Uma suspeita escabrosa levantada pela Polícia Federal no inquérito da Operação Nêmesis é a de que pessoas ligadas ao governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos) estariam monitorando a gestão e o governador em exercício Laurez Moreira (PDT). Assim, para a PF, é “possível perceber que, apesar de afastado, muito provavelmente, o governador Wanderlei Barbosa Castro, em certa medida, continuou a exercer influência e a monitorar a Administração Pública do Tocantins”.
REFLETE DIRETAMENTE NAS DILIGÊNCIAS
Para os investigadores federais, isso “reflete diretamente nas diligências investigativas que vêm sendo desenvolvidas”. “Haja vista que quaisquer pedidos de informações, intimações, ou mesmo o compartilhamento de eventuais vestígios que a atual gestão queira encaminhar para apuração na Polícia Federal, são prontamente conhecidos pelos investigados, de maneira antecipada”, afirma o relatório sobre o caso.
ESCUTAS CLANDESTINAS
A PF lembra do episódio divulgado pela imprensa do Tocantins de que o governo Laurez descobriu escutas clandestinas na Secretaria de Comunicação, em uma sala situada no próprio Palácio Araguaia, e também dentro de veículos oficiais. Isso ocorreu pouco mais de um mês após a posse da gestão interina. “O que indica que pessoas ligadas ao governador Wanderlei Barbosa Castro poderiam estar agindo para monitorar as atividades de Laurez Moreira”, diz a PF.
DENÚNCIA ANÔNIMA
Dez dias após o ocorrido, no dia 13 de outubro, a Superintendência Regional de Polícia Federal no Tocantins recebeu uma denúncia anônima “acerca de fatos graves relacionados à atuação do ex-secretário da Secretaria de Parcerias e Investimentos (SPI), Thomas Jefferson Gonçalves Teixeira, e de pessoas a ele diretamente vinculadas, que continuam exercendo influência indevida e irregular dentro da estrutura do Governo do Estado do Tocantins, mesmo após o afastamento do ex-governador Wanderlei Barbosa”.
CONTROLE SOBRE DECISÕES
A denúncia diz que, homem de extrema confiança de Wanderlei e amigo dos filhos Léo Barbosa e Rérison Castro – deste último ele é sócio num escritório de advocacia –, Thomas Jefferson “continua atuando de forma indireta, por meio de servidores e aliados estratégicos inseridos na administração estadual, com o objetivo de manter influência e controle sobre decisões administrativas e políticas”.
WILLIAM E ALAN RICKSON
A denúncia aponta William Nunes de Souza, primo de Thomas Jefferson, formalmente contratado como gerente, mas que atuava de fato como motorista na Secretara de Parcerias e Investimentos. Outro nome citado foi de Alan Rickson Andrade de Araújo, assessor da SPI e colaborador direto do ex-secretário. “Mesmo após o afastamento do ex-governador Wanderlei Barbosa, Alan manteve contato direto com Thomas Jefferson, repassando informações internas da SPI e atuando na reintrodução de pessoas sem capacidade técnica em cargos estratégicos, reforçando a influência do ex-secretário”, relata a denúncia.
MANTÉM ATUAÇÃO E INFLUÊNCIA
Assim, o denunciante concluiu que, “diante dos fatos narrados, é evidente que Thomas Jefferson Gonçalves Teixeira, embora formalmente afastado da administração pública, mantém atuação e influência diretas sobre decisões estratégicas e administrativas do Governo do Estado do Tocantins”.
INFORMAÇÕES CONFIRMADAS
Essas informações foram confirmadas pela PF como verdadeiras, no que diz respeito aos cargos ocupados por essas e outras pessoas e a relação próxima delas com Thomas Jefferson. “Ao analisar os nomes indicados no relato, já à luz das apurações preliminares, a autoridade policial identificou que ALAN RICKSON ANDRADE DE ARAÚJO e WILLIAM NUNES DE SOUZA encontravam-se registrados na folha de pagamento do Estado do Tocantins, lotados na Secretaria de Participações e Investimentos, nos exatos cargos mencionados na denúncia”, diz o relatório. “Ademais, imagens de redes sociais evidenciaram a proximidade entre Thomas Jefferson Gonçalves Teixeira, Alan Rickson Andrade de Araújo e William Nunes de Souza”.
ALVOS DE BUSCA E APREENSÃO
Tanto Thomas Jefferson como Alan Rickson e William Nunes foram alvos de busca e apreensão na operação Nêmesis, deflagrada nesta quarta-feira, 12.
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