Caros leitores e caras leitoras,
Passei por um momento de disposição física muito ruim este ano por duas situações diferentes, uma consequência da outra. Ambas me tiraram a energia e a produtividade, essa última algo muito caro a mim, por amar o que faço e gostar de produzir muito. Primeiro pelo excesso de peso acumulado nesses anos após uma série de lesões ao tentar correr sem fazer musculação e com muitos quilos a mais.
A obesidade é o mal com o qual digladio há mais de 30 anos. Venci-a temporariamente algumas vezes, mas ela sempre aproveitou meus vacilos para avançar implacavelmente sobre o meu corpo. E, nas vezes que me jogou à lona, sugou todas as minhas energias, deixando-me sem qualquer disposição para reagir. Foi assim que me vi neste ano, com mais de 124 kg.
Com isso, perdi o pique e fiquei sem forças para afazeres que me enchem de prazer, como esta reflexão e o Em Off como coluna fixa. Somam-se a isso as muitas tarefas empresariais das quais não posso me desvencilhar. Meus exames estavam de pernas para o ar: o que deveria estar alto, em baixa; o que deveria estar baixo, em alta.
Então, uns amigos que também guerreiam contra a obesidade apareceram fininhos em meu escritório, sobraçando a mesma receita: o Mounjaro. Não gosto de emagrecer pela força dos medicamentos. Foi a primeira experiência que tive para reduzir meu peso quase chegando aos 30 anos. Deixou-me um pouco assustado, aqueles inibidores de apetite, hoje proibidos. Contudo, por ser uma solução mais saudável e pela imensa dificuldade que passei a ter para emagrecer após os 50, acabei cedendo.
É eficiente, mas não mágico, adianto a quem ficou tentado. Exige disciplina e sacrifícios. Um deles, no meu caso pelo menos, é a perda de parte do prazer da comida. Não tive os efeitos colaterais mais incômodos como muitos, mas minha alimentação, por um bom tempo, deixou de me alegrar como antes. De toda forma, já estou 18 kg mais leve e devo perder outros 12 kg.
Contudo, comendo muito pouco, senti uma fraqueza enorme por várias semanas, o que outros pacientes disseram também ter experimentado. E assim, se já me encontrava indisposto com o sobrepeso, isso se agravou no processo de emagrecimento. Por isso, tive que deixar tudo de lado: meu Bilhete, meu Em Off coluna fixa, como afirmei, colunas que me dão imenso prazer.
Agora me reencontrei com a disposição, estou retomando as corridas — esporte que aprendi a amar num dos meus emagrecimentos, mas que o excesso de peso me impedia de praticar — e também minhas colunas favoritas na CCT: este Bilhete e o Em Off.
Vinha sendo muito cobrado por muitos de vocês para que esses espaços voltassem às nossas páginas, pois agora estão sendo atendidos, graças ao fato de eu ter conseguido restabelecer o equilíbrio entre o corpo e a mente, com o Mounjaro, o pilates e a musculação. Sem essa plena sintonia que nos ensina a expressão romana mens sana in corpore sano é impossível viver plenamente, o que é minha meta maior neste último terço que me resta pela frente.
Apesar de viciado no trabalho, o tempo tem insistido comigo que é preciso existir vida para além da pauta, como costumamos dizer no jornalismo. Devo aprender isso antes que seja tarde. É outro equilíbrio necessário: labutar pelo pão de cada dia sem deixar de desfrutar do privilégio que recebemos de peregrinar por este planeta lindo.
Saudações democráticas,
CT













