Não houve nem o tradicional “devo não nego, pago quando puder”. O governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) participou na manhã desta quarta-feira, 19, do 2° Encontro Tocantinense de Novos Gestores, promovido pela Associação Tocantinense de Municípios (ATM), mas não fez qualquer referência ao que o público-alvo do evento queria ouvir: quando o Estado vai pagar o programa Tocando em Frente, que fechou 2024 com repasses atrasados a pelo menos 35 municípios, conforme relação a que a coluna teve acesso, atualizada em novembro, o que, segundos as fontes que a repassaram, significa que pode ter mais ou menos. Wanderlei ainda não fez qualquer citação em sua fala sobre o corte do transporte escolar urbano para alguns municípios, pegando os prefeitos de surpresa, casos de Araguaína, Gurupi e Pedro Afonso.
À DISPOSIÇÃO DOS MUNICÍPIOS
O evento, realizado na sede da associação, em Palmas, reuniu prefeitos e vice-prefeitos de mais de 100 municípios tocantinenses, com o objetivo de discutir pautas e demandas municipais, além de promover debates sobre gestão pública. Apesar de ignorar os dois temas esperados pela plateia, Wanderlei disse seu governo “está à disposição de todos os municípios para a execução de um trabalho conjunto”. “Estou aqui sempre para ouvir e fazer aquilo que eu puder, o que estiver à altura do Estado. A parceria com os municípios tem sido realizada em todas as áreas. Vamos continuar atuando em todas as cidades que necessitam da colaboração do governo para trabalharmos juntos”, garantiu.
IMAGINA O QUE FARÃO COM OS MUNICÍPIOS
Coube ao secretário estadual da Educação, Fábio Vaz, palestrante do evento, falar do corte do transporte escolar urbano em conversa com três prefeitos, que contaram que ele defendeu que os municípios maiores, que possuem o serviço, assumam a responsabilidade e o Estado fará os repasses. Contudo, os gestores municipais se dizem nem um pouco dispostos a aceitar essa promessa de “fio do bigode”. Um dos atingidos pelo corte, o prefeito de Araguaína, Wagner Rodrigues (UB), foi franco com o secretário nessa conversa no grupo e lembrou a ele que o Estado já deve quatro meses à empresa que faz o serviço em seu município. “Imagina o que farão com os municípios! E o povo não vai querer saber de nada. Vai criticar os prefeitos, dizendo que não pagam porque não querem. E o Estado vai repassar o recurso quando quiser”, afirmou, segundo relato de colegas do gestor naquela roda de conversa.
NÃO DEVE
Vaz assegurou que isso não ocorrerá e que o Estado não deve nada a empresas do transporte coletivo urbano.
IMPORTÂNCIA DA PARCERIA
O presidente da Associação Tocantinense de Municípios (ATM) e ex-prefeito de Talismã, Diogo Borges, abriu o debate ressaltando a importância da parceria entre os municípios e o governo do Tocantins para o fortalecimento do municipalismo. “É com muita alegria que recebemos gestores do Tocantins no maior evento de capacitação de prefeitos e prefeitas para discutirmos sobre o municipalismo. Entendemos que é aqui, na convivência do dia a dia, que identificamos os principais problemas que os municípios tocantinenses enfrentam e podemos discutir com os mais preparados para buscar soluções”, pontuou Diogo Borges.
DIZ QUE VAI PAGAR
Em janeiro, quando a coluna trouxe a público o atraso do Tocando em Frente, a Secretaria Estadual da Comunicação (Secom) garantiu que “não há que se falar em ‘calote’”. Segundo a pasta, o programa, lançado em outubro de 2021 pelo ex-governador Mauro Carlesse (Agir), tem o valor total de R$ 278,00 milhões, “com objetos de infraestrutura para municípios, no valor de R$ 2 milhões por município e divididos em três parcelas, com 86,8% pago”, o que dá, conforme a pasta, R$ 241,30 milhões. A Secom garantiu que “os 13,2% restantes serão pagos no transcorrer deste exercício”.