A coluna apurou que, ao contrário do que disse o vereador Carlos Amastha (PSB), o presidente da Associação Comercial e Industrial de Palmas (Acipa), Joseph Madeira, foi convidado, sim, para o lançamento da campanha Natalzão CDL 2025, que ocorreu no dia 18, no auditório da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). Porém, a associação não está entre os organizadores e apoiadores, que, além da CDL, conta com prefeitura, Conselho de Inovação e Desenvolvimento Econômico (Cidep), Secretaria Estadual da Indústria, Comércio e Serviços e governo do Tocantins.
INSATISFAÇÃO DO SETOR É REAL
Empresários ouvidos pelo site, no entanto, confirmam a insatisfação do setor com a permanência de Joseph no comando da Acipa, investigado pela Operação Fames-19, que apura desvios de recursos para a compra de cestas básicas durante a pandemia da Covid-19. Foi essa investigação que resultou no afastamento de Wanderlei Barbosa (Republicanos) no dia 3 de setembro, por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
ÚLTIMA EDIÇÃO EM 2022
Os empresários apontaram à coluna questões mais pragmáticas do que o convite para o lançamento de uma campanha. Para eles, a presença de Joseph na presidência prejudica o andamento da entidade. Eles citam como exemplo o grande evento anual da Acipa, a Feira de Negócios de Palmas (Fenepalmas), que teve sua última edição em 2022 — e Joseph está na presidência desde 2018.
FAMES-10 PREJUDICOU
No ano passado, chegou haver um movimento para realizar uma edição da Fenepalmas, mas, segundo dizem os empresários ouvidos, com a primeira fase da Fames-19 ocorrida em agosto, e Joseph já figurando como investigado, o evento foi novamente prejudicado, mesmo com R$ 1,2 milhão de aporte aprovado em junho de 2024 pelo Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico (CDE) para a feira.
SEM CONDIÇÕES DE REPRESENTAR
Os empresários apontam ainda que o presidente da Acipa não desfruta de condições plena de representar a entidade junto às instituições. Isso porque, além de não poder se encontrar com outros investigados, conforme a decisão do STJ, o setor político, por exemplo, não estaria disposto a receber Joseph para uma conversa, diante do desgaste que ele enfrenta como investigado num processo tão complexo e delicado. “Será que o governador Laurez [Moreira] vai querer recebê-lo?”, perguntou um dos entrevistados.
SEIS DIRETORES SE AFASTARAM
No ano passado, logo após a primeira fase da Fames-19, diretores da associação comercial chegaram a conversar com Joseph e pedir que ele se afastasse da presidência, mas o empresário se recusou. Com isso, seis membros da diretoria pediram afastamento dos cargos. Eles defendiam que Joseph deixasse o comando da associação para preservá-la e para cuidar de sua defesa no inquérito da Operação Fames. De acordo com esses empresários, nomes de expressão da diretoria foram substituídos por outros de menor relevo e sobre os quais, afirmam, Joseph tem influência.
ACUSAÇÕES MUITO GRAVES
No espaço de comentários do Instagram da CCT na matéria com a resposta que recebeu de Joseph, o vereador Carlos Amastha voltou à carga contra o presidente da Acipa. Em duas postagens, o parlamentar insistiu para que o presidente da associação deixe o cargo. “Apenas se afastar enquanto é investigado. As acusações são muito graves”, afirmou na primeira mensagem.
PROVA DE SOBRA
No segundo post, porém Amastha foi mais duro. Em referência à afirmação de Joseph de que tem “confiança plena de que a verdade prevalecerá” e que sua inocência será provada diante da Justiça, “onde fatos e provas falam mais alto que discursos políticos”, o vereador rebateu: “Prova é o que tem de sobra. Renuncie, Joseph. Vergonha na cara. Pare de prejudicar os comerciantes”.
Confira:



















