Marco Antônio Gama
Especial para a CCT
O governador interino Laurez Moreira apresentou nesta segunda-feira, 24, um panorama das ações e ajustes implementados na gestão do Instituto de Gestão Previdenciária do Tocantins (Igeprev), durante coletiva de imprensa no Palácio Araguaia. Ao longo de quase duas horas, Laurez fez uma exposição técnica e política sobre decisões recentes que envolvem o fundo previdenciário, a relação com o Banco de Brasília (BRB), a revisão de gastos do governo e a interrupção do processo que permitiria a venda da participação do Estado na Energisa.
Com tom firme, o governador interino afirmou que encontrou distorções, atrasos e fragilidades herdadas da gestão anterior e que, por isso, a atual administração adotou uma diretriz de “cautela absoluta” na aplicação dos recursos. A apresentação também respondeu a dúvidas de servidores sobre possíveis riscos financeiros, tratou de pagamentos indevidos identificados no Igeprev e esclareceu a situação dos contratos financeiros que vinham sendo questionados nos últimos meses.
IGEPREV E COMPENSAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS

Durante a explanação, Laurez disse que mais de 426 processos de cobrança foram abertos para recuperar valores pagos indevidamente a segurados, após a constatação de falhas na folha, que antes era operada manualmente. Ele também destacou que a equipe identificou cerca de R$ 300 milhões em compensações previdenciárias junto ao INSS e ao governo de Goiás que estavam próximas de prescrever e que agora estão em fase de recuperação.
BRB, BANCO MASTER E INVESTIMENTOS
Outro tema que motivou questionamentos foi a relação do Tocantins com o BRB e o Banco Master. Laurez afirmou que não existe qualquer aplicação da atual gestão no BRB e que as duas aplicações antigas são consideradas “podres”. Ele também reforçou que não há histórico de aplicações no Banco Master. A política de investimentos, segundo o governador, segue orientação conservadora, pelo menos 80% dos recursos estão hoje em renda fixa, com foco em segurança e previsibilidade para os servidores.
DECISÃO SOBRE ENERGISA
Um dos anúncios mais aguardados tratou da venda de 23% das ações do Estado na Energisa Tocantins, proposta encaminhada na gestão anterior. Laurez informou que interrompeu o processo logo ao assumir o Governo e classificou a operação como “prejuízo certo” para o patrimônio público. Segundo ele, a participação atual do Estado gera cerca de R$ 70 milhões em dividendos por ano, além de garantir capacidade de influenciar investimentos da concessionária em regiões de maior vulnerabilidade.
CORTES E REORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA
Para equilibrar as contas sem vender ativos, o governador afirmou ter implementado redução significativa de despesas, incluindo cortes em viagens, revisão de frota, contenção de combustíveis e cancelamento de contratos considerados excessivos. Entre eles, estudos atuariais que chegavam a R$ 5 milhões foram substituídos por um novo serviço contratado por aproximadamente R$ 200 mil.
Ao encerrar a coletiva, Laurez afirmou que o objetivo da gestão interina é entregar o Estado com mais segurança fiscal e transparência na administração dos recursos. Segundo ele, o foco é garantir estabilidade ao sistema















