupos e conchavos. Chega de ilusões.

O Judiciário vem fazendo sua parte implementando a cultura da limpeza moral através de ações como a lava jato e da Lei da ficha limpa, cujos tentáculos já alcançaram o nosso Estado e por certo se encarregará de alijar da vida política aqueles que se locupletaram com o dinheiro suado de uma gente pobre. Cabe ao nosso povo, agora, através do voto livre e independente, complementar a tarefa de nos livrarmos, para todo sempre. dos interesseiros e oportunistas, em especial daqueles que nada produziram, produzem ou jamais produzirão em benefício do coletivo.

Chegou a hora de escolhermos alguém que tenha sangue Tocantinense correndo nas veias, embora, só isso não baste, necessário que seja alguém desatrelado de grupos ou interesses pessoais, como ocorre com muitos por aí, mas que sonhe e acredite nos ideais de ver um povo livre das amarras da política sem escrúpulos, ou daqueles que tentam implementar feudos familiares.

Há, ainda, os que afirmam que sem se aliar a determinado grupo ou corrente partidária, a pessoa não tem chances de chegar ao poder. Penso diferente. Os tempos mudaram, a política evoluiu, o mundo se globalizou e escancarou a vida de todos nós. Basta que analisemos a vida de cada um e suas ligações.

Cabe aqui, ainda, um texto de Emmanuel que nos ensina:…(…) Há que levantar os olhos e devassar as zonas mais altas. É preciso cogitar da colheita de valores novos, atendendo ao nosso próprio celeiro. Não se resume a vida a fenômenos de nutrição, nem simplesmente à continuidade da espécie. Laborioso serviço de iluminação espiritual requisita o homem.

…Verdades eternas proclamam que a felicidade não é um mito que a vida não constitui apenas o curto período de manifestações carnais na Terra, que a paz é tesouro dos filhos de Deus, que a grandeza Divina é a maravilhosa destinação das criaturas; no entanto, para receber tão altos dons é indispensável erguer os olhos, elevar o entendimento e santificar os raciocínios. É indispensável alçar a lâmpada sublime da fé, acima das sombras. Irmão muito amado, que te conservas sob a Divina árvore da vida, não te deixes tão somente nos frutos da oportunidade perdida que deixaste apodrecer ao abandono…Não te encarceres no campo inferior, a contemplar tristezas, fracassos, desenganos. Olha para o alto! Repara as frondes imortais balouçando-se ao sopro da Providência Divina! Dá-te aos labores da ceifa e observa que se as raízes ainda se demoram presas ao solo, os ramos viridentes, cheios de frutos substanciosos avançam no infinito, na direção dos céus…

Novas opções se apresentam e estão postas dentro dos princípios acima afirmados. Basta exercermos com sabedoria o direito sagrado do voto e olhando para cima, para a frente.

Tocantins, duas oportunidades no mesmo ano. Tantos arranjos, conchavos e acertos. Só se esqueceram de perguntar ao povo. Este mesmo povo que dará a resposta nas urnas.

Quem tem ouvidos que ouça, quem tem olhos que veja!


JOSÉ CÂNDIDO PÓVOA 
Poeta, escritor e advogado. Membro fundador da Academia de Letras de Dianópolis (GO/TO)
jc.povoa@uol.com.br


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