Reportagem da TV Anhanguera exibida na noite dessa quarta-feira, 12, mostra que o governo Wanderlei Barbosa (Republicanos) gastou entre 2023 e 2025 mais de R$ 430 milhões em festas, shows e atividades religiosas e esportivas. Só de janeiro a setembro deste ano já foram mais de R$ 171 milhões. Os números, segundo a emissora, são do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi).
FALTAM PAGAR R$ 17 MILHÕES
Já pagos nesses quase três anos são R$ 412,6 milhões e, de 2025, já estão comprometidos e terão que ser liquidados outros R$ 17 milhões.
PIX PARA PREFEITURAS
São três modalidades de gastos dessa natureza. Pela via direta do Estado para as prefeituras (via PIX), de 2023 a setembro deste ano, foram R$ 208,4 milhões, distribuídos da seguinte forma: em 2023, um total de R$ 47,5 milhões; em 2024 saltou para R$ 73,9 milhões; e, até setembro de 2025, R$ 87 milhões. Portanto, antes do fechamento do ano, esses gastos já superaram 2023 e 2024.
INICIATIVA DO GOVERNO
Na modalidade por iniciativa do governo foram gastos um total de R$ 123,2 milhões, dos quais R$ 22 milhões em 2023, R$ 62,8 milhões (três vezes mais) em 2024 e R$ 38,4 até setembro de 2025.
EMENDAS
De emendas parlamentares foram R$ 14,9 milhões em 2023, R$ 37,4 milhões em 2024 e R$ 28,7 milhões até setembro de 2025, totalizando R$ 81 milhões.
Confira a tabela dos gastos com show e eventos pelo governo Wanderlei, entre 2023 e setembro de 2025:

5,7 MIL CASAS
Pelas contas feitas pela TV Anhanguera, baseada em tabela da Caixa Econômica Federal, com esses quase meio bilhão de reais daria para o Estado construir 5,7 mil casas entre 2023 e 2025. No entanto, o governo Wanderlei não entregou nenhuma unidade habitacional nesse período.
PGE ALERTOU
A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) emitiu pareceres alertando sobre o volume de gastos com eventos em municípios pequenos, onde há demandas mais urgentes, mas, como se vê pelos números, não foi ouvida.
R$ 5 MILHÕES PARA APENAS UM INSTITUTO
De acordo com a TV, a maioria dos deputados estaduais enviou emendas para eventos através de institutos contratados para organizá-los. Quatro deles receberam este ano 118 pagamentos do governo, e só uma dessas entidades embolsou mais de R$ 5 milhões.
CRIA DISFUNÇÃO
À TV Anhanguera, o especialista em administração pública da Universidade Federal do Tocantins (UFT) Edi Benini afirmou que as emendas parlamentares “têm criado uma disfunção da peça técnica do orçamento, de pensar as prioridades para a sociedade, de pensar onde o gasto público é mais necessário”. “Isso diminui a eficiência do Estado, acaba degradando a capacidade do Estado de promover o bem-estar social”, explicou.
CONDICIONAR PERCENTUAIS
Também ouvida pela emissora, a especialista em relações governamentais Luciana Rodrigues defendeu condicionar percentuais de emendas, obrigatoriamente, por exemplo, para a área da saúde e para a educação. “Vamos colocar R$ 200 milhões para eventos, passou o evento, aquilo se esvai, é perdido”, ressaltou.
PROPOSTA IGNORADA
Bem que houve uma tentativa de regulamentar o emprego dessas emendas pelos deputados estaduais para a partir de 2026. Jair Farias (UB) propôs um projeto para que, do valor total que o parlamentar tem direito a destinar (R$ 11.380.833,33), no mínimo 30% fosse para ações de saúde, com limite (80% do indicado) para execução direta ou transferência fundo a fundo, e também reservava 50% para ações de investimentos. O parlamentar sugeriu também o limite de até 20% para ações de custeio, e apenas metade – ou 10% do total de emendas – para despesas com estrutura de eventos e cachês artísticos. Ou seja, cada deputado ainda poderia colocar R$ 1.138.083,33 dos R$ 11.380.833,33 a que tem direito em festividades. Contudo, a proposta de Jair Farias foi simplesmente ignorada pelos demais colegas dele.

















