O contrato de táxi-aéreo de cerca R$ 20 milhões firmado pelo governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) – suspenso na gestão interina do vice, Laurez Moreira (PSD) – foi a base de uma denúncia do vereador Carlos Amastha (PSB) à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público (MPE). São alvos o gestor republicano, a primeira-dama, Karynne Sotero; e o superintendente do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) do Tocantins, Rérison Castro. Em outra frente, o parlamentar ainda pede a destituição de Castro ao Conselho Deliberativo do Sebrae
- Leia a íntegra da denúncia à Polícia Federal e Ministério Público.
- Confira a representação ao Conselho do Sebrae.
JATOS PARA TURISMO E FUTEBOL
Em ambas as iniciativas, Carlos Amastha destaca o uso destas aeronaves locadas para finalidade diversa da pública e classista, conforme revelado em reportagem da TV Anhanguera e do G1. Os veículos destacam seis viagens de Wanderlei Barbosa com a esposa, Karynne Sotero, sem qualquer compromisso público na agenda. Ao todo, estes roteiros custaram R$ 772 mil aos cofres públicos. Há visitas a locais turísticos, partidas de futebol e até reunião familiar nestes itinerários. Filho do governador, Rérison Castro esteve presente em algumas destas viagens.
Confira o balanço:
- R$ 141 mil: Retorno dos Lençóis Maranhenses (Maranhão) para Palmas, em 13 de janeiro de 2025, com o casal e familiares;
- R$ 86 mil: Deslocamento em fevereiro de 2025 para acompanhar uma partida de futebol (Atlético Mineiro vs. Tocantinópolis), junto com o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres (Republicanos);
- R$ 89 mil: Viagem em 19 de março de 2025 para Brasília (DF), onde assistiram ao jogo da Seleção Brasileira, em comitiva que incluía neto e filhos, como o Rérisson e o deputado estadual Léo Barbosa.
- R$ 165 mil: Trajeto de ida e volta para Campina Grande (PB), em 5 de maio de 2025, justificado como “missão oficial” (sem compromissos públicos localizados), incluindo filha e genro sem vínculo com o Estado. Neste dia Wanderlei postou que estava no lago de Palmas.
- R$ 286 mil: Novo voo entre Palmas, Brasília e Campina Grande, entre 21 e 22 de maio de 2025, com a comitiva que incluía Wanderlei, a primeira-dama, além de parentes como Rérison e sua esposa. Porém, o governador postou nas redes sociais que, na verdade, estava voltando ao Tocantins de carro.
- R$ 50 mil: Viagem para Minaçu (GO) em 12 de julho de 2025 para participar de uma reunião familiar. A bordo estavam Wanderlei, a primeira dama, o filho Rérison e um irmão do governador.
IMPROBIDADE, PECULATO E EMPREGO IRREGULAR DE VERBAS PÚBLICAS
Na denúncia aos órgãos federais, Amastha argumenta que os fatos indicam possível prática de crimes contra a administração pública, como peculato (art. 312), emprego irregular de verbas públicas (art. 315), bem como violações à Lei de Improbidade Administrativa (LIA) com a tese de enriquecimento ilícito, dano ao erário e violação frontal aos princípios da moralidade, impessoalidade e legalidade. “A situação é agravada pelo fato de envolver não apenas o Chefe do Poder Executivo estadual e sua família, mas também dirigente de entidade integrante do sistema Sebrae, cuja atuação deveria ser pautada por rigor ético e pela proteção do interesse público”, argumenta o vereador, já que a entidade é financiada por contribuições parafiscais de âmbito nacional e sujeita ao controle de órgãos da esfera federal.
CONTORNOS MAIS GRAVES DIANTE DA MAQUIAGEM
Amastha pede que a representação ao MPF e PF seja aceita e sirva de base para a imediata instauração de procedimento investigatório, inclusive inquérito policial. “Observa-se a exploração direta de cargos públicos e paraestatais […] como porta de acesso a viagens de lazer e de luxo, sem ligação concreta com o interesse público. […] Além disso, o quadro ganha contornos ainda mais graves diante da aparente maquiagem dessas viagens privadas como se fossem ‘missões oficiais’ ou ‘agendas institucionais’. As justificativas formais, registradas em documentos oficiais, entram em choque com vídeos e publicações feitas nas redes sociais pelos próprios envolvidos”, argumenta.
DESTITUIÇÃO
Para Carlos Amastha, a presença de Rérison Castro nestas viagens também viola o Estatuto, o Regimento Interno e o Código de Ética do Sebrae. Isto o motivou a pedir ao conselho deliberativo da entidade o afastamento cautelar do superintendente, com sua posterior destituição ao fim do processo de apuração. A representação foi feita em 2 de dezembro, enquanto ainda era secretário da Indústria, Comércio e Serviços (Sics). Entre as irregularidades estariam o descumprimento do dever de austeridade e a utilização da posição para usufruir de viagens privadas de luxo.
PERMANÊNCIA DE RÉRISON CORRÓI CREDIBILIDADE DO SEBRAE
“A permanência do representado no cargo de superintendente corrói, dia após dia, a credibilidade do Sebrae, fragiliza a confiança dos conselheiros, empregados, parceiros e do público externo, e desmoraliza, na prática, qualquer discurso de integridade, compliance e boa governança. […] A omissão, após a consolidação de fatos dessa gravidade, converteria a exceção em regra e enviaria uma mensagem devastadora: a de que a ética é apenas retórica, de que o Código pode ser ignorado quando se trata de dirigentes bem posicionados e de que cargos de direção podem ser utilizados como passaporte para privilégios privados de alto luxo”
Carlos Amastha, vereador de Palmas em representação contra Rérison Castro ao Conselho Deliberativo do Sebrae.
SEBRAE DIZ NÃO TER QUALQUER RELAÇÃO COM AS VIAGENS
Em breve nota, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas resumiu em reforçar que “não possui relação com as viagens mencionadas, realizadas em aeronave locada pelo governo do Estado”. O órgão não comentou o pedido ao Conselho Deliberativo contra Rérison Castro.
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