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TEMPO REAL / Carlesse renuncia ou fica até o final do mandato? E Gomes? Com quem fica?

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As movimentações partidárias da semana, mesmo que ainda muito timidamente, startaram o processo sucessório de 2022, embaciado pela tragédia humana e econômica que vivemos por conta da Covid-19. No entanto, as leves mexidas anunciadas por peças estratégicas já foram o suficiente para causar um tremor que se reverberou por todo o Tocantins.

O deputado federal Carlos Gaguim anunciou que está de saída do DEM, colocou o filho Bruno Amorim na presidência do Republicanos e, assim que a janela partidária for aberta, pulará por ela para dentro da sigla. De outro lado, o governador Mauro Carlesse (sem partido) já se retirou também do DEM e é esperado para presidir o PSL do Estado, cargo, por enquanto, com a deputada estadual Vanda Monteiro. Ela já disse ao governador que não tem a vaidade de presidir e que o quer na legenda. E, se Carlesse preferir, o comando regional é dele.

O vice-governador Wanderlei Barbosa — outra peça fundamental para 2022 — segue sem partido. Terá até abril do ano que vem para se decidir.

Em outra frente, os bastidores da política tocantinense dão como certa a saída do senador Eduardo Gomes do MDB, no qual ingressou em janeiro de 2019, quando da eleição da mesa diretora do Senado, para dar apoio à candidatura de Renan Calheiros (MDB-AL) a presidente. Gomes é outra peça fundamental de 2022.

As respostas a duas perguntas vão definir a configuração desse tabuleiro: 1) Carlesse vai renunciar em abril do ano que vem para disputar o Senado? 2) Qual será a posição de Gomes, o político mais influente no Estado neste momento?

Se Carlesse renunciar ao governo, Wanderlei Barbosa ocupará a principal cadeira do Palácio Araguaia e, com esse movimento, temos um jogo. Se o governador decidir ficar até o final do mandato, em dezembro de 2022, a partida muda completamente de figura.

Com uma renúncia de Carlesse, Wanderlei é candidato à reeleição ao governo do Tocantins. Aí Gomes pode ser seu adversário, ou apoiar o ex-prefeito de Araguaína Ronaldo Dimas (Podemos), ou ainda ficar com Wanderlei na disputa.

Se de um lado, o senador é amigo e aliado de três décadas de Dimas, também é verdade que nos últimos anos esteve junto do grupo de Carlesse, isto é, com Wanderlei. Contudo, essa hipótese de o grupo de 2018 se manter unido também em 2022 é a quem tem angariado menos apostas no mercado. 

A possibilidade de Gomes promover a candidatura de Dimas é real, mas também não cativa tanto os apostadores.

O palpite que parece que tem atraído mais é o de que Gomes será candidato a governador. Isso, inclusive, agrada a oposição ao Palácio, que vê aí a possibilidade de colocar todos os antigovernos no mesmo palanque: entre eles, deputado federal Vicentinho Júnior, ex-prefeitos Carlos Amastha (PSB), de Palmas, Laurez Moreira (PSDB), de Gurupi, e Dimas; senadores Kátia Abreu (PP) e Irajá Abreu (PSD); e a talvez consigam puxar a deputada federal Dorinha Seabra Rezende (DEM) para o time (há quem vê uma chance de composição dela com Wanderlei).

Dúvida aí quanto a Gaguim. Ele é muito próximo e um dos primeiros aliados de Carlesse, desde que o governador ainda era presidente da Assembleia. No entanto, o deputado iniciou uma parceria muito forte com Gomes em 2019. De que lado ficará, caso tenha que escolher?

Parece que as eleições de Palmas, em novembro, deixaram suas lições e a oposição não se mostra disposta a se fragmentar novamente. “Deixamos uma prefeita se reeleger com 25% dos votos”, lastimou à coluna uma dessas peças estratégicas para ano o que vem, em relação a Cinthia Ribeiro (PSDB).

Para essa fonte, o primeiro trabalho da oposição, portanto, é justamente evitar que essa fragmentação se repita no ano que vem. Para tal, já sabe que terão que coincidir interesses e conter as vaidades, o que não será nada fácil.

Como é muito cedo, ainda sobram perguntas e faltam respostas. Mas o jogo está em movimento, mesmo que muito lento.

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Post Scriptum

Pai da criança – Para a população portuense, que vem sofrendo com o crescimento de casos e mortes por Covid-19, pouco importa essa disputa para ver quem é o “pai da criança”, as UTIs que prometem implantar na cidade. Desde que elas se tornem realidade e contribuam para salvar vidas.

Desprezo ao Tocantins – A proposta de iniciar somente daqui a 20 anos a duplicação do trecho tocantinense da BR-153 deve ser encarado como desprezo e profunda discriminação do governo federal ao Tocantins. A concessão de Anápolis (GO) a Aliança vai a leilão dia 29. O coordenador da bancada, deputado federal Tiago Dimas (SD), quer a revisão do edital. Está corretíssimo.

O grupo de Carlesse – O bate-papo do governador Carlesse apenas para convidados na noite dessa quarta-feira, 7, mostrou quem ele considera realmente do seu grupo – 18 deputados, 2 deles não puderam ir. Quem não recebeu o convite está fora.

Com o relator – Em seu voto no julgamento sobre a liberação de celebrações religiosas presenciais, como cultos e missas, durante a pandemia de Covid-19, o ministro do STF Gilmar Mendes afirmou: “Migra para o domínio do surreal que a interdição temporária de eventos religiosos teria algum motivo anti-cristão”. Acompanho o seu voto.

Aiatolás do jurídico – A postura do procurador-geral da República, Augusto Aras, e do ministro da Advocacia Geral da União, André Mendonça, nesse julgamento do STF não foi de juristas, mas de verdadeiros aiatolás.

CT, Palmas, 8 de abril de 2021.


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