CLEBER TOLEDO
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BOM DIA – Fernando Haddad, o candidato-poste ungido na carceragem

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BOM DIA – Fernando Haddad, o candidato-poste ungido na carceragem
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O bom da substituição feita pelo PT é que acabou a farsa da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aquele foi sem nunca ter sido, como a personagem Viúva Porcina, de Dias Gomes, na telenovela Roque Santeiro. Como Marcola e Fernandinho Beira-Mar mandam que seus sicários executem alguém fora do presídio, outro criminoso, Lula, determinou que o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação Fernando Haddad também execute o novo plano da organização do cadeeiro.

Assim, como disse a jornalista Vera Magalhães, no programa 3 em 1, da Jovem Pan, no final da tarde dessa terça-feira, 11, Haddad é o candidato-poste ungido na carceragem de Curitiba.

Assisti a entrevista do ex-prefeito paulistano na Globo News na quinta-feira, 6, fingindo-se de candidato a vice quando ele e todo mundo já sabiam que seria o presidenciável, e fiquei impressionado com o cinismo, do mesmo naipe dos demais grãos-petistas, algo que beira a sociopatia. É incapaz de fazer uma mísera mea culpa sobre os erros do PT no campo da moralidade e da condução da economia. Na verdade paralela de Haddad, nenhum petista esteve envolvido em corrupção na Petrobras, Lula é cadeeiro por perseguição de praticamente dez juízes entre primeira instância, TRF4, STJ e STF, inclusive, alguns desses magistrados indicados por ele ou por seu outro poste, Dilma Rousseff; e a crise econômica é fruto do “caos” que a direita fez no Brasil para derrubar a ex-presidente, não por equívocos dos mais absurdos do segundo governo de Lula e do período trágico-cômico da “estocadora de vento”.

Lógico, vem a ladainha toda de perseguição e outras bobagens para tratar o brasileiro como retardado mental. Quem quer sê-lo que o seja, eu me recuso a colocar esse chapéu de débil

CLEBER TOLEDO É jornalista e editor do CT

Pior: agora enfim candidato, o petista deu sinais claros de que fará um governo intervencionista, repetindo erros crassos dos antecessores da legenda, e, considerando as declarações recentes de seus superiores no partido, devemos esperar também um mandato autoritário, com censura à imprensa, freio no Ministério Público e total subordinação da Polícia Federal. Ou seja, com PT no governo, corremos o risco de voltar a tempos sombrios, dos quais queremos distância.

Gostaria de sugerir a leitura de “Anatomia de um desastre”, de Claudia Safatle, João Borges e Ribamar Oliveira, três jornalistas econômicos que radiografaram, a partir de dados oficiais, todo o trajeto dos três governos petistas até o poço em que nos colocaram, com a maior crise da história da República brasileira.

Das principais conclusões, o primeiro governo Lula foi muito bem porque o mercado internacional assim o permitiu, graças aos elevadíssimos preços das commodities impulsionados pelas importações sem precedentes da China, e pela fidelidade da administração petista ao tripé macroeconômico — regime de metas de inflação, metas fiscais e pelo câmbio flutuante —, tão amaldiçoado pela sigla, mas disciplinadamente aplicado pela influência do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles — tucano que tinha sido eleito deputado federal por Goiás e abdicou a pedido de Lula —, sobre o ministro da Fazenda na época, Antônio Palocci, e sobre o próprio comandante-mor do petismo.

Enquanto Meirelles conseguiu convencer Lula que o tripé macroeconômico era fundamental para manter a estabilidade conquistada pelo Brasil com o Plano Real, tudo foi bem. Contudo, após a reeleição em 2006 começaram as pressões da ala populista do PT para relaxamento do ascetismo de Meirelles. Enquanto a crise internacional começava a tomar corpo e a encurralar o Brasil, esses populistas pregavam irresponsavelmente que “um pouco de inflação faria bem” e que o aumento do gasto público movimentaria a economia, o que também, defendiam os acéfalos, seria muito bom com a crise que se avizinhava.

Com medo de não fazer seu poste 1, Dilma Rousseff, presidente em 2010, Lula cedeu. Meirelles deixou o BC, Palocci, que teve um papel importantíssimo ao segurar os populistas o quanto pôde, também saiu, já abatido pelos primeiros indícios de que o governo todo estava chafurdado na corrupção. Assim, a ala do populismo, capitaneada pelo tal Guido Mantega, imperou a partir daí e destruiu a economia brasileira.

Esse tal de Mantega implantou o que anunciava como o Santo Graal, a Nova Matriz Econômica, justamente baseada nos falsos pressupostos de que “um pouco de inflação faria bem” e que o aumento do gasto público movimentaria a economia. Deu no que deu.

Dois horrores foram, então, resgatados pelos governos do PT: a inflação, que começou a sair de controle depois de anos bem abaixo dos dois dígitos, e o déficit público, com aumento dos gastos da gestão.

Criou-se os tais “campões nacionais”, como a JBS, que receberam bilhões e bilhões de reais do BNDES, com juros subsidiados pelos brasileiros para enriquecer amigos dos petistas e contribuir para o financiamento escuso das campanhas do partido e seus aliados.

Renúncias fiscais sem qualquer estudo de impacto sério, prejudicando as contas de municípios e Estados, com a redução do FPM e FPE, já que o governo do PT abria mão de bilhões de IPI para a indústria de automóveis e eletrodomésticos de linha branca. Circunscreveram os benefícios a uns setores e depois foram incluindo outros conforme as pressões corporativas, sem o mínimo de planejamento.

Noutra frente, de olho nas eleições de 2014, o governo Dilma interveio no mercado de combustíveis e energia. Deu bilhões e bilhões de reais de prejuízos à Petrobras, regido pelo mercado internacional, para conter os preços e não se prejudicar na campanha eleitoral. Praticamente quebrou o sistema elétrico nacional. Como não entendia a complexidade da formação de preços desse setor, que envolve produtores, distribuidores e outras facetas nada simplistas desse mercado, a “presidenta” impôs uma redução de, se não me falha a memória, 18% na energia. O resultado é que o povo brasileiro, por conta desse populismo acéfalo, foi obrigado a arcar com uma dívida de R$ 62,2 bilhões com as concessionárias de energia no ano passado.

Assim, a “estocadora de vento” foi chutada do governo — e todos os anjos do céu digam “amém” por isso — com um contigente absurdo de desempregados (Dilma recebeu o País com taxa de 5,3% e entregou com 8,2%, mais de 11 milhões de pessoas), inflação já bem acima de dois dígitos e as contas públicas em frangalhos, com um déficit em 2016 de R$ 154 bilhões. Lógico que a crise não é contida com mudança de governo, ainda que Meirelles, que foi convidado por Lula para assumir no final do governo de seu poste mas recusou, tenha tomado medidas acertadas, mas a crise política se sobrepôs. O número de desempregados continuou crescendo por conta disso.

Pior é ver a esquerda agora querendo terceirizar essa responsabilidade. Não se enganem: a mais grave crise da história do País foi gerada e parida pelo PT. Talvez, se temer não tivesse sido tragado pelo mesmo escândalo da corrupção dos petistas, o Brasil teria se saído melhor. Mas, pensando bem, se ele não estivesse envolvido nas falcatruas, não teria sido comparsa, ops!, quer dizer, vice do PT nas eleições de 2010 e 2014.

O título do livro foi perfeito, “Anatomia de um Desastre”. É isso que queremos de volta para o Brasil?

Não preciso entrar na roubalheira toda do Mensalão e Petrolão. O governo cleptocrata desenvolvido nos 13 anos de petismo todos conhecemos bem. Lógico, vem a ladainha toda de perseguição e outras bobagens para tratar o brasileiro como retardado mental. Quem quer sê-lo que o seja, eu me recuso a colocar esse chapéu de débil.

Como os sicários de Marcola e Beira-Mar, Haddad ouviu na carceragem de Curitiba o que precisa fazer para executar o novo plano para a organização voltar a comandar o País.

Cabe ao povo brasileiro dar um não à organização de Lula, rejeitando o populismo no dia 7 de outubro e tomando o caminho mais difícil, o da seriedade e o da responsabilidade. Ou isso, ou nos preparemos para aguentar mais quatro anos de um novo desastre, mas sem a alta das commodities que transformaram Lula em “o cara”, nem Meirelles com a aplicação disciplinada do tripé macroeconômico.

CT, Palmas, 12 de setembro de 2018.

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