Caros eleitores tocantinenses,
Todos os olhos de quem acompanha a política do Tocantins se voltaram nessa segunda-feira para Araguaína, onde houve uma grande agitação com a inauguração de obras importantes na cidade e a apresentação da gestão pelo prefeito anfitrião Wagner Rodrigues. Do ponto de vista da política estadual, a atração foi a avant-première da majoritária oposicionista encabeçada pela senadora Dorinha Seabra Rezende, pré-candidata ao Palácio, e seus dois senadoriáveis, Eduardo Gomes e Carlos Gaguim. Os organizadores falaram em até 73 prefeitos e seus adversários trucaram. Garantem que não passaram de 40 e poucos.
De toda forma, um número nada negligenciável, sobretudo considerando que o trio conta com o apoio de gestores das principais cidades do Estado, ainda que se tenha sentido falta por lá dos representantes do G5+, dos quais estavam somente o anfitrião e o prefeito de Paraíso, Celso Morais. Não compareceram Eduardo Siqueira Campos, de Palmas; Josi Nunes, de Gurupi; e Ronivon Maciel, de Porto Nacional.
A intensa movimentação mostrou a enorme musculatura de Dorinha. Como já tenho registrado desde logo após as eleições municipais do ano passado, a senadora foi, sem sombra de dúvidas, a maior vencedora das disputas para as prefeituras. O União Brasil, presidido por ela, vai governar quase 600 mil dos 1,6 milhão de tocantinenses, graças a vitórias do partido em várias das maiores cidades do Estado, como Araguaína, Gurupi, Porto Nacional, Colinas e Guaraí. Soma-se aí o fato de prefeitos de outros importantes municípios estarem na pré-campanha de Dorinha, como Eduardo Siqueira Campos, de Palmas, que é do Podemos; e Celso Morais, de Paraíso, do MDB.
É importante entender que eleição estadual tem como principal cabo eleitoral o prefeito. Com a máquina nas mãos, ele é capaz de fazer o “milagre” da transferência de votos a seus candidatos. Não à toa que todos os concorrentes assediam e procuram atender como podem as demandas dos gestores. Mesmo um prefeito mal avaliado garante pelo menos uns 25% do eleitorado para seu escolhido. Em localidades menores, onde o poder público é o grande mantenedor de uma população repleta de carências, esse índice de transferência eleitoral é ainda maior. Daí o motivo de Dorinha contar com essa enorme vantagem competitiva neste momento.
Por isso, a intensa agitação de Araguaína também mostra a urgência de o governador em exercício Laurez Moreira entrar em campo e começar a jogar. Laurez precisa se desvencilhar logo do emaranhado de contas caóticas, dificuldades de formação de equipe e insegurança jurídica gerada pelo recurso impetrado pelo governador afastado Wanderlei Barbosa, e mostrar o que tem a oferecer ao Estado.
Claro que nem tudo depende dele, como o caso da decisão judicial, mas, como seu grande adversário é o tempo, ou melhor, a falta dele, Laurez terá que administrar e fazer movimentação político-eleitoral de forma sincronizada. Ou correrá o risco de, quando amenizar seus imbróglios e resolver disputar, não lhe restar outra alternativa que não seja colocar a faixa em Dorinha.
Saudações democráticas,
CT
















