Caro governador Wanderlei Barbosa,
O último governador que concluiu os quatro anos de mandato no Tocantins foi Marcelo Miranda em 2006. Portanto, faz 20 que o Estado não obtém esse “feito” tão trivial nas demais unidades da Federação. Além disso, o último que fechou seu ciclo de oito anos no comando do Palácio, dessa forma, sem direito à reeleição, foi Siqueira Campos em 2002. Ou seja, caso não haja outra reviravolta, você vai quebrar dois tabus tocantinenses.
Do ponto de vista político, conseguir terminar os quatro anos de mandato é o mais emblemático. Afinal, se tornou um verdadeiro trauma social, para nós, que, em duas décadas, nenhum governador tenha conseguido concluir o período para o qual foi eleito, seja por cassação, afastamento ou renúncia. Fere nossa autoestima.
No entanto, sob uma perspectiva administrativa, o segundo tabu é o mais importante. Isso porque, fora da disputa, o governador pode poupar o erário e preparar a máquina pública para um pouso suave, quando outro comandante vai assumir o manche. Por uma questão até de ter que dar satisfação aos órgãos de controle, o inquilino que está no Palácio, sem a preocupação de se reeleger, foca-se em ajustar os números para a sua prestação de contas.
Se por um lado essa preocupação obriga o chefe do Executivo a frear os gastos, atendo-se aos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal e a outros parâmetros legais, de outro, esse autocontrole permite que o sucessor ou sucessora possa encontrar o Estado em boas condições para dar sequência ao que mais importa, a prestação de serviços à população.
Tivemos um desequilíbrio nas contas do Estado nesses últimos três anos, o que levou seu governo a estourar o limite de alerta (44,1%) de comprometimento de Receita Corrente Líquida com folha em 2024 (com 46,32%) e a ultrapassar o limite prudencial (46,55%) no primeiro quadrimestre deste ano (com 46,64%). Contudo, houve um leve recuou no segundo quadrimestre para 45,69%, abaixo do limite prudencial, mas ainda acima do limite de alerta.
Com essa definição do Judiciário sobre sua permanência no governo, é grande nossa expectativa para que esses números sejam ajustados e você possa fechar seu mandato não apenas com a quebra dos dois tabus citados no início, o que, claro, será uma grande vitória simbólica para a população do Tocantins, que, como ressaltei antes, está traumatizada e com a autoestima atingida por nunca ver seus governantes completarem seu ciclo. Isso nos envergonha muito diante do país.
No entanto, para além disso, torcemos para que você possa entregar ao sucessor ou sucessora um Estado ajustado, oferecendo serviços de qualidade e com liquidez para investir em nosso desenvolvimento.
Desejo muita boa sorte a você neste um ano que falta para concluir seu mandato. Afinal, seu sucesso é o de todo o Tocantins.
Saudações democráticas,
CT
















