Um público de mais de 370 pessoas, entre servidores, profissionais e gestores da saúde municipal, estadual e federal, estudantes universitários e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) participaram da 10ª Conferência Municipal da Saúde, realizada no auditório da Afya/Unitpac, e que este ano propôs o tema “Saúde, Democracia, Soberania e SUS: cuidar do povo é cuidar do Brasil”.
O encontro foi a oportunidade para que toda a sociedade se unisse para debater os rumos da saúde pública e construir propostas para fortalecer o SUS no município. A conferência também teve a missão de gerar projetos que irão subsidiar o Plano Plurianual (PPA) e o Plano Municipal de Saúde para o período de 2028 a 2031, além de contribuir para a revisão das políticas já existentes.
Para a secretária da Saúde de Araguaína, Dênia Rodrigues Chagas, a união das três esferas de governo durante o evento é fundamental para discutir a saúde de forma global e com projetos que impactem o usuário na ponta do sistema, que são os municípios.
“Todas as nossas ações são com foco no cidadão, no paciente que dá entrada em qualquer serviço público de saúde em nossa cidade. Tivemos inúmeras discussões para melhorar essa prestação de serviço e nossa meta também é aperfeiçoar a comunicação entre os equipamentos do município, estado e União, de forma que cada ente conheça e trabalhe para atender nossas necessidades financeiras e de estrutura”, pontuou a secretária.
Responsabilidade de todos
Essa foi a terceira Conferência Municipal de Saúde que a enfermeira e servidora pública Myrna Elaine Dias Costa participou, duas delas como delegada. Ela conta que começou a vida profissional como residente em Saúde da Família, por isso conheceu de perto as principais necessidades do usuário do sistema. Para ela, a melhora na prestação de serviço do SUS precisa contar com a ação direta da comunidade e poderes públicos.
“Hoje, temos várias mídias explicando para os cidadãos qual é a finalidade de cada equipamento público de saúde, mas ainda assim parte da população confunde muito e por isso eu vejo que a Atenção Primária não consegue ser exercida como deve. Acho que precisamos ter mais consciência de como o sistema funciona, procurar os serviços certos conforme cada necessidade e lutar pela melhoria contínua de tudo”, contou Myrna.
Avanço em etapas
A 10ª Conferência Municipal da Saúde discutiu ideias e projetos em cima de quatro eixos principais: Direito à saúde e democracia; Financiamento do SUS; Emergências Climáticas e Justiça Socioambiental; e Modelo de atenção e cuidado integral. As discussões foram enriquecidas com as palestras da enfermeira Lorena Dias Monteiro e da professora Mísia Saldanha Figueiredo, que detalharam cada um dos eixos junto ao público.
No período da tarde, os participantes se reuniram em Grupos de Trabalho para oficialização das propostas e eleição dos delegados que vão representar Araguaína na 11ª Conferência Estadual de Saúde do Tocantins, prevista para abril de 2027. Após a etapa estadual, haverá a 18ª Conferência Nacional de Saúde, agendada para julho de 2027.
Foram eleitos 28 delegados para a etapa estadual, sendo sete representantes de trabalhadores do SUS, 7 representantes gestores e 14 representantes de usuários do SUS. As escolhas são feitas respeitando a representação paritária de 50% de usuários, 25% de trabalhadores e 25% de gestores/prestadores. Araguaína também definiu 30 projetos que serão levados para a conferência estadual.
Agnaldo Teixeira, presidente do Conselho Municipal de Saúde, lembrou que a conferência foi o espaço propício para que a comunidade levasse suas reclamações e sugestões para o aperfeiçoamento dos serviços públicos de saúde. “A saúde de Araguaína vai bem, mas é claro que sempre há o que pode ser melhorado. Precisamos da atuação ativa e contínua dos governos municipal, estadual e federal, mas também precisamos do empenho da comunidade, que tem que aceitar as normas e diretrizes do SUS para que, assim, possamos avançar”.













