A cerca de 200 quilômetros de Palmas (TO), encontra-se um dos mais importantes patrimônios históricos do Tocantins. Natividade não é um projeto. Não é uma promessa. É uma realidade consolidada — preservada, estruturada e pronta.
O centro histórico, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), está bem cuidado. As ruas, as fachadas, as igrejas e as emblemáticas ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário formam um conjunto arquitetônico raro no Norte do Brasil. Ali, o passado não está abandonado. Está preservado. E mais do que isso: está organizado.
Natividade possui rede de hospedagem. São pousadas e hotéis simples, mas operantes, com capacidade instalada já disponível. Possui restaurantes, culinária regional estruturada, comércio ativo, produção artesanal reconhecida — especialmente as ourivesarias que mantêm viva a tradição do ouro que deu origem à cidade.
Possui guias locais. Possui festas religiosas consolidadas, como a tradicional celebração do Senhor do Bonfim. Possui patrimônio material e imaterial. Possui identidade. Não se trata de estruturar Natividade. A estrutura já existe. Trata-se de revelar Natividade.
Revelar ao Tocantins que temos um destino cultural consolidado a duas horas e meia da Capital. Revelar ao Brasil que o estado jovem também guarda raízes profundas. Revelar ao turista contemporâneo que busca autenticidade que aqui existe história verdadeira — marcada pelo ciclo do ouro, pela presença das pessoas escravizadas que também fazem parte dessa memória e por uma formação social que moldou nossa identidade regional.
Além disso, Natividade está posicionada estrategicamente como portal de entrada da Serras Gerais. O turismo histórico pode dialogar diretamente com o ecoturismo, ampliando a permanência do visitante, fortalecendo a economia local e promovendo desenvolvimento com responsabilidade. O mundo não busca destinos artificiais. Busca lugares autênticos. Natividade é autêntica.
O desafio não é investir milhões para construir algo novo. É integrar, comunicar, posicionar e inserir Natividade de forma estratégica nos circuitos turísticos do estado. É transformar o que já existe em narrativa estruturada de destino.
O Tocantins é jovem, mas sua história não é. E talvez o maior erro que possamos cometer seja imaginar que precisamos criar novos ícones quando já temos um patrimônio vivo, organizado e carregado de significado. Natividade não precisa ser reinventada. Precisa ser revelada.
MARCELLO DE LIMA LELIS
É secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Tocantins
















