Caros eleitores tocantinenses,
Tenho observado nas últimas semanas a reacomodação das forças do Estado como resultado do afastamento do governador Wanderlei Barbosa. Como sempre vem ocorrendo em ano pré-eleitoral no Tocantins, a virada do tabuleiro mistura todas as peças já estavam dispostas e os players precisam se reposicionar na corrida sucessória. Para 2026, não será diferente. O jogo mudou completamente.
Tínhamos uma pré-candidatura colocada do presidente da Assembleia, Amélio Cayres, que, sem o apoio do Palácio, é improvável que se sustente. O deputado federal Alexandre Guimarães, com vaga garantida de senador no palanque de Amélio, agora se vê desgarrado. O então vice-governador Laurez Moreira, que iria para a disputa com uma candidatura pouco competitiva, ganhou enorme musculatura ao ascender à chefia do Executivo estadual e se tornou o nome a ser batido no ano que vem.
O senador Eduardo Gomes transitava entre Palácio e Dorinha Seabra Rezende. Com a mudança abrupta, teve que se definir antecipadamente e já anda desfilando pelo Estado ao lado da pré-candidata ao governo. O senador Irajá via em Laurez o mesmo cavalo de Tróia que encontrou em Márlon Reis em 2018 para amarrar sua candidatura. Com a virada do tabuleiro se tornou altamente competitivo — e o protagonismo dele no Palácio só deve aumentar.
Vicentinho Júnior estava no limbo da federação de União Brasil e Progressistas. Com pouquíssima perspectiva de ter vaga de senador, não duvidem de que, agora, poderá até se dar ao luxo de escolher um palanque: ou o de Laurez, ou de uma possível candidatura de Alexandre Guimarães ao governo do Estado, nessa simulação de terceira via com o governador afastado Wanderlei Barbosa. Claro, é pouco provável que Vicentinho possa ter espaço filiado ao Progressistas. A grande possibilidade de ele conseguir viabilizar seu projeto de disputar o Senado, cada vez mais me fica evidente, só ocorrerá fora do partido em que está filiado neste momento.
Parece que o único nome que não sofreu nenhum impacto nessa virada de mesa foi a senadora Dorinha. Ela estava na oposição e continua lá; e era um nome de muita musculatura por conta do maciço apoio dos prefeitos de pequenas e maiores cidades do estado, situação que permanece inalterada.
Mudança grande pode ocorrer no colégio de Araguaína. Isso porque, com a ascensão de Laurez, os principais líderes locais tendem a se dividir. O prefeito Wagner Rodrigues deve continuar com Dorinha; Alexandre Guimarães, como afirmado acima, tenta construir uma terceira via competitiva com apoio de Wanderlei e Vicentinho; e a outra força importante da cidade, Ronaldo Dimas, virou secretário estadual do Planejamento e Orçamento do novo governo e, junto com seu filho, o deputado federal Tiago Dimas, deve subir no palanque de Laurez.
No cenário anterior, com Dorinha de um lado e Amélio do outro, Dimas e Wagner, provavelmente, estariam no palanque da senadora na disputa pelo Palácio no ano que vem; e Guimarães seria o senador na majoritária do atual presidente da Assembleia.
Mas nenhuma dessas composições discutidas e plantadas na imprensa regional, que visam aferir o impacto na opinião pública, tem qualquer efetividade. Trata-se tão somente de cálculo eleitoral, muito normal neste período, com o objetivo de encontrar a fórmula ideal para a disputa, o que deve ocorrer somente às vésperas ou no dia das convenções de 2026.
Saudações democráticas,
CT
















