Caros eleitores tocantinenses,
Como tenho escrito, o cenário da eleição para o governo do Tocantins, neste momento, sinaliza para um resultado óbvio, com a oposição pulverizada em diversas pré-candidaturas ainda sem a consistência necessária para ganhar competitividade. Contudo, como já reforcei algumas vezes, há muita água a escorrer sob essa ponte e os oposicionistas têm procurado conversar entre si, afinar discursos, alinhar projetos e tentar construir uma musculatura que lhe permita fazer frente à fortíssima representante palaciana, a senadora Dorinha Seabra Rezende. Além disso, nunca devemos nos esquecer — gatos escaldados que somos –, que o roteirista do Estado pode virar a mesa a qualquer momento.
Porém, considerando a conjuntura momentânea, a eleição majoritária altamente competitiva e mais difícil que teremos pela frente é para as duas cadeiras de senador que precisam ser renovadas, as de Eduardo Gomes e Irajá. E essa disputa deve ter mais holofotes do que de costume pela polarização tóxica que sequestrou o debate nacional, sobretudo, pela importância que lhe está dando a extrema direita.
Conseguir o máximo de cadeiras do Senado é o maior objetivo do bolsonarismo para 2026, uma vez que quer ter força para se impor sobre as instituições da República, claro, com o Supremo Tribunal Federal (STF) de alvo favorito. Sem senadores suficientes alinhados, os extremistas não conseguirão seu intento de impichar os ministros responsáveis por punir a tentativa de golpe de Estado impetrada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seus generais, razão pela qual — sob total protesto de seu séquito — cumprem neste momento sentenças de décadas de cadeia. Além disso, com os bolsonaristas dominando aquele Parlamento, a indicação de ministros para o STF teria um duro filtro no Senado e, caso seja reeleito, o quarto governo Lula passaria por espinhentas provas nos próximos quatro anos.
É com essa cantilena de combater a “injustiça” cometida contra seus “heróis” pela “ditadura da toga” que a extrema direita decidiu que eleger o máximo de senadores é seu principal objetivo para 2026. E já temos um excesso de pré-candidatos alinhados ao reacionarismo. No Tocantins quase todos os nomes que desfilam pelas cidades de olho no Senado compõem esse grupo.
Mas esse esticar da corda da polarização tóxica pode acabar também favorecendo os candidatos do campo progressista. Por uma lógica bastante evidente: se o alvo dos extremistas é eleger senadores para colocar obstáculos ao STF e a um possível quarto governo Lula, o eleitor progressista também tenderá a casar votos de presidente e senadores (serão duas escolhas este ano). Como a concorrência à direita será muito grande, os concorrentes de centro-esquerda podem ter mais eleitores disponíveis do que seus adversários do campo reacionário.
No caso do Tocantins, dois pré-candidatos podem tirar proveito dessa situação: Irajá, que, além de milhões em emendas espalhados pelos municípios e muitos projetos sociais implantados nesses anos, vai à reeleição com enorme afinidade e prestígio com o presidente Lula; e também o petista e ex-deputado Paulo Mourão.
Se vincular os votos for a tendência deste ano, é bom ter em mente que o presidente Lula e o PT jamais perderam uma eleição no Tocantins. Frise-se bem isso.
Saudações democráticas,
CT
















