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No “Roda Viva”, Kátia diz que vê Bolsonaro “a favor da pandemia”, acredita em candidatura de centro em 2022 e não teme golpe à democracia

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A senadora Kátia Abreu (Progressistas) participou na noite dessa segunda-feira, 5, do programa de entrevista Roda Viva, da TV Cultura. A tocantinense falou da atuação pela garantia de vacinas contra a Covid-19 no País por meio das relações exteriores e não deixou de tocar em pautas políticas. A bancada de entrevistadores foi formada por Patrícia Campos Mello, repórter especial da Folha de S. Paulo, escritora e comentarista do Jornal da Cultura; Henrique Gomes Batista, repórter especial e ex-correspondente do jornal O Globo em Washington; Daniel Ritter, repórter do Valor Econômico; Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV e colunista do El País; e Thaís Oyama, colunista do UOL e apresentadora do Linhas Cruzadas, na TV Cultura.

Bolsonaro a favor da pandemia

Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, Kátia Abreu elencou a diplomacia como o meio que vai fazer com que o Brasil tenha vacinas. A senadora aproveitou para criticar a decisão do Palácio do Planalto de “comprar brigas” com Estados Unidos, China e União Europeia, o que prejudicou a imagem do País, situação que foi deteriorada ainda mais com o posicionamento em relação a Covid-19. “A pior luta que decidiu empreender foi a favor da pandemia. Eu só posso enxergar [isto]. Um presidente da República [Jair Bolsonaro, sem partido] que se recusa a usar máscaras, que se recusa ao isolamento, e provoca isto constantemente; que se recusa a divulgar o quanto é importante os estabelecimentos arejados, provocando e receitando medicamentos que não são usados em lugar nenhum do mundo. Esta é a 4ª guerra do presidente inglória”, afirmou.

Ato covarde dos incompetentes

Kátia Abreu também falou do episódio em que o ex-ministro Relações Exteriores Ernesto Araújo insinuou que teria tentado um lobby a favor da China na disputa com os americanos sobre tecnologia 5G. A tocantinense não poupou críticas. “É um ato covarde dos incompetentes. Como não pode justificar a sua incompetência diplomática, ele resolveu demonstrar para sua galera, seus amiguinhos que foi na verdade demitido porque resistiu a um movimento corrupto. Isto dá uma tranquilidade a ele, talvez na sua consciência, se é que existe; faz bonito para sua claque, e mancha as instituições, porque quando fui ao Itamaraty foi representando o Senado Federal”, avaliou. 

CPI da Covid-19 não traria vacinas

Kátia Abreu reforçou ser contra a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidades na condução da pandemia. “Neste momento vai trazer vacina e evitar mortes? Tenho a convicção que não”, justificou. Ainda no âmbito político, a senadora foi abordada para manifestar preferência em um cenário de disputa presidencial entre Jair Bolsonaro (sem partido) e Ciro Gomes (PDT) – de quem foi candidata a vice em 2018 -, mas evitou se posicionar. “Não tenho outras opções?”, brincou a tocantinense antes de decretar: “Não gosto de trabalhar com hipóteses”.

Candidatura de centro

Ainda sobre política, Kátia Abreu foi questionada também sobre um cenário polarizado entre Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula da Silva (PT) em 2022, mas projetou uma outra possibilidade. “Observei que tem de 40% a 43% dos brasileiros que não gostariam de nenhuma das duas opções aos extremos. Acredito nesta pesquisa. Nada contra um ou outro, mas o eleitor está com vontade de sair dos extremos e ter uma alternativa mais de centro, mais equilibrada”, disse a senadora, que também evitou comentar a hipótese de ser vice-presidente de uma candidatura do petista, que ainda brincou: “Candidata a vice não existe”.

Militares estão maduros

Kátia Abreu também disse não temer qualquer ato golpista contra a democracia brasileira, como foi ventilado após a movimentação de Jair Bolsonaro junto às Forças Armadas. “Não tenho a menor preocupação [de ameaça à democracia], mesmo porque a reação dos militares foi maravilhosa. Se houve algum comando que não pôde ser cumprido, e não sei qual foi e nem quero saber, os militares disseram ‘não’. Os militares estão muito maduros, protegendo a Constituição e, portanto, a democracia. Se alguém imaginou que talvez o Bolsonaro quisesse dar um golpe – o que nunca acreditei -, acho que quem foi golpeado foi o presidente pelo comportamento dos militares”, disse.

Veja a íntegra da entrevista:


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