Marco Antônio Gama
Especial para a CCT

O encontro estadual do PSD realizado na manhã desta quarta-feira, 25, no auditório da ATM, em Palmas, funcionou, na prática, como o lançamento da pré-candidatura do vice-governador Laurez Moreira ao governo do Tocantins. Com auditório cheio, presença de lideranças nacionais e estaduais e uma sequência de filiações e discursos, o evento tirou a pré-campanha do social-democrata do campo das projeções e a colocou de forma mais explícita no tabuleiro de 2026.
Ao lado do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, do senador Irajá Abreu, de ministros e de pré-candidatos às chapas proporcionais, Laurez adotou um discurso de enfrentamento político e de contraste com o momento atual do Estado.

TOCANTINS PRECISA SAIR DAS PÁGINAS POLICIAIS
Sem citar diretamente adversários, Laurez afirmou que o Tocantins precisa “sair das páginas policiais” e voltar a ser lembrado por produção, emprego e desenvolvimento. Também disse que não depende da máquina pública para disputar a eleição e relatou ter recebido ligações de prefeitos que, segundo ele, evitam exposição agora, mas prometem apoio no momento da campanha.
CHANCELA DA DIREÇÃO NACIONAL E CHAPA EM CONSTRUÇÃO
Kassab deu ao encontro o selo que faltava. Diante do público, afirmou a Laurez: “Você vai ser governador”, numa fala que foi recebida como chancela formal da direção nacional à candidatura. Mais tarde, ao tratar da composição majoritária, o presidente indicou a prioridade do PSD no Estado: eleger Laurez ao Palácio Araguaia e reconduzir Irajá ao Senado. Sobre a segunda vaga ao Senado, deixou o caminho aberto ao dizer que poderá ser preenchida por composição ou por um nome do próprio partido, sinal de que a chapa ainda está em construção e de que há espaço para negociação com aliados.

MANTOAN TROCA DE NINHA E APROXIMA DE VEZ O GRUPO DE CINTHIA
Um dos movimentos de maior peso político no evento foi a filiação do deputado estadual Eduardo Mantoan ao PSD. Ao dizer que o “tucano sem ninho achou um lugar para pousar”, o parlamentar confirmou publicamente sua chegada à sigla e reforçou a aproximação do grupo da ex-prefeita Cinthia Ribeiro com o projeto de Laurez. A entrada do parlamentar tem efeito que vai além da nominata estadual: amplia a interlocução com Cinthia e mantém em aberto a discussão sobre qual papel a ex-prefeita poderá desempenhar em 2026, seja numa candidatura proporcional, seja numa composição majoritária mais adiante.
KASSAB EVITA FECHAR A CHAPA, MAS DEIXA RECADOS SOBRE 2026
Se por um lado o presidente nacional do PSD reforçou a prioridade em torno de Laurez e Irajá, por outro evitou cravar as demais peças da chapa. Também nacionalizou parcialmente o debate ao afirmar que o partido mantém Eduardo Leite e Ronaldo Caiado como pré-candidatos à Presidência da República e que a escolha entre os dois “não é simples”. No plano local, a fala foi lida como tentativa de manter o PSD com margem de manobra nas alianças, sem fechar desde já a porta para novos arranjos estaduais.
CARLESSE REAPARECE, PEDE VOTO POLÍTICO E REABRE RUÍDO
Quem também roubou parte da cena foi o ex-governador Mauro Carlesse, que subiu o tom ao defender Laurez como “melhor caminho” para o Estado e voltou a criticar o próprio afastamento, classificado por ele como um “absurdo”. Pré-candidato a deputado federal, ele tentou se reposicionar como ativo político do grupo, mas sua presença e seu discurso também adicionam ruído a uma frente que busca vender estabilidade, gestão e previsibilidade como marcas da pré-campanha. No ambiente político, a participação do ex-governador tende a dividir opiniões mais do que somar consensos.

PSD SONHA COM SEIS DEPUTADOS ESTADUAIS E TRÊS FEDERAIS
O senador Irajá, por sua vez, atuou como fiador do palanque. Disse que o encontro marcou a “largada rumo à vitória”, defendeu campanha “limpa, propositiva e com altivez” e projetou força eleitoral para as chapas proporcionais, estimando a eleição de seis deputados estaduais e de dois a três federais numa composição liderada pelo PSD. Também acenou a segmentos organizados, como os agentes comunitários de saúde presentes no evento, ao prometer atuação em defesa da PEC 14, num gesto que combinou mobilização eleitoral e agenda legislativa.
MAJORITÁRIA SEGUE INDEFINIDA
No conjunto, o ato do PSD deu densidade política à pré-candidatura de Laurez e mostrou que o grupo trabalha com um eixo razoavelmente definido: Laurez para o governo, Irajá para o Senado e uma segunda vaga ainda em negociação. O que permanece em aberto, e deve concentrar a atenção das próximas semanas, é justamente o ponto mais sensível da montagem: com quais partidos o vice-governador fechará, quais nomes serão acomodados na majoritária e até que ponto a entrada de novos aliados ampliará ou tensionará um palanque que, nesta quarta-feira, deu seu passo mais visível até aqui.












