Caros e caras tocantinenses,
Somos um Estado vocacionado ao desenvolvimento. Posição geográfica pra lá de estratégica, terras altamente produtivas e todo o nosso território é feito de pontos turísticos de belezas indizíveis. Mas a política — e os políticos — mais atrapalham do que ajudam. As brigas fratricidas iniciadas após o rompimento da União do Tocantins, em 2005 e 2006, impediram que o desenvolvimento regional se acelerasse.
Claro que, pelas virtudes descritas na abertura desta missiva, nos desenvolvemos, e muito. Por nossas potencialidades, esse avanço é um processo natural. Mas se tivéssemos tido mais estabilidade política nessas últimas duas décadas e um projeto de Estado — o que se perdeu com o fim do siqueirismo –, o Tocantins estaria muito mais longe.
As disputas políticas pequenas, de poder pelo poder, que nos marcam desde 2006, colocaram o Estado num quinto plano. O foco de quem estava na oposição era derrubar o inquilino do Palácio, e de quem governava tão somente obter a reeleição. Sem qualquer projeto de médio e longo prazos. Politicamente, faz 20 anos que o Tocantins vive de voos de galinha, sem um horizonte mais amplo, sem chamar a sociedade civil ao debate para um planejamento desenvolvimentista, sem pensar suas cadeias produtivas e como catapultar suas potencialidades, nem em como atrair mais investidores — que, olhando a briga insana entre os próprios irmãos, devem pensar mil vezes se realmente devem colocar seu rico dinheirinho num local que troca de governante, em média, a cada dois anos.
Em meio a esse turbilhão de interesses menores, o Estado se afundou no abismal poço da crise fiscal, a ponto de não saber se conseguiria fechar a folha de seus servidores. Fornecedores e prestadores de serviços eram pagos a conta-gotas ou quando paravam de atender, asfixiados pela falta de recursos.
Neste momento de nova reviravolta, quando o trem da montanha-russa em que se transformou o Tocantins dá outro looping, é hora de uma profunda reflexão por parte de toda a sociedade. Depois da recuperação obtida a partir de 2018, no governo Mauro Carlesse, o Estado volta a enfrentar outro risco de perda de controle das contas. Já há dificuldades para fechar o ano, como falava o governo interino de Laurez Moreira e admitem personalidades influentes do governo Wanderlei Barbosa. Se entrarmos agora num ciclo de entra e sai de inquilinos do Palácio, numa disputa judicial do tipo vale tudo pelo poder, vamos chafurdar ainda mais nesse pântano do qual é difícil sair e que, para que saiamos, sacrifícios enormes terão que ser feitos por todos, da elite à base social. É hora de mostrar grandeza, elevado espírito público e efetivo compromisso com o Tocantins.
Assim, a torcida pelo “volta-e-sai” é um tiro que vai ferir a todos os lados em disputa. Estamos a um ano do fim deste mandato. Então, que o Estado possa ter tranquilidade nestes últimos meses para definir o sucessor e o governador Wanderlei a responsabilidade de reequilibrar as contas para entregar o Palácio na melhor situação fiscal possível a seu sucessor.
Desejar isso não é torcer para nenhum dos lados de mais uma batalha fratricida, mas para o que realmente importa, o Tocantins. Sou adepto da sabedoria do imenso ser humano que foi Mahatma Gandhi: “Olho por olho, e o mundo acabará cego”. A hora é de depor armas pelo bem maior, o nosso desenvolvimento, a geração de emprego e renda e o resgate do um terço de nossa população que vive abaixo da vergonhosa (para todos nós) linha de pobreza.
Que pensemos muito nisso.
Saudações democráticas,
CT














