Caro presidente Isac Braz da Cunha,
Acompanhei com apreensão o vazamento de óleo no córrego do nosso maior paraíso, o Parque Cesamar. A atuação diligente de sua parte, pela Fundação de Meio Ambiente de Palmas, das demais autoridades ambientais e da empresa causadora conteve rapidamente o dano, e agora, claro, a situação permanecerá monitorada por alguns dias para que se tenha a garantia de que o caso está encerrado. Ouvi muitos elogios a como você agiu no episódio. De forma técnica, colaborativa, sem a ânsia jacobina que leva muitos nesse momento a querer jogar na guilhotina o máximo de hereges ambientais, num prejulgamento insano. Os enaltecimentos também foram extensivos ao Corpo de Bombeiros e à Perícia Científica da Polícia Civil.
É reconfortador sabermos, presidente, que temos tantos profissionais capacitados para esse tipo de emergência. Sobretudo depois de, como afirmei semana passada, perder o sono de preocupação ao ler “A terra inabitável: uma história do futuro” (Companhia das Letras, 2019), do jornalista estadunidense David Wallace-Wells. Além da ação involuntária dos homens, como foi o caso, emergências ambientais se tornarão comuns em nosso rame-rame também pela revolta da natureza, numa reação aos abusos que cometemos nos últimos três séculos. Por isso, é bom contarmos com pessoas qualificadas.
Mas o episódio do Cesamar, prezado Isac, deixou claro que a sociedade civil precisa se preparar melhor para encarar esses casos. Óbvio, sem indiferença, mas também sem arroubos histriônicos. Acompanhei o acidente da perspectiva das autoridades ambientais e também da empresa que o causou. Sobre a atuação de vocês, como afirmei, elogios de quem conhece do tema. Em relação à causadora, bom que se diga, não houve um ato deliberado de agredir o meio ambiente e, sim, a ação inadvertida de um funcionário, que despejou restos de óleo (cerca de 2 mil litros) com água numa caixa de captação de chuva. O pobre coitado não sabia que esse líquido escorreria por galerias até o Córrego Brejo Comprido, no Cesamar, gerando todo o desespero que vimos. Agiu como se fosse uma tarefa corriqueira de seus afazeres diários.
Como as autoridades, a empresa se manteve o tempo todo, com funcionários, veículos e equipamentos (alguns emprestados por órgãos públicos, numa importante ação colaborativa), empenhada em retirar o óleo, conter seu avanço pelas águas limpas do Brejo Comprido e em manter a sociedade informada por notas diárias à imprensa. Se há necessidade de mitigação, multas, etc., que sejam aplicadas as medidas cabíveis. O que não se pode, presidente, é deixar a ânsia jacobina a que me referi destruir um empreendimento de décadas, que gera emprego, renda e impostos ao município e ao Estado.
Agora, Isac, a parte cômica do episódio quase trágico — o que, reforço, não se confirmou pela competência da ação de todos os envolvidos — foi a divulgação de que tinha óleo no fundo do córrego, uma clara ofensa as leis básicas da física, e a foto aérea do lodo como se fosse o produto poluente. Isso demonstra, presidente, como eu disse, que a sociedade civil, e nós, a imprensa, precisamos nos preparar mais para essas situações.
De novo, meus cumprimentos pelo excelente trabalho realizado.
Saudações democráticas,
CT