Foge do nosso entendimento, puramente humano, determinados fatores e fatos que ocorrem no dia a dia. Muitos por não atentarem para sua natureza e sutileza, outros por buscarem explicações utilizando os limitados recursos que a terceira dimensão oferece.
Na realidade existem forças no mundo que não se veem, mas movem tudo. O vento empurra as nuvens, as raízes sustentam florestas inteiras e o amor mantém mães acordadas durante madrugadas sem esgotarem suas energias.
Mas existe uma força ainda mais sutil, daquelas que não apenas movem o mundo, mas, também, movem o coração. O Sábio dos sábios a chamou de fé.
Ele não a apresentou como algo pesado, cheia de ritual, muito menos burocrático. A fé de Jesus cabia na palma da mão, como um grão de mostarda. Era simples, mas com um poder que assusta quem não acredita em milagres de portas abertas e almas levantadas.
Ele ensinou que fé era dar o primeiro passo quando o chão ainda não existe. Era lançar a rede ao mar depois de uma noite inteira de vazio, acreditando que Deus ainda guarda surpresas nas profundezas. Era tocar o manto quando já não havia médicos nem esperança escrita nas receitas. Era caminhar sobre as águas, mesmo que a lógica gritasse que aquilo não era possível.
A fé que Jesus pregou não era uma fuga da realidade, era um convite para transformá-la. Ele mostrava que acreditar não muda apenas o que a gente sente, muda o que acontece. Cegos viam, coxos andavam, tristes reencontravam o sorriso…e mortos despertavam para a vida. Tudo porque alguém ousou crer.
Hoje, quando o mundo pesa e a esperança parece escassa, essa fé continua viva. Pequena talvez, às vezes tímida, às vezes tremida. Mas ali, firme como uma rocha debaixo das ondas.
Jesus ainda sussurra ao coração de quem duvida: “Se tiveres fé do tamanho de um grão de mostarda…” A frase nunca termina por completo. Ela se abre como uma porta, porque a continuação não está nos livros, nos diplomas ou nas honrarias e nas vaidades puramente humanas, não está nas discussões estéreis e acadêmicas, não está nas justificativas vazias dos que se dizem ateus, está nas mãos e no coração de quem acredita.
“Quem tem ouvidos que ouça, quem em olhos que veja!”
JOSÉ CÂNDIDO PÓVOA
É poeta, escritor e advogado; membro-fundador da Academia de Letras de Dianópolis.
candido.povoa23@gmail.com















