Caros brasileiros cansados de ver tantas injustiças,
Fiquei surpreso com a operação da Polícia Federal contra uma facção criminosa do Rio de Janeiro nessa quinta-feira. Nenhum morto, todos os direitos constitucionais respeitados, tudo de acordo com os marcos civilizatórios. Resultou na prisão do presidente da Assembleia fluminense, Rodrigo Bacellar, do União Brasil. Ele está vivo, e muito bem, e desta vez não foi necessário empilhar cadáveres na rua como ocorreu há um mês, quando a Polícia Civil daquele Estado, sob a batuta do governador Cláudio Castro, cometeu uma chacina nos complexos da Penha e do Alemão, com 117 assassinatos.
O que mudou desta vez? Primeiro que a ação não foi do governador carniceiro, ele mesmo com sua gestão suspeita de estar vinculada ao crime organizado, mas da PF. Outra mudança: no alvo não estavam pretos, pobres e favelados, mas bandidos de colarinho branco, como grande parte da Assembleia do Rio — e, diga-se, como também ocorre no Congresso Nacional.
Ao decretar a prisão do presidente da Assembleia, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que organizações criminosas realizaram uma “infiltração política” no Rio de Janeiro, nas esferas municipal, estadual e federal. Para Moraes, esses grupos também têm “capacidade de corromper agentes públicos e políticos em escala”.
Para se ver como as coisas se misturam — não são fatos isolados –, o UOL mostra nesta sexta-feira que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, recebeu entrega de canetas de Mounjaro — medicamento de emagrecimento na época (agosto de 2024) restrito e vendido no mercado paralelo — de ninguém menos do que o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, apontado pela Polícia Federal como líder de um esquema de fraudes em combustíveis e lavagem de dinheiro. Ele está foragido e é alvo das operações Carbono Oculto, Tank e Quasar. A PF também investiga possíveis vínculos entre postos ligados ao empresário e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Recentemente, foram trazidas suspeitas de envolvimento de dois caciques nacionais com gente dessa facção, os presidentes do União Brasil, Antônio Rueda, e do Progressistas, senador Ciro Nogueira — que teria até recebido um pacote de dinheiro em seu gabinete, conforme um piloto de avião contou ao site ICL Notícias. Tudo muito grave, e precisa ser investigado a fundo.
Isso, caros brasileiros cansados de tanta injustiça, é mais uma demonstração de que chacinar pretos, pobres e favelados não vai resolver o problema da criminalidade do País. É enxugar gelo e só contribui para esconder a verdade às custas do assassinato de quem é tão somente massa de manobra dos verdadeiros e maiores criminosos: os que bancam e os que os protegem quem banca em casas legislativas e executivos em troca de muita grana.
Em tempo: carniceiro Cláudio Castro é investigado pela PF sob a suspeita de ter atuado para proteger os interesses do Comando Vermelho. Esse é o “herói” que saiu da chacina contra pretos, pobres e favelados de um mês atrás. Mera performance eleitoral para ganhar popularidade e chegar ao Senado no ano que vem.
O Brasil é o país da injustiça, do populismo e da hipocrisia. Até quando?
Saudações democráticas,
CT
















