A Guarda Metropolitana de Palmas (GMP) confirmou o afastamento de três membros da corporação que estavam de plantão na base da Praia da Graciosa no domingo, 15, no momento em que um caso de violência sexual foi registrado nas proximidades. Todos são alvo de uma sindicância para apurar suposta omissão. “Comportamento que fere o decoro e os deveres éticos de proteção à população previstos na legislação municipal”, afirma em nota.
ENTENDA
No domingo de Carnaval, uma mulher com sinais de embriaguez foi abusada por um homem na Praia da Graciosa. Vídeos compartilhados nas redes sociais registraram a vítima tentando afastar o suspeito, que se apresentou à Polícia na segunda-feira, 16, mas foi liberado para responder em liberdade. A informação é do G1. Além disso, há ainda imagens que sugerem que a gravação do caso teria ocorrido de dentro da base da Guarda Metropolitana.
PARTIDO DOS TRABALHADORES REPUDIA
Com a repercussão do caso, a Secretaria de Mulheres do Partido dos Trabalhadores no Tocantins emitiu uma dura nota de repúdio. “É inadmissível que mulheres sigam sendo violentadas em espaços públicos, expostas, humilhadas e transformadas em objeto de espetáculo. Mais grave ainda é qualquer indício de omissão ou conivência de quem tinha o dever legal de agir para impedir o crime. […] Circunstância que, se confirmada, representará não apenas um crime hediondo, mas também uma inaceitável quebra do dever funcional e da confiança da sociedade nas instituições”, apontaram.
Leia a íntegra das notas:
“A Prefeitura de Palmas, por meio da Guarda Metropolita de Palmas (GMP), informa que a Corregedoria instaurou, por meio da Portaria nº 005/2026, sindicância investigativa para apurar a conduta de três guardas que estavam de plantão no dia 15 de fevereiro de 2026. A medida visa investigar suposta omissão dos agentes diante de um crime de violência sexual, ocorrido nas adjacências da Base da Graciosa, comportamento que fere o decoro e os deveres éticos de proteção à população previstos na legislação municipal.
Os servidores foram afastados de suas funções até que a apuração seja concluída e as responsabilidades devidamente esclarecidas. A comissão designada pela Corregedoria conduzirá os trabalhos para preservar o interesse público e a integridade da instituição.”
NOTA DE REPÚDIO SOBRE O CASO DE ESTUPRO NA PRAIA DA GRACIOSA
Nós, da Secretaria de Mulheres do PT Tocantins, viemos a público manifestar nossa profunda indignação a respeito do caso de estupro e da filmagem do ato ocorrido no último dia 15/02, na Praia da Graciosa, em Palmas-TO.
A violência foi praticada contra uma mulher em situação de extrema vulnerabilidade, em um espaço público e nas proximidades de uma base da Guarda Metropolitana, o que torna os fatos ainda mais graves e alarmantes. Causam profunda indignação as suspeitas de que o crime tenha sido registrado em vídeo, com possível participação ou conivência de agentes públicos, circunstância que, se confirmada, representará não apenas um crime hediondo, mas também uma inaceitável quebra do dever funcional e da confiança da sociedade nas instituições.
É inadmissível que mulheres sigam sendo violentadas em espaços públicos, expostas, humilhadas e transformadas em objeto de espetáculo. Mais grave ainda é qualquer indício de omissão ou conivência de quem tinha o dever legal de agir para impedir o crime.
O crime revela basicamente duas faces perversas do sistema patriarcal: o “pacto da masculinidade” que consiste na conveniência social que há entre os homens com o intuito de protegerem seu interesse comum: a manutenção do poder patriarcal.
Nesse caso, sendo confirmadas as suspeitas, constata-se que os agentes públicos além de terem sido coniventes e não impedirem a violência, promoveram o crime ao filmarem e ridicularizem a vítima.
Esse comportamento tem relação com a outra face perversa do patriarcado: objetificação sexual dos corpos das mulheres. A violação dos corpos das mulheres ocorre diariamente, tanto em ambientes públicos quanto em espaços domésticos, fenômeno que é naturalizado devido à visão arraigada na sociedade por séculos, de que os corpos das mulheres serve ao prazer masculino e por isso podem ser utilizados sem seu consentimento.
Mesmo sendo crime, essas práticas persistem, sendo acobertadas e naturalizadas, pois ainda vivemos sob a égide do patriarcado que mata, viola, explora e naturaliza a exploração sobre os corpos das mulheres. Mas nós, mulheres feministas organizadas, queremos cobrar a celeridade das investigações, tanto por parte da Polícia Civil, quanto por parte da sindicância interna das instituições envolvidas, para que quem violou e quem filmou respondam pelos seus atos.
Exigimos ainda que, se confirmado que a filmagem foi feita por servidores públicos, que estes sejam exonerados de tais cargos, tendo em vista a gravidade de tamanha omissão da sua função.
Machismo mata, feminismo salva! Seguiremos atentas e em luta na construção de uma sociabilidade que respeite e valorize a vida das mulheres.
Palmas, 19 de fevereiro de 2026.“
















