Caros leitores,
Entro em recesso a partir de segunda-feira e ficarei de molho até 5 de janeiro. Não será um período unicamente de descanso. Também, claro, porque ninguém é de ferro e preciso dar uma respirada, uma vez que 2026 promete muitos solavancos e sabe-se lá se não virão novos loopings — nosso roteirista é imprevisível e parece que a cada temporada quer aumentar ainda mais as emoções geradas.
Por exemplo, nas temporadas anteriores, só tivemos renúncia, afastamento e cassações, mas o roteirista não devolveu ninguém ao cargo. Numa delas, houve até uma decisão que retornou Marcelo Miranda ao comando do Palácio, em 2018, mas por poucos dias. Logo ele saiu em definitivo e Mauro Carlesse, então presidente da Assembleia, assumiu. Nosso roteirista, só quis mesmo dar mais um susto nos tocantinenses com outro looping inesperado, quando todos achávamos que entraríamos em céu de brigadeiro.
Mas, se esse autor de mistérios, aventuras e tragédias regionais já estiver cansado de tantos solavancos em seu texto, pode ser que esta temporada se torne até chata a partir de agora. Neste momento, o script prevê a senadora Dorinha Seabra Rezende eleita governadora quase que num WO. Na oposição, cada um num canto diferente, muitas vezes até trocando tiros entre si, mais perdidos que cego em tiroteio. Aliás, como ocorreu nos últimos três anos. Nunca tivemos uma oposição organizada, unida e com projeto de poder definido.
Contudo, vejo também que o roteirista começa a criar uma onda nova com o deputado federal Alexandre Guimarães, que, mesmo antes da volta do governador Wanderlei Barbosa, já vinha se mostrando disposto a encarar a disputa pela sucessão no Palácio. Alexandre tem carisma, energia e vem construindo capilaridade por todo o Estado desde a sua eleição para a Câmara em 2022. O grande desafio dele para construir uma chapa competitiva é unificar a oposição em seu entorno.
Há ainda o vice-governador Laurez Moreira, que, apesar de não ter a competitividade assegurada pela posição de titular do Palácio de até semana passada, conta com história, projeto e agora pleno conhecimento da situação da máquina pública estadual. Porém, o mesmo desafio de Alexandre se ergue à frente de Laurez: ganhar musculatura com um grupo de oposição que tenha forte liderança.
Assim, me antecipando ao que pode criar o roteirista do Tocantins, antevejo três cenários possíveis: 1) a oposição toda desgarrada, com candidaturas quixotescas e quase esvaziadas, o que resultaria numa vitória fácil de Dorinha em outubro, quase um WO; 2) uma candidatura competitiva — com Alexandre ou Laurez unificando a oposição contra a senadora; e 3) três candidaturas competitivas — Dorinha, Alexandre e Laurez –, cenário em que, se os opositores construírem competitividade com os insatisfeitos com o governo Wanderlei, poderia dar muito trabalho e até provocar um segundo turno. Nesse último caso, seria o verdadeiro “pega pra capar”, em que qualquer resultado seria possível.
Seja qual for o cenário, quero acompanhar tudo de muito perto, sem perder um capítulo sequer desta temporada. Mas, para isso, tenho que repor as energias, depois de um 2025 muito difícil e, ao mesmo tempo, extremamente abençoado para a Coluna do CT.
Que 2026 seja um ano ainda melhor para cada um de nós e, sobretudo, para o nosso Tocantins, cansado de tantos altos e baixos, que prejudicam muito a imagem do Estado e emperram o nosso desenvolvimento.
Desde já, Feliz Natal e um próspero ano novo a todos e todas, e obrigado por todo carinho e paciência comigo.
Saudações democráticas,
CT














