Caros tocantinenses apreensivos,
Além da crise fiscal que já bate à nossa porta, outro problema pode se somar às dificuldades que já enfrentamos: a insensatez do governador Wanderlei Barbosa de arrumar problema gratuito com o governo Lula. Não se trata aqui de uma questão ideológica, mas meramente pragmática. Qualquer um pode gostar ou não Lula, quando se trata de um cidadão comum. Agora, se você é governador de um Estado que depende de transferências de recursos da União, ir para um confronto aberto com o Palácio do Planalto não vai te ajudar em nada. Ao contrário, só aumentará as agruras.
Já cansamos de falar aqui sobre os descontroles das contas públicas. Todos estão cientes disso. Com ela, o governo Wanderlei já reduziu drasticamente a capacidade de investimento do Estado, como mostrou o balanço do primeiro bimestre. Foram investidos nesses dois primeiros meses de 2025 míseros R$ 52.509.358,51, ou 3,3% do R$ 1.600.494.133,35 previstos para o período. Com essa capacidade estrangulada pela pura falta de gestão, resta ao Tocantins receber recursos da União para melhorar a malha asfáltica, a saúde e a segurança pública, por exemplo.
Não estou falando de transferências constitucionais, como merenda, transporte escolar, FPE, mas a gordura que chega da União via emendas. Alguém pode falar que é impositiva, tudo bem, mas o governo federal paga quando quiser, agora ou em dezembro. Quer um exemplo disso? O próprio Wanderlei, que tem se recusado a quitar emendas impositivas dos deputados estaduais que não escolheu para compor sua base, os “enjeitados”.
Fora isso, vem as parcerias diversas que podem ou não incluir o Estado. E, com tantas dificuldades que temos, um terço da população abaixo da linha de pobreza, é bem-vinda qualquer ajuda federal para socorrer nossos irmãos excluídos por nossas elites ou para melhorar a vida das comunidades carentes.
Assim, não deu para entender o motivo de o governador Wanderlei ter arrotado valentia na frente dos homens e mulheres do agronegócio. Para fazer média com um público majoritariamente bolsonarista? Aí é importante relembrar duas coisas, sobretudo quando Wanderlei disse que é de ideologia diferente de Lula. Em 2022, ele foi levado pelo beiço para a campanha de Jair Bolsonaro. Não queria de jeito nenhum. Pouco se movimentou. E, segundo, a maioria dos eleitores que elegeu o governador votou em Lula, que, como em todas as últimas eleições, venceu no Tocantins, mesmo perdendo nas cidades maiores.
Ainda, como me contaram representantes do governo federal, não havia sequer motivo para o estrago que Wanderlei fez na sua relação com o Palácio do Planalto. Na questão indígena, é lei federal que obriga a realização de audiência pública para discutir a pavimentação de áreas de aldeia; e, no caso das rodovias impactadas pela queda da Ponte JK, o Dnit já assumiu a manutenção da malha.
Por isso, ninguém consegue explicar o que motivou o discurso descompensado de Wanderlei? É o fígado ocupando o lugar do cérebro? Só para fazer média com um eleitorado bolsonarista? Ou por que a segurança que o senador Eduardo Gomes lhe passa supera todos os obstáculos que possam existir em Brasília?
Sinceramente, estamos lascados.
Saudações democráticas,
CT