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O Brasil de sempre

O Brasil de sempre
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Estimados leitores e leitoras! Como vocês estão? Visitaram a Agrotins 2019? É a maior feira da região norte do Brasil e coloca o Tocantins em evidência no agronegócio nacional e internacional. É uma das principais conquistas do Tocantins e que merece nossos aplausos. No dia 20 de maio teremos mais uma festividade importante, o aniversário de Palmas. Também uma conquista importante para o Tocantins e que merece o destaque alcançado no país, por sua qualidade de vida, sua beleza e pela integração de brasileiros de vários estados.

Vocês estão acompanhando o desempenho da economia brasileira?

A cegueira ideológica do povo e dos políticos brasileiros não permite que haja consenso para escolher o melhor caminho para o crescimento da economia brasileira. O Brasil não precisa de inimigos porque ele mesmo se destrói

TADEU ZERBINI É economista e consultor

A Selic é a taxa básica de juros da economia. É o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Ela influencia todas as taxas de juros do país, como as taxas de juros dos empréstimos, dos financiamentos e das aplicações financeiras. Hoje está em 6,5% ao ano. Mas de que adianta uma taxa de juros tão baixa se o brasileiro paga os maiores juros do mundo quando precisa usar cheque especial, fazer empréstimo ou pagar só uma parte de seu cartão de crédito?

Mesmo com esta taxa, são mais de 60 milhões de brasileiros inadimplentes. 40% dos nossos jovens estão inadimplentes. Não podem mais obter empréstimos, financiar aquisição de bens ou simplesmente, cuidar da saúde, educação e alimentação com o mínimo de qualidade. São mais de 50 milhões de brasileiros vivendo abaixo, repito, abaixo da linha de pobreza. São mais de 13 milhões de brasileiros desempregados.

Por outro lado, o país não consegue crescer. Em abril do ano passado o PIB brasileiro estimado para 2019 era de 3%, hoje já se fala em 1,45, mas alguns economistas e instituições financeiras já falam em 1%. A situação está muito parecida com a década de 80, ou seja, a década perdida. País que não consegue crescer significativamente fica estagnado e os problemas sociais tomam patamares assustadores.

Não se pode desassociar a economia da política e aí é que está o problema. Nossos congressistas só aceitam aprovar medidas impopulares se receberem algo em troca. Já há rumores de que nossos deputados e senadores exigem a criação de mais ministérios e por isto podem não aprovar a medida provisória que trata da organização administrativa do poder executivo e que diminuiu a quantidade de ministérios.

Como um país pode desenvolver e crescer se existe uma única empresa que vende combustível? O discurso de que o petróleo é nosso caducou. Precisamos evoluir e sermos competitivos. Na era do comércio virtual, uma única empresa é que pode fazer entregas. Estamos discutindo o futuro, mas continuamos com os princípios e paradigmas do milênio passado. Temos um governo de direita com viés de esquerda. Coisa de país atrasado e povo acomodado.

São poucos bancos para atender a população e os empresários. Dentre eles o Banco do Brasil e a Caixa. Esta restrição da quantidade de bancos não permite uma concorrência saudável para beneficiar a população e os negócios. Os bancos lucram até com as portas fechadas. É uma situação que precisa ser discutida pela sociedade. São poucas empresas aéreas para atender a demanda interna e continua assim porque alguém quer, não é mesmo?

A cegueira ideológica do povo e dos políticos brasileiros não permite que haja consenso para escolher o melhor caminho para o crescimento da economia brasileira. O Brasil não precisa de inimigos porque ele mesmo se destrói e leva junto os brasileiros menos favorecidos que nem percebem o que anda acontecendo no congresso nacional. Somos uma piada internacional.

A discussão esquerda-direita demonstra ao mundo que o Brasil é um país ultrapassado, medíocre e infantil. O mundo discute modelos de gestão que venham a beneficiar o povo e não a grupos políticos. Se o modelo de gestão for bom para um país tanto faz ele ser de esquerda ou de direita. Temos visto isto por toda a Europa e lá, o povo quer é qualidade de vida.

De que adianta ser da direita e o povo ficar desempregado e desalentado? Da mesma forma, de que adianta ser da esquerda se o povo passa fome? O populismo não gera emprego, não fornece comida e não salva vidas em hospitais. As discussões nas redes sociais não fazem nem cosquinhas nas decisões dos nossos políticos. Eles também dispõem de funcionários e empresas bem pagas para representa-los nas redes e com muito mais eficiência.

No domingo passado comemoramos o dia das mães com presentes e almoços deliciosos. Mas pensamos naquelas mães que estão desempregadas, com os filhos nos corredores de hospitais morrendo sem a devida atenção? Pensamos naquelas mães que tem filhos viciados em drogas e que são presos e mortos diariamente? Pensamos naquelas mães que rezam ou oram todos os dias para que seus filhos consigam um emprego?

O maior esforço que o brasileiro faz é postar sua opinião nas redes sociais e muitos defendendo ou acusando sem saber o que estão fazendo. Pode ser que quando abrirem a capa do olho seja muito tarde. É hora de união por um país mais justo, mais unido e com menos ódio.

Já falei sobre este assunto diversas vezes e por muitos anos e parece que continuarei a falar, pois nada muda e os culpados somos nós mesmos que não pensamos no coletivo para resolvermos nossos problemas tão urgentes e que estão escurecendo o futuro dos nossos jovens.

A discussão agora é bomba atômica. Danou-se.

Mas temos lagostas, camarões e vinhos premiados no Supremo. Basta ser convidado.


TADEU ZERBINI
É economista, especialista em Gestão Pública, professor e consultor
ctzl@uol.com.br


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