Os vereadores da base do prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), se revezaram na tribuna da Câmara na sessão da manhã desta terça-feira, 28, para rebater as críticas da ex-prefeita Cinthia Ribeiro nas redes sociais. Inclusive, os três do partido do qual a ex-gestora é presidente regional, o PSDB. A tucana afirmou nessa segunda-feira, 27, após a divulgação de que a prefeitura pagou um débito de R$ 2.521.474,87 referente ao antigo contrato de concessão dos serviços do Sistema Integrado de Transporte (SIT), que “já se passaram 10 meses e tudo que escuto até aqui é: ‘a culpa é da prefeita Cinthia’”. “Até quando?”, questionou, para provocar em seguida: “Não te elegi para choramingar ou fabricar desculpas”.
NÃO ELEGEU COISA NENHUMA
O primeiro a ocupar a tribuna foi Carlos Amastha (PSB), que rechaçou a afirmação da ex-gestora de que ela elegeu Eduardo. “Primeiro, ela não elegeu coisa nenhuma. O voto no segundo turno não teve nenhuma participação dela. Foi um voto anti-Janad”, começou. “Quem elegeu o prefeito Eduardo Siqueira Campos foi o povo de Palmas. Esse ‘elegi’ foi de uma prepotência tremenda”, classificou o parlamentar.
PREPAROU A CIDADE PARA SOFRER
Amastha defendeu que Cinthia “preparou a cidade para que o próximo prefeito de Palmas sofresse gravíssimas consequências e para o povo pagar pelo pior mandato da história da cidade”. “Destruiu a saúde, destruiu a economia, destruiu a educação. Por onde passou houve destruição”, disparou o vereador.
DESASTRE INCALCULÁVEL
Ele, então, perguntou se “o povo de Palmas esqueceu quem inventou essa municipalização do transporte público”. “Será que vamos esquecer o desastre que fez com a cidade? Que contratou 100 ônibus entre R$ 38 mil e R$ 60 mil por mês de locação, mais de R$ 30 milhões, e que não pagou!”, afirmou. Segundo o vereador, a ex-prefeita ainda “sequestrou os ônibus da Miracema” e o Tribunal de Contas fez uma arbitragem e concluiu que cada veículo desse teria que receber R$ 7,9 mil durante 22 meses. “Mais de R$ 30 milhões”, acrescentou. “Então, o desastre que essa senhora, essa prefeita fez com nossa cidade, é incalculável.”
HERANÇA DE CINTHIA
Joatan de Jesus (PL) repetiu Amastha e também disse que “quem elegeu o prefeito Eduardo foi o povo”. “Quero refrescar a mente da ex-prefeita porque ela deixou um débito de mais de R$ 200 milhões. Esta foi herança deixada pela ex-prefeita de Palmas Cinthia Ribeiro”, ressaltou. Para ele, a ex-gestora deixou o cargo “com o maior escândalo de corrupção que esta Capital já viu, e com o pior transporte coletivo”. “Um transporte coletivo sucateado, um débito milionário, e agora querer colocar a culpa no atual gestor? Aí não. O que a ex-prefeita quis fazer ontem [segunda] foi uma verdadeira cena teatral para chamar a atenção.”
ATO DE IRRESPONSABILIDADE
O líder do prefeito, Walter Viana (PRD), lembrou que deixar dívidas para o próximo gestor pode gerar improbidade administrativa. “Por que não foi respeitado [o pagamento desses contratos]? Como é que o gestor contrata uma empresa para fornecer um serviço, paga o primeiro mês, paga o segundo mês e depois não paga mais? É um ato de irresponsabilidade”, apontou Viana. Ele lembrou que isso compromete a saúde financeira do município e o próximo gestor “vai ter que tirar esse dinheiro de algum lugar para poder pagar essa dívida”. “Então, dizer que o prefeito Eduardo Siqueira Campos fabrica desculpa em relação à sua gestão? Isso é uma inverdade, é falta de coerência.”
NÃO VÃO RECEBER
Viana afirmou que o que o preocupa é o fato de que, dos R$ 203 milhões que a gestão anterior deixou de dívida, só foram reconhecidos até o momento R$ 133 milhões. Os outros cerca de R$ 70 milhões não forem reconhecidos, o que significa que quem prestou o serviço não poderá receber. “Porque o gestor atual não vai ter justificativa do ponto de vista legal para pagar, ou seja, eu vou pagar uma dívida que eu não sei se ela foi feita ou vou pagar um serviço que não sei se ele foi prestado?”, explicou.
R$ 55 MILHÕES FALTAM EM OUTRAS ÁREAS
Segundo ele, dos R$ 133 milhões reconhecidos, R$ 55 milhões já foram pagos. “Sabe o que que significa isso? São R$ 55 milhões a menos na saúde do município, são R$ 55 milhões a menos na educação, na infraestrutura, no social, em várias ações, que poderiam estar sendo gastos com o cidadão palmense hoje, mas que não podem ser gastos porque teve que pagar dívida de gestor irresponsável, que não teve planejamento e não executou o seu orçamento com o zelo necessário. Essa é a verdade”, discursou.
OFÍCIO À SECRETARIA DE FINANÇAS
Viana avisou que vai oficiar a Secretaria Municipal de Finanças para que informe a Câmara o porquê de ainda não terem sidos reconhecidos esses R$ 70 milhões de dívidas. “Falta documentação? Falta nota? Falta relatório? A gente precisa saber. Isso impactou a vida do cidadão palmense, vem impactando, nós sabemos, e, para somar, ainda, infelizmente, uma frustração de receita que a gente vem tendo neste ano de 2025”, lamentou. O líder do governo pediu que os colegas assinem com ele o ofício com o pedido de informações à secretaria.
CRÍTICA À GESTÃO… ANTERIOR
Já o oposicionista Vinícius Pires (Republicanos) ironizou a crítica dos colegas ao governo Cinthia: “Hoje eu fiquei muito orgulhoso de todos os meus colegas vereadores vindo aqui, nesta tribuna, fazendo o seu trabalho, que é de fiscalizar a gestão. Só que o que me chamou a atenção é que estão fiscalizando a gestão passada, esquecendo o que é mais importante: que o nosso papel é fiscalizar a gestão atual, não ficar se lamuriando, igual o prefeito, do que já aconteceu”.
CONTRATOS EMERGENCIAIS
Ele lembrou que Viana disse que não deveria contratar se não há dinheiro. Então, citou os contratos emergenciais do transporte coletivo, da merenda e com a empresa de vigilância, que, somados, dá R$ 230 milhões.
TERCEIRIZAR OS PROBLEMAS
Da tribuna, no final de seu discurso, Débora Guedes (Podemos) também cutucou Eduardo, sem citar o nome de Cinthia. “Dizer para o atual prefeito Eduardo Siqueira Campos que é importante nós pararmos de terceirizar os problemas da gestão, porque quem vive de passado é museu”, afirmou. Para ela, “todos os dias há esse discurso de que a culpa é de A ou de B”. “Enquanto nós precisamos assumir as nossas responsabilidades e resolver o problema da cidade, porque a população de Palmas elegeu o prefeito Eduardo foi para isso, para desenvolver estratégias e resolver os problemas, não pra ficar terceirizando a culpa, colocando culpa em A em B porque não tem a competência de resolver os problemas da cidade”, criticou a também ex-secretária da Educação da gestão do prefeito.
SERVIÇOS ESSENCIAIS
O líder do governo, Walter Viana, pediu o aparte para rebater Vinícius e defendeu a necessidade dos contratos emergenciais do transporte coletivo e da merenda escolar. “O objetivo de um contrato emergencial é garantir a continuidade de um serviço. O transporte público não existia mais, estava um caos. Nós tínhamos 80 ônibus e uma dívida de R$ 35 milhões, não tinha como rodar, não tinha como fazer nada. Ainda tentamos por quatro meses para ver se dava para continuar nesse sistema, mas não deu”, contou. Em relação à merenda, ele lembrou da necessidade de alimentar as crianças. “É um serviço essencial, se por acaso tiver alguma regularidade, que seja apurada no momento posterior, mas, naquele momento, era necessário”, sustentou.
CUTUCADA
Ele ainda cutucou a oposicionista Débora Guedes, responsável por esse contrato emergencial da merenda quando era secretária da Educação. “Inclusive, foi muito bem construído pela vereadora Débora enquanto secretária”, disse Viana.
OUTROS VEREADORES
Também se pronunciaram com críticas à fala da ex-prefeita Cinthia os ex-vereadores Tiago Borges (PL), Josmundo Vila Nova (PL), Juarez Rigol (PL), Folha (PSDB), Eudes Assis (PSDB) e Márcio Reis (PSDB).
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