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Bolsonaro ou Haddad, eis a questão!

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Bolsonaro ou Haddad, eis a questão!
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Ser ou não ser, eis a questão. “Ser ou não ser, eis a questão” é a famosa frase dita por Hamlet durante o monólogo da primeira cena do terceiro ato na peça homônima de William Shakespeare. Por mais que a questão pareça complexa, na verdade é muito simples. Ser ou não ser é exatamente isso: existir ou não existir e, em última instância, viver ou morrer. A vida é cheia de tormentos e sofrimentos, e a dúvida de Hamlet é se será melhor aceitar a existência com a sua dor inerente ou acabar com a vida.

No ano em que a Constituição Federal completa 30 anos e a consequente redemocratização do Brasil, o processo eleitoral de escolha de Presidente da República é marcada por singularidades ainda não vista na historia recente do país. A disputa eleitoral é norteada por ideais extremistas, representadas na pessoa de dois personagens antagônicos, reduzindo a discussão política presidencial a praticamente uma briga de vizinhos.

É lamentável que, dentre mais de 200 milhões de habitantes, o Brasil não conseguiu revelar novos talentos que pudessem melhor nos representar, conduzir o país ao desenvolvimento que necessitamos e merecemos

RAUCIL APARECIDO É professor universitário

Penso que os temas que devem dominar as propostas de governo, são ações eficazes pra melhoria da saúde, da educação, da economia, da segurança publica, a geração de emprego e renda, enfim, assuntos que envolvem todos os brasileiros indistintamente de raça, credo, sexo, cor ou quaisquer outras formas de discriminação, conforme dispõe nosso texto constitucional. No entanto, o que se tem presenciado é um circo de acusações de ambos os lados no sentido de questionar opção sexual, racismo, distinção entre homens e mulheres, não que esses temas sejam irrelevantes, todavia, não deveriam ser o vértice do debate político presidencial, até porque é ilusório e fantasioso imaginar que as condições constitucionais permitiriam ao Presidente da República maleficiar ou beneficiar qualquer brasileiro com base em preceitos de raça, sexo ou algo do tipo.

Pra que não seja confundido ou taxado de tendencioso a quaisquer dos nomes que disputam o segundo turno nessa eleição, deve se deixar claro que em nossa avaliação, nos deparamos com a pior safra de candidatos a presidente de nossa historia de redemocratização, candidaturas mau formatadas com personagens incompletos, referenciados em comoção pública, indicação pessoal e fama. Nesse processo, a população não se ateve a critérios racionais ou propostas concretas pro desenvolvimento do Brasil, teremos uma decisão presidencial pautada no chamado “OBA,OBA”.

Fundamentalmente se restringindo aos fatos, passemos a analisar nossos candidatos de segundo turno, primeiro Fernando Haddad, esse candidato é o chamado “biônico”, sem referencial ou folha de serviços prestados que o credencie a ser um candidato competitivo, sua ascensão se deve única e exclusivamente ao apadrinhamento do ex-presidente Lula, não há comprometimento com um plano de governo debatido ou compartilhado com os segmentos sociais. Representa um grupo que já ocupou o Governo por 16 anos consecutivos que inegavelmente protagonizaram um episódio de
redistribuição de renda (bolsa família, minha casa minha vida, Pró Uni entre outros programas sociais relevantes), inegável também é a habilidade e desenvoltura do seu líder maior, o Ex-Presidente Lula, que soube conduzir e promover a unidade interna de seu partido e aliados obtendo reconhecido aprovação popular com tamanha solidez que, ainda, mesmo preso, o coloca na disputa presidencial e garante que o seu substituto seja projetado do anonimato ao páreo do pleito. Contudo, governos longos tendem inevitavelmente a render-se ao comodismo, aos vícios setoriais, ao compadrio e à corrupção. E com o Partido dos Trabalhadores (PT) não foi diferente, evidentemente há dentre seus membros, pessoas sérias e comprometida com as questões sociais, verdadeiramente promotores ou colaboradores de ações positivas ao povo brasileiro, no entanto, sua cúpula foi comprometida com a corrupção sistêmica irradiada por quase toda administração federal, que comprovadamente, causou sérios danos ao erário publico, imergindo o Brasil numa profunda crise política, culminando na quase falência dos serviços públicos e travando o desenvolvimento econômico.

Não nos é confortante ou prazeroso, ter na historia do Brasil, representantes políticos, ex ministros de estado, grandes empresários, dentre estes um cidadão que ocupou o cargo máximo da nação (Presidente da Republica), enclausurado por corrupção, é vergonhoso pro país perante a comunidade internacional e pra nós mesmos. Em fim, seja com corrupção comprovada, seja com seu líder maior preso, o Partido dos Trabalhadores goza da confiança de parcela relevante da população no sentido de conduzir o futuro do Brasil na pessoa de Fernando Haddad.

De outro lado, analisemos o candidato Jair Bolsonaro, conservador de extrema direita, polêmico em seus pensamentos, firme em suas convicções, desapegado dos grupos econômicos e políticos, protagonista de uma onda anticorrupção, a antítese do sistema politico deteriorado instalado no Brasil a décadas e enaltecido no governo de quatro mandatos petista. Homem de longa experiência parlamentar, entretanto, nenhuma administrativa, defensor de ideias revolucionárias (liberação de armas, pena de morte, redução da maioridade penal, castração química de estupradores, entre outras) algumas de certa forma impraticáveis diante da legislação brasileira, contudo, sua postura na representação política na Câmara dos Deputado, o credencia pra esse momento do Brasil, pois não se tem noticias de envolvimento com empresas, corrupção, vantagens ou benefícios indevidos, além de sua posição contrária aos partidos ao qual pertenceu em apoio a projetos que não fosse de seu convencimento. Revelando assim, conduta ilibada, própria da representação parlamentar, porém reitero, que tal postura não faz do candidato Jair Bolsonaro melhor que os demais e sim, um cumpridor da obrigação nobre de quem exerce cargo publico.

Portanto, é lamentável que, dentre mais de 200 milhões de habitantes, o Brasil não conseguiu revelar novos talentos que pudessem melhor nos representar, conduzir o país ao desenvolvimento que necessitamos e merecemos. O segundo turno é imutável, não há mais o que fazer, mais uma vez o povo brasileiro se vê com poucas opções, que de certa forma, é por culpa do próprio povo que não se interessa pelo processo eleitoral com a antecedência e a atenção que a relevância da decisão exige. Em 30 anos cometeram-se erros e acertos na escolha dos representantes brasileiros, o que é naturalmente compreensível, no entanto, deve-se conquistar o amadurecimento, já foi dado o primeiro passo, o candidato Jair Bolsonaro, surgiu de uma manifestação espontânea de parcela relevante da população, diferente de Fernando Haddad que é mera indicação pessoal do Ex Presidente Lula. Onde ambos representam dois extremos do pensamento brasileiro, dividindo opiniões e firmando legiões de seguidores. Mas devemos lembrar que em um estado democrático, posicionamentos ideológicos não devem ser confundidos com ódio ou segregação, sendo estes atributos próprios de povos atrasados e subdesenvolvidos. A alternância de poder é pilar da democracia, sendo obrigatória para o fluir do desenvolvimento e crescimento de um país, e que governos não devem em absoluto, serem decididos por empolgação ou mera gratidão pessoal. Por certo que nessa altura do campeonato os projetos e propostas de governo se perderam, a população não mais se interessará em discutir com discernimento e equilíbrio, o que deveria, o que restaram foi, de um lado Bolsonaro, propondo uma mudança radical no sistema politico brasileiro e de outro Haddad, representante de um grupo que já foi oportunizado governar o Brasil, marcado pela corrupção, quem estrategicamente seria adequado ao momento pra promover transformações que melhorem a vida do povo brasileiro, EIS A QUESTÃO!


RAUCIL APARECIDO
É professor universitário e mestre em Direito Constitucional
professorraucil@gmail.com

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