A diversidade geológica do Tocantins o consolida como um polo estratégico para a mineração no Brasil. A região se destaca na produção de recursos essenciais, como o calcário, base para o agronegócio e a construção civil, e o fosfato, fundamental para a produção de fertilizantes. Em 2024, o estado alcançou a 5ª posição nacional na exploração desses dois minerais.
Outro destaque é o ouro, onde o território tocantinense já figura entre os 10 maiores exportadores do país, com a previsão de grandes projetos que impulsionarão ainda mais essa posição. Além desses, o Tocantins possui potencial significativo para a extração de outros bens minerais, como cobre, níquel e terras raras, elementos críticos para a transição energética e tecnológica global.
A atividade extrativa não se resume apenas à extração de minerais; é um setor que movimenta a economia e gera prosperidade. Em 2024, a indústria mineral no Tocantins foi responsável por cerca de 26.760 empregos diretos e indiretos, com a expectativa de que grandes empreendimentos, como a mina de ouro em Monte do Carmo, gerem mais de 2 mil novos postos de trabalho e atraiam investimentos de mais de R$ 1 bilhão. A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) em 2024 atingiu a marca de R$ 30,2 milhões, recursos que são revertidos para investimentos em infraestrutura, saúde e educação nos municípios produtores.
A relevância do segmento se estende para além do presente, sendo fundamental para a produção de bens do dia a dia e para as tecnologias do futuro. Dos smartphones que utilizamos aos carros elétricos que reduzem a emissão de carbono, dos equipamentos médicos de alta precisão aos painéis solares que geram energia limpa, todos dependem da extração de minerais. Substâncias como o lítio, o grafite e as terras raras, também encontrados no Tocantins, são a base para baterias, eletrônicos e semicondutores. Assim, o setor do estado não apenas sustenta as indústrias tradicionais, mas também se posiciona como um fornecedor-chave para a revolução tecnológica e a economia verde global.
Para que o avanço gerado por essa indústria seja mais inclusivo, é crucial fortalecer a cadeia produtiva em todos os níveis. O cooperativismo se destaca como uma ferramenta poderosa para o pequeno minerador, permitindo que os mineradores artesanais e de pequeno porte se organizem para obter melhores condições de compra, acesso à tecnologia e negociação de seus produtos. Essa união promove uma atividade minerária mais segura, sustentável e legal, além de dar ao pequeno produtor um poder de mercado que ele não teria sozinho.
Ao atrair iniciativas extrativas de nível nacional e internacional, o Tocantins busca agregar valor à cadeia produtiva. Em vez de apenas extrair e exportar a matéria-prima bruta, o foco é incentivar a instalação de indústrias de transformação dentro do estado. Por exemplo, a produção local de fertilizantes a partir do fosfato e de cimento e calcário agrícola a partir do calcário criaria mais empregos e fortaleceria a economia, reduzindo a dependência de produtos de fora.
Por consequência, a mineração no Tocantins vai muito além da simples extração: ela é um pilar do desenvolvimento econômico, impulsionado pela riqueza mineral, pela geração de empregos e pela atração de investimentos. O futuro do segmento reside na exploração inteligente e sustentável, no fortalecimento dos pequenos produtores e na agregação de valor local, transformando o potencial geológico em prosperidade para todos.
JÚLIO EDSTRON SECUNDINO SANTOS
É Presidente da Mineratins
















