CLEBER TOLEDO
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TEMPO REAL / Aos críticos da decoração natalina recorro a James Carville: “É a economia, estúpido!”

No começo de 1992, o então presidente dos Estados Unidos, George H. W. Bush, era celebrado como herói pela vitória sobre Saddam Hussein, o ditador do Iraque, que havia invadido o Kuwait, ameaçando o mercado do petróleo. No entanto, no final daquele mesmo ano, o herói foi derrotado pelo jovem democrata Bill Clinton, pondo fim à era de domínio dos republicanos que vinha desde 1968.

Apesar do sucesso das investidas contra Saddam, Bush enfrentava o trágico cenário da economia americana, em recessão pelo aumento do desemprego. Atônico com a derrota, o presidente buscava uma explicação. Foi quando vem o conhecido episódio em que James Carville, o estrategista político de Clinton, disparou a frase que entrou para a história ao dar um choque de realidade ao adversário derrotado: “É a economia, estúpido!”

Essa chacoalhada de Carville me veio à mente esta semana ao ler postagens e ver vídeos de críticos ao investimento da Prefeitura de Palmas (mas também de outros municípios) na decoração natalina. Primeiro é bom ressaltar que se trata de investimento, não de gasto. Isso porque é o Poder Público apostando no melhor momento de vendas do ano para atrair consumidores de Palmas, interior e até outros Estados, para, com isso, elevar a arrecadação com um ciclo virtuoso: lojas, restaurantes e hotéis cheios significam mais vendas, o que resulta em mais empregos e mais impostos e taxas recolhidos. Ou seja, “é a economia, estúpido!”

Lembro quando Palmas passava o fim de ano triste, submersa na falta de visão de seus gestores, parecendo cidade abandonada num momento em que o coração humano mais carece de luz e motivação. Em dezembro, a Capital se esvaziava, deixando a impressão de que todo mundo ia embora e queria distância daqui. Não havia um só enfeite por nossas imensas e belíssimas avenidas para atrair a própria população a querer permanecer no local onde vivia. Na época, eu sempre cobrava investimento do Poder Público no final de ano para promover dois movimentos importantíssimos para a economia: o primeiro é segurar o palmense aqui nas festas e o segundo, chamar turistas.

Houve até alguma tentativa com uns enfeites que aparentavam improvisados, mas nada marcante, que motivasse o morador a ficar por aqui.

Esse cenário desértico mudou com a eleição do ex-prefeito Carlos Amastha (PSB) em 2012. O “homem do shopping” era acostumado com essa lógica mercadológica de fim de ano que, pela peculiaridade de seu negócio, ele precisava aplicar. O novo prefeito levou isso para a administração pública e o resultado foi um final de 2013 de encher os olhos, inesquecível. Palmas foi completamente inundada por uma luz que transcendia em muito a própria beleza que se via nas avenidas e canteiros centrais. Ela brilhou os corações dos palmenses, que passaram a “vender” orgulhosos sua cidade nas redes sociais para familiares e amigos distantes.

Me enchia a alma de contentamento passar pela Teotônio e assistir famílias às dezenas nos canteiros centrais posando para fotos. As avenidas foram tomadas, Palmas não tinha mais um período de festas sombrio, deprimente, desértico. Ao contrário, tudo era luz, nas vias públicas e nos olhos dos cidadãos. Esse novo período de festas foi o responsável pela maior conquista de nossa população, e que persiste até hoje: o seu orgulho de viver numa cidade tão linda e tão mágica, de lago, serras e com luzes únicas de Natal.

E isso, por óbvio, gerou resultados comerciais expressivos. Lojas, shoppings, restaurantes e hotéis repletos de clientes, muita venda, muito emprego, muita arrecadação. A ideia se espraiou pelo Estado e hoje muitos municípios têm seu período de festas iluminado.

Claro que é preciso fiscalizar os recursos aplicados nesta época, como os de qualquer outra. É necessário otimizá-los, garantir que deem retorno efetivo à economia. Mas se colocar contra é de uma obtusidade própria de uma mente pré-iluminista, tacanha, sem qualquer conhecimento mínimo do efeito multiplicador e virtuoso dessa ação fundamental do Poder Público.

Amastha repetiu as festas iluminadas em todos os anos de sua gestão e sua sucessora, a prefeita Cinthia Ribeiro (PSDB), vem mantendo essa nova tradição de Palmas: ter um dezembro de muita luz, alimentando as esperanças de um futuro melhor, a certeza de que vivemos na Capital mais linda do País e, de quebra, gerando muitos negócios, emprego e renda.

Tudo isso esteve nas certeiras palavras da prefeita Cinthia na solenidade de acendimento da decoração natalina na noite de terça-feira, 28: “Não são só luzes. É fomento à economia. Geração de emprego. Incentivo ao turismo. Este evento coloca nossa cidade entre os grandes circuitos de Natal do País”, explicou.

Perfeito, prefeita, você respondeu com muita sabedoria e educação aos críticos de visão limitada, por isso, incapazes de perceber a importância deste momento para a nossa cidade.

Mas eu, menos diplomático, volto a recorrer a James Carville: “É a economia, estúpido!”

CT, Palmas, 30 de novembro de 2023.


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