CLEBER TOLEDO
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TEMPO REAL / Eduardo Siqueira na corrida sucessória qualifica o debate, mas os desafios são os mesmos de Amastha, Janad e Geo

Dizem que, ao ser “picado” pela política, a vítima jamais dela se livra. O ex-senador Eduardo Siqueira Campos (UB) mostra que o dito popular parece estar certo. Bom para a política e para o debate público que Eduardo esteja disposto a voltar ao “ringue”, quando já era tido como carta fora do baralho. Quem se colocou no “pijama” foi o próprio ao ex-senador, ao afirmar a quem quisesse ouvir – e este colunista ouviu do próprio – que o mandato de deputado estadual seria seu último.

A presença dele qualifica o debate sucessório da Capital pelos mais diversos motivos. A despeito de ser filho do fundador de Palmas, o ex-governador Siqueira Campos, Eduardo tem uma história de vida pública que, como a do pai, também se confunde com a de Palmas e a do Tocantins. Delas participou desde os primeiros momentos e foi o segundo prefeito da então recém-criada capital. Até hoje o que mais construiu (claro, a cidade estava surgindo naquele período, mas não deixa de ser fato que ninguém fez tanto como Eduardo).

Além de sua história ter seguido o mesmo traçado desta jovem capital, e também por isso, Eduardo Siqueira conhece profundamente a cidade — suas virtudes e carências. O ex-senador conta ainda com formação intelectual e conhecimento político sólidos para entrar na discussão que precisamos fazer sobre Palmas. E, sim, temos que debatê-la intensamente.

Assim, se tem algo que ninguém pode negar é que o Eduardo tem total legitimidade para colocar seu nome na disputa pela prefeitura e que, com ele na corrida sucessória, o debate se eleva e se torna muito qualificado, exigindo que seus concorrentes também aumentem seus sarrafos para competir em pé de igualdade. Isso é uma vitória para Palmas, sobretudo, num momento de discussões rasas, improfícuas, tomado por linguagem neutra e outras bobagens.

Contudo, Eduardo Siqueira entra na corrida desgarrado das máquinas públicas poderosas do município e do Estado. Ou seja, nas palavras do nosso maravilhoso Caetano Veloso, “caminhando contra o vento, sem lenço, sem documento”. Mas não só ele. Nessa mesma estrada deserta peregrinam o ex-prefeito Carlos Amastha (PSB) e a deputada estadual Janad Valcari (PL), hoje tidos como os dois mais fortes competidores desse xadrez. Outro que também corre por fora e não pode ser ignorado é o também deputado estadual Júnior Geo (PSC), o segundo colocado de 2020.

O grande desafio dos quatro será o mesmo: construir a musculatura necessária para consolidar uma candidatura competitiva. Isso significa conquistar apoios de importantes líderes, com muita capilaridade nos bairros, o que, somado aos atributos pessoais de cada um deles, resultará na projeção de um volume elevado de votos.

A vantagem do quarteto é que, enquanto carece de musculatura para manter seus projetos em pé, as duas máquinas estão emperradas, por enquanto, na falta de nomes. O apoio do governo do Estado, que possui o único grupo político sólido hoje (os demais estão pulverizados e desarticulados ou desacreditados), é o sonho de consumo de todos, mas o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) deve ter plena consciência de que não pode errar nessa escolha. Na agulha há apenas uma bala. Se o disparo não atingir o alvo, Wanderlei será mais um a entrar na fila dos governadores derrotados pelos eleitores palmenses, que, inclementes, jogaram na lona todos os inquilinos do Palácio desde 2004.

A prefeita Cinthia Ribeiro (PSDB) domina a máquina, mas não tem grupo. A força política de sua gestão se resume à estrutura da prefeitura. E só. Vereadores não contam. Serão fieis a ela até as convenções do ano que vem, quando a prioridade se resumirá à própria sobrevivência, sobretudo considerando que Cinthia não terá direito à reeleição. Então, servirão o senhor ou senhora em quem vislumbram a possibilidade real de vitória pessoal. Para a prefeita está muito mais difícil definir um candidato à sucessão do que para o governador. Claro, considerando um nome em condições de vencer.

Com as duas máquinas patinando na esteira da sucessão, a corrida se mostra aberta para se construir um projeto competitivo, o que é bom para Amastha, Janad, Geo e agora também para Eduardo Siqueira, que acaba de se colocar na pista.

Ressalto que este é o momento de a habilidade política prevalecer. E nesse métier o ex-senador é um craque.

CT, Palmas, 23 de março de 2023.


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