Prezados e prezadas tocantinenses,
Interrompo meu recesso para homenagear uma das personalidades mais importantes da história do nosso Tocantins, dr. Moisés Avelino, que, infelizmente, nos deixou neste sábado, aos 85 anos. Sempre tenho registrado em minhas missivas que a maior crise do Brasil e do Tocantins é de liderança. Nesse cenário de escassez, o vazio deixado por dr. Avelino é muito maior do que podemos supor.
São raros os políticos em cuja carreira não houve uma só mancha. Caso do ex-governador, ex-deputado federal e ex-prefeito de Paraíso. Dr. Avelino, além do grande líder, era uma referência moral. Numa época em que o pragmatismo e as conveniências prevalecem, ele é homem público do tempo em que coerência e princípios eram a grande marca dos que se propunham a representar a população.
Até mesmo para ficar contra o partido do qual era sinônimo, o MDB, dr. Avelino se manteve coerente, como em 2010, quando a legenda lançou a reeleição de Carlos Gaguim ao Palácio. Discordando da opção partidária, o emedebista histórico se uniu ao seu maior adversário dos anos 1990, Siqueira Campos, que há 15 anos chegaria a seu quarto mandato de governador. Dois gigantes de uma época em que existia um projeto de Estado, em que o mandato não era exercido por simples desejo de poder.
Já em idade avançada, após cumprir seu último período na Câmara Federal, Dr. Avelino voltou ao cargo pelo qual iniciou sua carreira política, a Prefeitura de Paraíso. A cidade vinha de vários mandatos desastrosos e se encontrava em muitas dificuldades financeiras. O ex-governador, com a seriedade que sempre o caracterizou, capacidade de gestão e de liderança, pôs a casa em ordem e ainda revelou ao Tocantins um dos grandes talentos políticos desta nova geração, o atual prefeito Celso Morais, vice de Dr. Avelino.
Para quem, acompanha a política há décadas, admira os grandes líderes que já se levantaram por este país e lamenta o pragmatismo nefasto que caracteriza a vida pública nacional de hoje, a perda de vultos do tamanho de um Avelino e de um Siqueira Campos é sempre dilacerante.
Cada personalidade desse nível que se vai nos empobrece, nos deixa órfãos e cada vez mais dependentes de “cegos que guiam cegos”, reféns daqueles para quem a política não é mais missão como no passado, mas mero negócio.
Meu mais profundo pesar a toda a família, amigos e correligionários que acompanharam dr. Avelino em sua carreira longa, profícua e que em muito contribuiu para o desenvolvimento do Tocantins.
Saudações democráticas,
CT
















