Caro Paulo Mourão,
Foi muito importante e oportuna a sua fala no vídeo que postou nas redes sociais no final da semana. Cada afastamento de governador — e passamos por vários — não só expõe o Estado à vergonha nacional. Também nos empurra para turbulências que atrapalham a vida administrativa e econômica do Tocantins.
Você mostrou equilíbrio quando lembrou que o Estado Democrático de Direito pressupõe a presunção de inocência. Assim, o objetivo aqui, como foi o seu no vídeo, não é fazer qualquer prejulgamento do governador afastado Wanderlei Barbosa. Afinal, estamos em meio à investigação do caso, que precisa ser aprofundada para concluir se há culpa em tudo o que foi mostrado até agora nas decisões judiciais e nos relatórios da Polícia Federal.
Ainda que reste ao governador afastado a possibilidade de novo recurso, é pouco provável, contudo, que ele seja bem-sucedido, como tenho defendido desde o início deste debate. O primeiro ponto que venho colocando, amigo Paulo, é a própria robustez das investigações da polícia. São indícios — e, por enquanto, claro, apenas isso: indícios – muito fortes para serem ignorados pelo STF, inclusive, os de crime continuado, como frisou a subprocuradora-geral Maria Caetano Cintra Santos em seu parecer contra a volta de Wanderlei ao comando do Palácio, reforçando a conclusão do relator do caso no Superior Tribunal de Justiça, o STJ, o ministro Mauro Campbell.
Depois seria uma grande incoerência do STF rever a decisão no momento em que aponta o dedo para o STJ, a quem impõe a suspeita, via Operação Sisamnes, de estar favorecendo investigados com vazamentos de informações. Como agora, num processo robusto desse, Paulo, o Supremo simplesmente anula a medida do corregedor-geral de Justiça, ministro Mauro Campbell, tomada com o aval unânime dos membros da Corte da qual ele faz parte?
Ainda temos o momento delicado vivido pelo STF, que, em meio ao julgamento da trama golpista, tem sua postura questionada por parte significativa da população. Por fim, também há a enorme repercussão nacional do caso das cestas básicas do Tocantins. O Supremo vai topar tamanho desgaste diante da opinião pública brasileira? A volta de Wanderlei ao governo agora tomaria as manchetes de todos os veículos de comunicação do País.
Ouve-se novamente falar em “jeitinho”, articulação política de fulano, beltrano e quetais. Bem, se isso funcionasse, Wanderlei sequer teria sido afastado.
Assim, amigo, concordo com você: o governador Wanderlei poderia, num gesto de grandeza, renunciar ao mandato para cuidar de sua defesa e tentar manter sua elegibilidade para concorrer a um cargo no que vem, e, com isso, devolver a estabilidade jurídica, política e administrativa que o Tocantins tanto precisa. Caso contrário, passará pelo constrangimento de um impeachment pela Assembleia. A movimentação já se intensifica nesse sentido.
O Tocantins, Paulo, precisa estar acima de todos nós e dos nossos interesses pessoais.
Saudações democráticas,
CT











