Caros contribuintes tocantinenses,
Todos ficamos escandalizados diante das estripulias do governador afastado Wanderlei Barbosa, família e amigos com os aviões alugados pelo Estado, como mostrou reportagem da TV Anhanguera no final de semana. Ainda no primeiro semestre, eu já havia alertado nas páginas da Coluna do CT e no meu Resumo em vídeo que achava muito estranho ver essas aeronaves serem utilizadas como Uber pelo inquilino do Palácio Araguaia.
Eu só ficava observando avião decolando para assistir jogo em Tocantinópolis, para “prestigiar” final da Copa do Craque em Gurupi e cavalgadas por todos os municípios do interior. Sempre considerei isso uma completa indecência. Pode ser legal, mas completamente imoral.
Intrigou-me ainda ver o governador afastado e família irem a Brasília também “prestigiar” uma partida da seleção brasileira. Disseram que havia agenda com ministros em Brasília. Mas lembro-me bem de ter pesquisado a data da viagem e só encontrar um único compromisso da comitiva: reunião com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, o partido de Wanderlei. É isso não é agenda oficial, mas mero interesse pessoal.
Com todos os problemas enfrentados pelo Estado, sendo o mais grave deles o fato de termos um terço da população abaixo da linha de pobreza, é simplesmente inadmissível que o governante jogue fora dinheiro do contribuinte dessa maneira. E estamos falando de custos de R$ 141 mil, R$ 165 mil e de até R$ 286 mil cada um desses deslocamentos, conforme mostrou a TV.
Contudo, verdade seja dita, todos os governadores que passaram pelo Palácio usaram e abusaram das aeronaves alugadas pelo Estado. Não fica um de fora, inclusive o atual, Laurez Moreira, que tem se deslocado para o interior, com a aeronave tomada por deputados e outros, para simplesmente participar de cavalgadas.
Com todo o respeito, cavalgada não é evento oficial. Dizer que é importante a participação do governador para valorizar a tradição a um custo, certamente, superior a R$ 100 mil é uma desfaçatez. Trata-se de evento meramente pré-eleitoral, que visa tão somente a promoção da imagem do governante e dos deputados que se acotovelam sobre caminhonete ou trio elétrico.
Oficial é viagem para reuniões de interesse do Estado, como audiências com ministros e presidente da República, fórum de governadores, discutir problemas de determinada região ou cidade, lançamento ou inauguração de obras. Agora passear por uma avenida dando “tchau” para a população em cima de um cavalo ou de uma caminhonete está muito mais para uma carreata ou “cavaleata” eleitoral. De evento oficial não tem nada.
Se o governador quer participar de cavalgada — e vale para os deputados — deve ir em seu carro particular — não no do Estado –, com combustível, alimentação e hospedagem pagos do próprio bolso. Empurrar essa conta para o contribuinte é simplesmente inaceitável. Repito: pode ser legal, mas é completamente imoral.
Assim, caros contribuintes, devemos cobrar que o governador Laurez regulamente a utilização dessas aeronaves para poupar os tocantinenses de terem que pagar essa farra, cujo único objetivo é ganhar popularidade e ostentar poder.
Não tenho dúvida de que Laurez é um político preocupado como a boa utilização dos parcos recursos públicos à disposição da gestão. Por isso, esperamos, depois da excelente medida de rescindir o contrato de R$ 20 milhões por uma aeronave de super luxo, que o governador em exercício coloque ordem nessa verdadeira esculhambação com recursos dos contribuintes e discipline as condições para deslocamento das aeronaves alugadas a peso de ouro.
Inclusive, diga-se, já passou da hora.
Saudações democráticas,
CT
















