No grupo do governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos), a Operação Nêmesis de quarta-feira, 12, está sendo avaliada como “inócua” em relação aos seus possíveis efeitos sobre o julgamento dos recursos no Supremo Tribunal Federal (STF). Isso porque, garantiram fontes do grupo ouvidas pela coluna, nada de importante teria sido encontrado nas buscas e apreensões realizadas pela Polícia Federal.
NÃO HOUVE RETIRADA DE MALAS
De acordo com essas fontes, não teria sido realizada nenhuma retirada de malas, mochilas e caixas da residência da sogra do governador afastado, Joana Darc Sotero Campos, na 603 Sul, em Palmas. O grupo conta que, no dia 3 de setembro, quando ocorreu a segunda fase da Operação Fames-19, Wanderlei teria decidido ir para a casa da sogra porque, ao voltar de sua fazenda em Aparecida do Rio Negro, viu a frente de sua residência tomada pela imprensa.
FORAM SE SOLIDARIZAR
Assim, para não ter que falar com a imprensa naquele momento em que a operação ainda ocorria, o governador afastado preferiu ir para a casa de sua sogra. Por isso, secretários e pessoas próximas, como a deputada estadual Cláudia Lelis (PV), foram até lá para se solidarizar com ele. Dessa forma, negam qualquer operação para retirada de itens da residência.
GOVERNADOR PRESENTE
Já a PF afirma que há “fortes indícios de que no horário aprazado, o governador se fez presente em uma residência vinculada à sua sogra, na Quadra 603, Sul de Palmas, orientando e coordenando o transporte de caixas, malas, bolsas e mochilas, no mesmo momento em que a Corte Especial deste Superior Tribunal de Justiça, ratificava as decisões proferidas”.
DOIS FATOS CAUSARAM ESTRANHEZA
O grupo de Wanderlei disse estranhar a alegação da PF de que não abordou as pessoas na residência por conta da presença de policiais militares armados. Eram dois, segundo dizem, e não haveria qualquer reação caso os agentes federais se anunciassem. Eles também afirmaram estranhar a informação de que os veículos, quando deixaram o local, não puderam ser seguidos “em razão da adoção de manobras evasivas e da dispersão realizadas”.
PREPARADO PARA VIAGEM
Em relação às malas de roupas encontradas pela PF na caminhonete de Wanderlei, aliados dele contaram à coluna que o governador afastado estava preparando-se para viajar a Brasília, onde permaneceu nos 10 dias seguintes, cuidando de sua defesa. Também negaram que Wanderlei tenha deixado sua residência em Palmas às pressas em direção à fazenda, no final da noite do dia 2, como apontou a PF.
ENCONTRO CANCELADO
Em relação ao encontro que teria na manhã do dia 3 com o deputado federal Alexandre Guimarães (MDB), esses aliados dizem é comum Wanderlei mudar sua agenda em cima da hora. O cancelamento dessa reunião é apontado pela PF como mais um indício de que o governador teria saído às pressas de sua residência em direção à fazenda.
NÃO SAÍRAM ÀS PRESSAS
Na residência de Wanderlei, a PF encontrou sinais de que o governador e a primeira-dama Karynne Sotero teriam saído às pressas, como comida sobre a mesa, cofre esvaziado e um celular resetado para o modo inicial de fábrica. Porém, esses aliados do governador afastado negam que teria havido uma saída repentina do casal do imóvel.
APÓS VISITA DE THOMAS JEFFERSON
De acordo com a PF, após receber a visita do ex-secretário de Parcerias e Investimentos Thomas Jefferson, no final da noite do dia 2, quando os agentes supõem que Wanderlei teriam sido informado da operação do dia seguinte que resultou em seu afastamento, Wanderlei, Karynne e sua filha Ysabela Sotero “saíram apressadamente da residência, evidenciando, portanto, a relevância da visita inopinada do advogado ao local”.
NÃO COMPARECERAM
Também chamou a atenção dos agentes que, quando as buscas acabaram, por volta das 8h30, o governador e a primeira-dama foram intimados a prestarem declarações na Superintendência Regional da Polícia Federal no Tocantins, em Palmas, às 14 horas do próprio dia 3 de setembro. Contudo, eles não compareceram para depor.

















