Caros tocantinenses,
Primeiro gostaria de desejar feliz 2026 a todos vocês. Retomei os trabalhos dia 5, numa correria que mal deu tempo para respirar. É que em janeiro parte de nossa equipe entra em férias, o que nos sobrecarrega. Assim, peço paciência a todos, mas logo, logo, voltaremos ao ritmo normal. E este ano promete muitas emoções. No campo eleitoral, que será o principal alvo de nossa cobertura, o momento é de quase um W.O. A senadora Dorinha Seabra Rezende lidera com muita tranquilidade depois de a Justiça devolver o cargo ao governador Wanderlei Barbosa, tirando toda a competitividade do principal adversário dela até aquele momento, o então governador em exercício Laurez Moreira.
Agora, a oposição se mostra mais perdida que cego em tiroteio, se pulveriza em muitos ensaios de pré-candidaturas e nenhuma delas até agora tem qualquer musculatura para esse enfrentamento. Contudo, o ano está apenas começando e o roteirista do Tocantins não brinca em serviço. Ele adora nos surpreender.
Mas o que me faz escrever esta missiva aos amigos e amigas é a notícia que li na Folha de S.Paulo nessa segunda-feira que confirma meus pesadelos. Vejam: as emendas parlamentares drenam 25% do investimento federal e mais da metade da verba de 44 órgãos. Os dados se referem ao Orçamento de 2025, quando os investimentos totais somaram R$ 70,9 bilhões, dos quais R$ 18,2 bilhões de emendas.
Ainda diz a Folha que a proporção cresce quando são avaliados os órgãos vinculados aos ministérios, caso das universidades públicas. Por esse recorte, 44 instituições têm mais da metade do orçamento vinculado às emendas, sendo que as indicações superam 90% dessa verba em 9 delas.
A princípio parece algo extremamente positivo, afinal, os investimentos estão sendo feitos em universidades e nas mais diversas obras espalhadas pelo Brasil. Mas é ilusão de ótica. O que, na verdade, esses dados revelam é um país sem qualquer planejamento, em que a aplicação dos recursos públicos é definida no “olhômetro” e de acordo com os interesses eleitorais dos parlamentares — e muitas vezes financeiros, como as diversas operações da Polícia Federal confirmam.
Nenhum país se desenvolveu sem planejamento, sem pensar coletivamente como aplicar cada centavo arrecadado dos contribuintes. Exemplos como China e Coreia do Sul, entre tantos outros, estão aí para todos verem. Os chineses acabaram de construir seu plano quinquenal para 2026-2030. Esse instrumento define metas de desenvolvimento socioeconômico para cinco anos, focado em inovação tecnológica, sustentabilidade, fortalecimento do consumo interno e redução da dependência externa, no caso do de 2021-2025. O que acaba de ser fechado para os próximos cinco anos dá ênfase em resiliência econômica, autossuficiência tecnológica e combate às desigualdades. Não chegaram onde estão pela sorte, mas fruto de trabalho, sacrifício e, principalmente, planejamento.
Enquanto nós permitimos que Suas Excelências brinquem com nosso dinheiro para amarrar prefeitos para ganhar eleições e se perpetuar no poder. Não é à toa que temos tantas obras inacabadas Brasil afora. Não há qualquer planejamento. Uma escola e uma estrada devem ser construídas com base em necessidades macros, pensando, estrategicamente, o país, a região, o Estado e a cidade, tudo interconectado. Não de forma isolada, meramente por um desejo de localidade.
E olha que nem estou falando de corrupção, de desvios que sobejam na utilização dessas malfadas emendas, que viraram um fim em si mesmas, e, por elas, os congressistas fazem qualquer coisa, até “sequestram” o país e apontam a arma para o Executivo na base do “ou paga o resgate (as emendas), ou matamos o refém”.
Por isso, ou o Brasil se conscientiza do câncer que representa esse instrumento antirrepublicano, antidemocrático e que nos torna ainda mais ineficientes, ou o abismo está a apenas alguns passos.
Saudações democráticas,
CT















