CLEBER TOLEDO
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TEMPO REAL / Passaporte sanitário é essencial e comitiva pró-Covid de Bolsonaro em NY é prova disso

Depois de tentar impor cloroquina e outras bobagens sem efeito para a Covid-19 e de combater a vacina, a nova bandeira dos bolsonaristas é tão anti-civilizatória quanto as duas anteriores: agora se colocam contra o passaporte sanitário. O combate à obrigatoriedade de comprovante de imunização para acessar áreas de público é o movimento que os fanáticos do presidente Jair Bolsonaro têm levado a todos lugares.

Um vereador bolsonarista de Belo Horizonte (MG) foi barrado na tarde de sábado, 25, quando tentava visitar o Cristo Redentor, na cidade do Rio de Janeiro, após não apresentar comprovante de vacinação contra Covid-19. O secretário da Saúde de Mato Grosso do Sul, Geraldo Resende, enfrentou, com coragem e galhardia, o protesto de fanáticos aloprados na Câmara de Campo Grande (MS). Até em Palmas tivemos no sábado um protesto de aluados no evento com o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), na ATM.

É o processo de produção de narrativas anti-civilizatórias para tentar esconder a péssima e criminosa gestão que Bolsonaro fez e faz desta pandemia e, por isso, é o maior responsável por termos hoje quase 600 mil brasileiros mortos por uma doença totalmente evitável. Primeiro, cria-se uma versão esdrúxula sobre um fato que escancara os absurdos do governo, de forma que esta fantasia tome o debate público, levado por órgãos de comunicação e comunicadores sem qualquer responsabilidade com o interesse coletivo. Os fanáticos compram a “estória” e passam a defendê-la como questão de vida ou morte. Quem não se lembra de cena típica de hospício de São Paulo, quando um bando de dementes, como se fossem zumbis, fazia piquete na Avenida Paulista dizendo: “Fora ‘vachina’, queremos cloroquina”. Pergunto: uma pessoa mentalmente sã se prestaria a um papel tão patético?

O passaporte sanitário é essencial para que o Brasil possa manter a Covid-19 sob controle. E ele é mais necessário justamente porque esses birutas, movidos por pessoas sem escrúpulos e com interesses políticos e financeiros, disseminam o movimento anti-vacina. Assim, a prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro (PSDB), agiu acertadamente ao obrigar a apresentação de comprovante de vacinação para eventos com público acima de 200 pessoas na Capital. É o que caminho que o governo do Tocantins e todos os outros 138 municípios do Estado deveriam seguir. Empresas e organizadores de eventos que descumprirem devem ser pesadamente multados.

Porque são os empresários que deveriam ser os maiores interessados nesta medida. Afinal, se a Covid-19 voltar a avançar como no início do ano, não tenham dúvida de que o fechamento da economia será necessário, e este colunista será o primeiro a defendê-lo. Dessa forma, se comerciantes não desejam mais parar suas atividades precisam se manter como os principais advogados das medidas de restrição e da obrigatoriedade da apresentação do passaporte sanitário.

Afinal, é preciso enxergar que a vacina funcionou! A ciência venceu a ignorância, a burrice, a idiotia destes tempos! Se não fosse o imunizante estaríamos hoje numa carnificina muito maior do que a que, chocados, assistimos e sofremos no início do ano.

Por fim, prova cabal de que o passaporte é essencial é a comitiva pró-Covid-19 do presidente Jair Bolsonaro que foi a Nova York para a Assembleia-Geral da ONU semana passada. Lá tiveram que comer em pé em calçadas e em “puxadinhos” de restaurante porque o incivilizado presidente da República Federativa do Brasil se diz (há controvérsias) não vacinado. Agora soubemos que pelo menos três dos membros da comitiva pró-Covid-19 estavam com a doença: nada menos do que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga; o filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP); e o presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

Ainda bem que os americanos recusaram a convivência com essa gente indigna em seus restaurantes e lanchonetes, ou ela teria contribuído para a disseminação do vírus nos Estados Unidos.

E nessa segunda-feira, 27, tiveram a desfaçatez de comemorar os mil dias do horror a que submetem o Brasil.

Mas vai passar. Tenho fé.

CT, Palmas, 28 de setembro de 2021.


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