O desafio dos defensores do impeachment do governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos), neste momento, é conseguir as 16 assinaturas para convencer o presidente da assembleia, Amélio Cayres, a receber um dos três pedidos protocolado na Casa. Os 16 parlamentares são exatamente dois terços do plenário, o que significa maioria mais do que absoluta do Legislativo. Sem esse número, Amélio não terá força política para dar início a esse processo.
SÓ COM TRAIÇÃO
Há quem diga que os deputados que defendem o impeachment já conseguiram 11 assinaturas. Contudo, o grupo ligado a Wanderlei garante que não passam de 9. O cálculo dos aliados do governador afastado é de que os 16 subscritores só serão possíveis se os parlamentares próximos de Wanderlei o traírem.
EMPRÉSTIMO DEU INDÍCIOS
Eles não acreditam que isso acontecerá, porém, a votação do empréstimo de semana passada deu indícios de que essa fidelidade não é tão sólida como parece. Os aliados de Wanderlei na Casa fizeram imensa mobilização para esvaziar a sessão, mas não deram conta e a operação foi aprovada com votos homens mais fiéis ao governo que caiu em setembro. Essa é a argumentação daqueles que defendem o processo contra Wanderlei.
INTERESSE DO ESTADO
No entanto, o grupo do governador afastado minimiza a postura dos colegas naquela sessão. Para eles, o que prevaleceu foi o interesse do Estado e não o posicionamento político dos parlamentares de um lado ou de outro.
BASE DE DORINHA É CONTRA
Eles defendem que só uma deserção poderia resultar nas 16 assinaturas porque, dizem, o grupo da senadora Dorinha Seabra Rezende (UB) na Assembleia não tem interesse no impeachment de Wanderlei. A leitura é que, se ele voltar, a parlamentar deve ser seu nome para as eleições do ano que vem, e enfrentar o governador em exercício Laurez Moreira (PSD) fora do Palácio facilitaria a vida dela. O núcleo da pré-candidata a governadora no Legislativo é composto pelos deputados Jair Farias (UB), Janad Valcari (PL), Vanda Monteiro (UB) e Nilton Franco (Republicanos) – esse último por ter em sua base eleitoral os prefeitos do Vale do Araguaia, que, em praticamente a sua totalidade, defende a candidatura de Dorinha ao governo.
PREOCUPA A VOLTA DE WANDERLEI
Os defensores de Wanderlei ainda sustentam que dois motivos dificultam os parlamentares a assinar o pedido para que Amélio receba um dos processos de impeachment protocolados na Assembleia. Um é que o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não votou o agravo do governador afastado, e eles temem que Wanderlei consiga retornar ao comando do Palácio, o que os colocariam em maus Lençóis.
COMPETITIVIDADE DE LAUREZ
Outro ponto que eles assinalam é que o governador em exercício Laurez Moreira ainda não conseguiu passar aos deputados uma confiança de que seja realmente uma alternativa à altura de competir de igual para igual com Dorinha nas eleições do ano que vem. “Não há nenhum movimento, nenhuma ação e nenhum gesto de Laurez que tenha impactado a opinião pública ou o Parlamento”, avaliou um desses deputados ouvidos pela coluna.
QUER AGUARDAR O STF
Por seu turno, Amélio mantém a postura de aguardar a decisão do STF sobre o agravo de Wanderlei para só então colocar qualquer outra discussão à mesa.
GARANTEM QUE CONSEGUEM
Já os defensores do impeachment garantiram à coluna que conseguiram esses 16 nomes que podem levar a abertura do processo.

















