Caro deputado Júnior Geo,
Ouvi com muita atenção sua entrevista à Hits FM 93,5 e gostaria de cumprimentá-lo por trazer à tona um tema que só sabíamos por bochichos que tomam os corredores da Assembleia. Nunca se havia ouvido da boca de um parlamentar. Por isso, seu depoimento foi ainda mais impactante. Pelo que o deputado disse à emissora, mais do que ter ouvido falar, chegou a ser procurado por essa gente que negocia emendas. Propuseram-lhe negócios que, com certeza, outros podem ter aceitado, ao contrário de você, que, como frisou, se negou a participar do esquema.
Desde a Operação ONGs de Papel, da Polícia Civil, tivemos a notícia da criação de institutos e associações para desviar recursos dos contribuintes que irrigam essa farra chamada emenda parlamentar. A partir de sua fala, contudo, tivemos mais detalhes, como os percentuais da propina (esse é o nome) com que se regalam os deputados que passam a integrar a quadrilha, de 30% a 60%.
Prezado Geo, como você, deputado da Casa, admitiu publicamente que o esquema existe — tanto que foi procurado para compô-lo –, é de se esperar que alguma autoridade, delegado ou promotor, abra um inquérito para investigar essa situação. Não estamos falando de algo banal, mas de um total de mais de R$ 240 milhões anuais canalizados para esse instrumento num Estado em que um terço da população vive abaixo da linha de pobreza.
Não quero crer que Policia Civil e Ministério Público Estado farão ouvidos de mercador e seguirão em seus gabinetes como se um deputado não tivesse admitido publicamente que existe um enorme esquema desvios de recursos dentro da Assembleia.
Todo o Estado sabe o quanto sou avesso a esse expediente indecente, antirrepublicano, antidemocrático e que está conduzindo a política nacional para seu maior abismo histórico, chamado emenda parlamentar. No entanto, se este monstrengo existe, pelo menos que seja utilizado de forma séria e transparente. É o mínimo que podemos esperar.
Parabéns mais uma vez por sua coragem de tratar publicamente de um tema tão sensível, e ficamos aqui na enorme expectativa de que alguma autoridade faça algo para impedir que essa bandalheira continue ocorrendo.
Saudações democráticas,
CT
















