No Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, comemorado neste 3 de dezembro, o Brasil precisa encarar um dado: mais de 18 milhões de brasileiros e no Tocantins mais de 140 mil têm algum tipo de deficiência, mas não chegam a 1% nos cargos de liderança, gestão ou espaços de poder.
Somos milhões… mas seguimos invisíveis onde as decisões são tomadas.
E quando uma pessoa com deficiência chega lá, quase sempre é tratada como símbolo, como herói. Não como protagonista.
É isso que a pesquisa mostra: muita fala bonita, muita promessa… e pouca transformação real.
Na política, no mercado de trabalho, nas empresas e na comunicação.
Segundo estudos e dados do IBGE, a representação das pessoas com deficiência ainda é majoritariamente simbólica: existe no discurso, mas não muda a vida de ninguém.
E isso se agrava quando pensamos na diversidade dentro da deficiência:
O gago.
O surdo oralizado.
O autista.
A pessoa com deficiência física.
A pessoa com deficiência intelectual.
Cada história carrega barreiras diferentes — mas a mesma ausência: não estamos nos espaços onde deveríamos estar.
No Tocantins, por exemplo, a pesquisa mostra que a representação política das pessoas com deficiência é frágil, distante e pouco eficaz.
Em âmbito nacional, o cenário é igual: as decisões sobre nós continuam sendo tomadas… sem nós.
E o que isso revela?
Que ainda vivemos presos ao modelo antigo, biomédico, que nos enxergava como problema individual quando, na verdade, o problema sempre foi social: a barreira está na estrutura, não na pessoa.
Neste dia, a mensagem é simples:
Pessoas com deficiência não precisam de proteção. Precisam de poder. De voto. De voz. De cadeira na mesa onde o Brasil é construído.
Não somos minoria.
Somos um Brasil inteiro esperando para ser representado de verdade.
E isso começa quando deixamos de falar sobre pessoas com deficiência e começamos a falar com elas.
E, principalmente, quando deixamos que elas mesmas falem por si.
Porque representatividade não é presença simbólica.
É uma transformação concreta.
E o Brasil, e principalmente o Tocantins, ainda está devendo.
AGNALDO QUINTINO
É administrador, empreendedor educacional, palestrante, gago, surdo e feliz
quintino153@gmail.com














