O Tocantinópolis Esporte Clube (TEC) e o prefeito Fabion Gomes (PL) foram alvos nesta quinta-feira, 12, da Operação 2º Tempo. A Polícia Civil do Tocantins (PC) investiga suposto esquema de desvio de recursos públicos do município para o time de futebol. As equipes cumpriram oito mandados de busca e apreensão em endereços residenciais, órgãos públicos e na sede da entidade esportiva. Na ocasião, R$ 8 mil em espécie foram apreendidos.
INVESTIGAÇÃO A PARTIR DE RELATÓRIOS DO COAF
As investigações apuram a suspeita de prática dos crimes de peculato, falsidade ideológica, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Os trabalhos tiveram início a partir de relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontaram movimentações suspeitas relacionadas a repasses de recursos públicos ao clube esportivo.

ESQUEMA EM TRÊS EIXOS
De acordo com a investigação, o esquema seria estruturado em três eixos principais. O primeiro consistiria na autorização de repasses irregulares de recursos públicos ao clube por gestores municipais, mesmo diante de decisões reiteradas do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE) que apontavam a ilegalidade dessas transferências.
TEC COMO ESTRUTURA DE FACHADA
O segundo eixo envolveria o uso da entidade esportiva como estrutura de fachada, com a suposta falsificação ideológica de documentos, como atas e recibos, para conferir aparência de legalidade às transferências financeiras, que não teriam relação comprovada com atividades esportivas ou interesse público.
PREJUÍZOS ACIMA DOS R$ 5 MILHÕES
Já o terceiro eixo estaria relacionado à redistribuição e ocultação dos valores, que após serem transferidos para as contas da entidade, eram pulverizados para contas pessoais de dirigentes e terceiros ligados ao esquema. As investigações identificaram intensa movimentação financeira e saques em espécie, prática comumente utilizada para dificultar o rastreamento da origem dos recursos. O prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 5.141.154,17.
OPERAÇÃO MOBILIZA MAIS DE 30 AGENTES
A ação foi realizada pela 1ª Divisão de Repressão ao Crime Organizado, com apoio da Diretoria de Repressão ao Crime Organizado (Dracco), do Grupo de Operações Táticas Especiais (Gote), da 1ª Divisão Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), da 3ª Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa de Gurupi (DHPP-Gurupi) e da Divisão de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DRCOT). Ao todo, a Polícia Civil mobilizou 34 policiais civis, sendo 32 investigadores e dois peritos, que atuaram na coleta de documentos administrativos, dispositivos eletrônicos e registros contábeis que poderão subsidiar o andamento das investigações.
BUSCA E APREENSÃO
Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão, em locais estratégicos, incluindo residências de investigados, a sede do clube esportivo e setores da prefeitura. Para além do clube e do Paço, um dos investigados é militar da ativa e por isso a Polícia Militar do Tocantins (PMTO) também prestou apoio no cumprimento dos mandados.
BATISMO
A denominação Operação 2º Tempo faz referência ao “segundo tempo” de uma partida de futebol, simbolizando a continuidade do enfrentamento a esquemas ilícitos que, segundo as investigações, teriam utilizado o esporte — uma das grandes paixões nacionais — como instrumento para práticas ilegais.

NÃO HÁ IRREGULARIDADE NOS REPASSES, QUE ESTÃO SUSPENSAS POR DECISÃO
O prefeito Fabion Gomes (PL) foi a público falar sobre a Operação 2º Tempo em postagem nas redes sociais. No vídeo, o liberal afirma que a atual gestão e nem as anteriores tem relação com qualquer irregularidade. Segundo afirma, todos os ex-gestores – citando além dele, José Bonifácio, Antenor Queiroz e Paulinho Gomes – repassaram recursos ao TEC de forma legal e acrescenta que, apesar de haver uma suspensão de novas transferências ao clube por decisão da Justiça, existe uma legislação que permite este fomento. “Está suspenso o repasse, mas a Lei nunca foi declarada ilegal”, emendou.
POPULAÇÃO PODE FICAR TRANQUILA
O gestor também se colocou à disposição da investigação e demonstrou estar tranquilo. “A população pode ficar tranquila. A nossa administração é bem transparente e estamos aqui pra responder o que a Polícia quiser. Liberamos, tudo aqui. É ordem judicial, temos que liberar. Estamos tranquilos, sem outras perturbações. A polícia muito educada, delegados e agentes muito educados. Quando soube que estavam aqui, eu mesmo vim pra cá e mandei chamar todos os secretários e adentrei a prefeitura com eles”, relatou Fabion Gomes, que concluiu: “Não temos nada a esconder”.
Confira a manifestação do prefeito sobre a Operação 2º Tempo:















