No carnaval, a pessoa com deficiência não está na festa para te inspirar, está para curtir, dançar e, acima de tudo, para se divertir. Se você se assustar ou ficar espantado porque viu uma pessoa com deficiência nos blocos, na avenida do samba você é capacitista!
Capacitismo é tratar a pessoa como se ela fosse menos capaz, como se fosse vitoriosa só por estar ali e, durante o ano todo, fingir que ela não existe e ainda falar: “Meu Deus, quanta inspiração, que exemplo de superação! Como você conseguiu chegar aqui, hein?” Ou falar com ironia: “Você vai aguentar a festa toda? Será?” Mas a forma como olham para a gente, com cara de surpresa, é a melhor. Por favor, jamais faça isso.
Se quiser realmente nos ajudar, nos comprimente normalmente, converse com a gente como com qualquer outra pessoa, tente nos tratar igual. Sei que é difícil, mas tente. Você vai conseguir. Ah, e, se for oferecer ajuda, pergunte primeiro, viu?
Como seria bom nos incluir na festa de carnaval, não porque somos “heróis”, mas, sim, porque somos pessoas com deficiência que trabalham, namoram, dançam, viajam e, acima de tudo, se divertem. Entenda que saímos de casa e queremos ganhar o “mundo”.
P.S.: O motivo desse texto: aconteceu comigo em uma festinha pré-carnavalesca, em uma cidade do interior do estado.
AGNALDO QUINTINO
É administrador, empreendedor educacional, palestrante, gago, surdo e feliz
quintino153@gmail.com
















